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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Islamitas no Mali dão 100 chicotadas em casal por ter filho sem se casar

Bamako - Membros do grupo islamita armado Ansar Dine (Defensores do Islã) deram nesta quarta-feira (20/6) 100 chicotadas em um casal que teve um filho sem se casar, indicaram testemunhas.


"Na praça Sankoré de Timbuctu (centro), um homem e uma mulher receberam 100 chicotadas por terem tido um filho sem se casar", declarou um vereador da cidade, Mohammed Uld Baby, o que foi confirmado por outras testemunhas. Mohammed Uld Baby, que disse que se encontrava no local do ocorrido, indicou que era a primeira vez que se castigava deste modo um casal desde que os islamitas tomaram o controle de Timbuctu, em abril.

"Era como um espetáculo. As pessoas observavam o que ocorria", acrescentou. "Os jovens desceram de um veículo na praça e começaram as chicotadas. Eu nunca havia visto uma coisa assim", afirmou. Os dois jovens foram levados ao hospital de Timbuctu para receber atendimento médico, indicou uma fonte deste estabelecimento.

Após um golpe de Estado militar em Bamako no dia 22 de março, os grupos islamitas radicais Ansar Dine, AQMI e o Movimento pela Unidade e a Jihad na África Ocidental (MUJAO) tomaram o controle das três regiões administrativas do norte do Mali (Timbucto, Gao e Kidal), depois de baterem os rebeldes tuaregues, que também estão presentes na região.

Na semana passada, membros do MUJAO queimaram caixas de cigarros e deram chicotadas em fumantes em outra cidade do norte do Mali. Em maio, em Gao, impediram que um grupo de jovens jogasse futebol e visse televisão, o que provocou violentas manifestações contra os islamitas.



Fonte: CorreioWeb

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mali: Rebeldes islâmicos unem-se a AQMI

Após ignorar o prazo para devolver o poder aos civis, a junta militar malinesa, que deu um golpe de Estado há duas semanas, mergulhou o país no caos. Nesta terça-feira, três líderes da Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI) reuniram-se com Iyad Ag Ghaly , chefe do grupo islâmico Ansar Din, que domina a cidade de Timbuctu, no norte do Mali.

Na capital, Bamako, a população fez fila ontem para estocar alimentos e dinheiro. Os apagões deixam a cidade sem eletricidade e sem água na maior parte do dia. Os 15 países da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas) anunciaram sanções, que incluem o fechamento de todas as fronteiras do Mali - que não tem saída para o mar.


Isolado e sem saber o que fazer, o missionário brasileiro Edson de Melo teme pela segurança da mulher, Paula, e das filhas, Melissa, de 10 anos, e Sabrina, de 7. Eles apostaram que a junta seria capaz de estabilizar o país e ficaram presos em Bamako.


Por telefone, Edson contou ao Estado que é arriscado fugir de carro, que só haverá lugares em voos internacionais a partir de domingo e que eles não têm os cerca de R$ 8 mil necessários para pagar as passagens. Mesmo que resolva a questão financeira - muitos amigos e missionários já ofereceram ajuda -, comprar os bilhetes aéreos é uma epopeia imprevisível.


"Já me aconselharam a não ir ao centro da cidade, porque há manifestações", conta. "Mesmo que conseguisse, não há eletricidade e nada funciona." A decisão de partir fica ainda mais difícil porque Edson tem uma escolinha de futebol que emprega cinco pessoas e alimenta várias crianças. "Sem a nossa presença, eles não têm ninguém."


Apesar de o comércio funcionar, as escolas fecharam. Para Edson, quase tão angustiante quanto a insegurança é suportar o calor de 45° C sem ar-condicionado. Há dois dias, a TV estatal está fora do ar. Informações, só por emissoras de Burkina Fasso, da Costa do Marfim e da França. E as notícias são péssimas.


Segundo a ONU, desde janeiro, mais de 200 mil pessoas deixaram suas casas. Em Gao, norte do país e epicentro da tormenta, há registros de saques a agências bancárias e começa a faltar comida. Para o Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o país está "à beira de uma grave crise humanitária".


A tragédia malinesa começou no dia 22, quando militares chefiados pelo capitão Amadou Sanogo derrubaram o presidente Amadou Touré. Os rebeldes disseram que a quartelada foi uma resposta à falta de recursos para combater o Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA), tuaregues que lutaram na guerra civil da Líbia e retornaram ao Mali para combater pela independência de Azawad, como é conhecido o norte do país.


O golpe causou uma reação em cadeia. O MNLA levou apenas uma semana para cortar o território malinês ao meio e ocupar as cidades de Gao, Kidal e Timbuctu. No início, os separatistas tiveram ajuda do Ansar Din, outro grupo tuaregue, mas de raízes islâmicas.

Consolidada a vitória no norte, Iyad Ag Ghaly, líder do Ansar Din, foi além e proclamou que a luta era para instaurar a sharia (a lei islâmica) em todo o país, causando atrito com o MNLA.

Cisão. Os dois grupos afastaram-se mais nos últimos dias, especialmente depois que o Ansar Din expulsou as forças do MNLA de Timbuctu e transformou a cidade em sua base. Com isso, o conflito tornou-se ainda mais complexo, com quatro frentes de luta: governo civil, militares golpistas, separatistas tuaregues e tuaregues islâmicos.


Nesta terça-feira, a presença em Timbuctu de três chefes da Al-Qaeda do Magreb Islâmico parece ter confirmado a cisão. Os argelinos Abu Zeid, Mokhtar Belmokhtar e Yahya Abu al-Hammam reuniram-se com vários imãs e com Ghaly, líder do Ansar Din, que estaria buscando apoio dos religiosos para consolidar seu poder. Formada a partir de um grupo salafista argelino, em 2002, a AQMI tem uma facção liderada por Abdelkrim Taleb, primo de Ghaly.

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