quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Jihadisas Somalis pede que soropositivos que realizem atentados suicidas

Mogadíscio, 8 set (EFE).- A milícia radical islâmica Al Shabab convocou os portadores de HIV a promoverem atentados suicidas para derrubar o Governo Transitório da Somália por considerá-los pessoas "sem futuro", em meio à sequência de 25 dias de combates incessantes na capital do país, Mogadíscio.


Em mensagem divulgada nesta quarta em seu site, um dirigente não identificado do Al Shabab, aliado da rede terrorista Al Qaeda na Somália, anuncia: "Vocês, as vítimas da aids, não têm futuro e esperam a morte. São prisioneiros condenados na cela da morte".


Por este motivo, o dirigente radical islâmico pede aos soropositivos que "usem seu tempo e venham conosco que os prepararemos para realizar ataques suicidas" contra o Governo Federal Transitório da Somália e as tropas da União Africana que o apoiam.


"Vocês alcançarão o Paraíso, receberão a bênção de Deus e morrerrão com honra", afirma o porta-voz do Al Shabab, organização que, com o respaldo de centenas de combatentes estrangeiros ligados à Al Qaeda, luta para derrubar o Governo Federal Transitório e criar na Somália um Estado muçulmano radical seguidor da linha Wahabi.


Os últimos 25 dias de ofensiva ininterrupta do Al Shabab em Mogadíscio ocasionaram pelo menos 240 mortos e 500 feridos, provocou a fuga de dezenas de milhares de pessoas e deixou as ruas da cidade praticamente desertas, disseram hoje à Agência Efe fontes humanitárias.


O Al Shabab denominou esta ofensiva como "O fim dos invasores", já que é voltada principalmente contra as tropas da Missão da União Africana na Somália (Amisom), que apoiam o Governo Federal Transitório do presidente Sharif Sheikh Ahmed, apoiado pela comunidade internacional.


Para reforçar sua ofensiva, o anônimo dirigente do Al Shabab reivindica em sua mensagem pela internet aos homens úteis, de 14 a 60 anos, que deixem de fugir da cidade e se unam às milícias rebeldes.


"Todos os homens úteis são convidados a participar da jihad (guerra santa islâmica). Todo aquele que for encontrado fugindo será trazido de volta e treinado para pegar em armas contra os cruzados ugandenses e burundinenses", assinala o porta-voz radical, em referência aos soldados dos dois países - Uganda e Burundi - que formam as tropas da Amisom.


Ali Moussa Mohamud, diretor do Sistema Voluntário de Ambulâncias de Mogadíscio, ressaltou hoje à Efe que, nos últimos dias, a proporção de vítimas civis foi muito menor, já que quase toda a população da região nordeste da cidade, onde se registraram os combates, se deslocou rumo às localidades vizinhas e deixou a área deserta.


Quase toda a população dos distritos de Bondhere, Abdilaziz e Shibis deixou seus lares e fugiu em direção aos arredores, disse Mohamud. "Os que morrem são quase todos pessoas que tomaram parte na luta e as baixas civis se reduziram, porque 99% dos habitantes se viram deslocados pela guerra".


Nos últimos 25 dias, segundo Mohamud, "o número de mortos nos combates chegou a 242, inclusive oito vítimas desde a noite passada, e o número de feridos supera os 500".


Por sua vez, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) assinalou ontem que a situação em Mogadíscio, imersa no caos após 19 anos de guerra civil, se deteriorou ainda mais e 23 mil pessoas abandonaram a capital somali nas últimas semanas.


Melissa Fleming, porta-voz do Acnur, informou em Genebra que mais de 200 mil pessoas abandonaram Mogadíscio o início deste ano e que, até ontem, os mortos na cidade pela violência das últimas semanas eram pelo menos 230 e os feridos chegavam a 400.


Os somalis refugiados nos países vizinhos neste ano já são quase 68 mil, chegando a 614 mil o número de refugiados originais da Somália no mundo, o número mais alto depois de Afeganistão e Iraque, comparou Fleming.


Enquanto isso, nos bastidores do Governo Federal Transitório, que não exerce controle efetivo sobre o território, surgiu um conflito político entre o presidente Ahmed e o primeiro-ministro, Omar Abdirashid Sharmarke, que discutem os termos de uma nova Constituição para a Somália.


Desde 1991, quando foi derrubado o ditador Mohamed Siad Barre, a Somália vive imersa no caos, sem um Governo efetivo e com seu território dividido e controlado por senhores da guerra que lideram milícias tribais e grupos islâmicos radicais.

Fonte: AFP

Para Hamas, colonos israelenses são "alvo legítimo"

O movimento islâmico palestino Hamas considera os colonos israelenses em território palestino "alvo legítimo" e, por isso, aprova o assassinato dos quatro judeus ocorrido nesta semana em dois ataques consecutivos na Cisjordânia.

"Atacar colonos sionistas é natural. Atualmente eles formam um Exército, no pleno sentido da palavra. Têm mais de meio milhão de armas automáticas, além da proteção básica que lhes confere o Exército (israelense) de ocupação", assinalou um de seus porta-vozes, Azat al-Ghashek, em declarações publicadas hoje pelo jornal em árabe "Al Hayat".

Al-Ghashek acrescentou que os dois recentes ataques contra colonos, que também deixaram dois feridos, provam a determinação dos grupos armados palestinos de combater o "inimigo sionista".

Ambos os atentados ocorreram às vésperas da retomada das negociações diretas de paz entre israelenses e palestinos iniciadas na quinta-feira em Washington, repudiada pelo Hamas.

Al-Ghashek considera a reunião um "carnaval midiático" orquestrado pelos Estados Unidos para promover sua agenda política no Oriente Médio. Outro porta-voz do Hamas, Osama Hamedan, disse que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pretende renunciar aos "99% dos direitos palestinos" nas conversas com Israel.

Hamas acusa Autoridade Palestina de traição após prisões

O Hamas acusou nesta quarta-feira a Autoridade Palestina de traição depois da prisão de militantes da organização islamita suspeitos de estarem envolvidos nos dois recentes ataques anti-israelenses na Cisjordânia.

"Trata-se de uma traição nacional e de colaboração direta com o inimigo", afirmou, em um comunicado, o porta-voz do grupo Hamas, Fawzi Barhum, que advertiu contra a entrega dos detidos a Israel.

Na terça, um dirigente da Autoridade Palestina que não quis ser identificado indicou à AFP que os serviços de segurança detiveram os membros de duas células do Hamas vinculadas aos dois ataques anti-israelenese na Cisjordânia.

O primeiro ataque, em 31 de agosto, custou a vida de quatro colonos perto de Hebron. O segundo, em 1º de setembro, deixou dois feridos ao leste de Ramallah.

Esses ataques, reivindicados pelo Hamas em pleno reinício das negociações diretas entre Israel e os palestinos em Washington, deixaram em posição difícil a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas, que os condenou como contrários aos interesses nacionais.

Fonte: AFP

Igreja da Flórida reafirma plano de queimar Alcorão

AE - Agência Estado
Uma pequena igreja da Flórida, nos Estados Unidos, mostrou-se intransigente aos apelos internacionais e reafirmou que pretende queimar cerca de 200 exemplares do Alcorão. Diversos funcionários locais faziam planos para tentar impedir a manifestação. Apesar da condenação internacional liderada por funcionários dos EUA, militares e líderes religiosos, a igreja disse que o evento para queimar o livro sagrado islâmico ocorrerá no aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001.

"No momento, nós sentimos que essa mensagem é importante. Nós ainda estamos determinados a fazê-la, sim", disse hoje o pastor Terry Jones, em entrevista à emissora CBS. Ele afirmou que a mensagem de sua igreja era alvo do islamismo radical. "Nós queremos que eles saibam que, se estão na América, eles precisam obedecer à lei e à Constituição, e não sobrepor sua agenda gradualmente sobre nós."

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, denunciou o plano como "infame". Funcionários da pequena cidade universitária de Gainesville, de pouco mais de 120 mil habitantes, encontraram-se hoje para se preparar para o ato, que deve mobilizar policiais e bombeiros no sábado.

Um porta-voz da prefeitura disse que os membros da igreja violarão o código que proíbe fogo ao ar livre. A punição prevista para isso é uma multa de US$ 250. No entanto, o porta-voz disse que não está fora de questão prender os manifestantes. O evento da obscura igreja evangélica, que declara ter apenas 50 membros, gerou atenção para a calma cidade situada no centro-norte da Flórida.

As Nações Unidas condenaram hoje a ideia da igreja, advertindo que civis e funcionários humanitários no Afeganistão podem ser mortos, caso o Alcorão seja queimado. A chefe das Relações Exteriores da União Europeia (UE), Catherine Ashton, também condenou os planos, enquanto o chefe da Liga Árabe, Amr Mussa, disse que Jones era um "fanático".

A chanceler alemã, Angela Merkel, qualificou a iniciativa como "ignominiosa" e "simplesmente errada". O presidente libanês, Michel Suleiman, também condenou a ideia. As informações são da Dow Jones.


terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sharia para bobos

Na linha de frente pela instalação de uma mesquita no Ground Zero do 11/9, o imã Rauf afirma que a Sharia está em plena harmonia com as leis americanas. Um rápida lida em algumas leis da Sharia mostra com que espécie de pessoas os americanos estão lidando.


O imã Feisal Abdul Rauf* afirma que a constituição dos Estados Unidos é concorde com a Sharia. Examinemos algumas das leis da Sharia para ver se o Imã Rauf é honesto ou um impostor:


1.A jihad*, definida como "guerrear contra não-muçulmanos para estabelecer a religião," é dever de todo muçulmano e chefe muçulmano de Estado (califa). Califas muçulmanos que recusem a jihad violam a Sharia e não estão capacitados a governar.
2.Um califa pode assumir o cargo a partir da tomada do poder, ou seja, através da força.
3.Um califa é imune a acusações de crimes graves, como assassinato, adultério, roubo, furto, embriaguês e, em alguns casos, estupro.
4.Uma porcentagem da Zakat (dinheiro de caridade) deve ir para a jihad.
5.A obediência às ordens do califa é obrigatória, mesmo se ele for injusto.
6.Um califa deve ser muçulmano, não-escravo e do sexo masculino.
7.O público muçulmano deve depor o califa se ele rejeitar o Islã.
8.Um muçulmano que abandone o Islã* deve ser imediatamente morto.
9.Um muçulmano será perdoado pelo assassinato de: 1) um apóstata, 2) um adúltero, e 3) um salteador de estradas - o que torna linchamentos e assassinatos por honra aceitáveis.
10.Um muçulmano não receberá a pena de morte se matar um um não-muçulmano, mas a receberá pelo assassinato de um muçulmano. 11.A Sharia nunca aboliu a escravidão* nem a escravidão sexual e a regulamenta de forma estrita. Um mestre não será punido por matar seu escravo.
12.A Sharia prescreve a morte por apedrejamento*, decapitação, amputação de membros, açoitamento - mesmo para crimes de pecado como adultério.
13.Não-Muçulmanos* não são iguais a muçulmanos sob a lei. Eles devem obedecer à lei islâmica se quiserem permanecer em segurança. Eles são proibidos de se casarem com mulheres muçulmanas, exibir vinho ou carne de porco em público, recitar suas escrituras ou celebrar abertamente suas festividades ou funerais. Eles são proibidos de construir novas igrejas ou construí-las mais altas que as mesquitas. Não podem entrar em uma mesquita sem permissão. Um não-muçulmano não está mais sob proteção se ele desencaminha um muçulmano do Islã.
14.É crime um não-muçulmano vender armas para alguém que vai usá-las contra os muçulmanos. Não-muçulmanos não podem amaldiçoar um muçulmano, nem dizer nada de pejorativo sobre Alá, o Profeta ou o Islã, nem expor os pontos fracos dos muçulmanos. Mas o mesmo não se aplica aos muçulmanos.
15.Os bancos* devem ser concordes com a Sharia e os juros não são permitidos.
16.Um não-muçulmano não pode herdar de um muçulmano.
17.Nenhum testemunho em corte da parte de pessoas de empregos de baixo nível, como varredores de rua ou limpadores de banheiros, pode ser aceitos. As mulheres em empregos de baixo nível, como carpideiras profissionais de funerais, não podem ter a guarda dos filhos, em caso de divórcio.
18.Um não-muçulmano não pode governar nem mesmo sobre uma minoria de não-muçulmanos.
19.A homossexualidade* é punida com a morte.
20.Não há limite de idade para o casamento das meninas. O contrato de casamento pode ocorrer após o nascimento e consumado na idade de 8 ou nove anos*.
21.A rebeldia por parte da esposa anula a obrigação do marido em lhe sustentar e dá a ele a permissão de lhe bater e impedir de sair de casa.
22.O divórico está só nas mãos do marido e consiste apenas em dizer "Eu me divorcio de ti" e se efetiva mesmo se o marido não tivesse esta intenção.
23.Não há propriedade comum entre marido e mulher e a propriedade do marido não vai automaticamente para a mulher depois de sua morte.
24.Uma mulher* herda metade do que um homem herda.
25.Um homem tem o direito de ter até quatro esposas e ela não tem o direito de se divorciar dele, mesmo se ele for polígamo.
26.O dote é dado em troca dos orgãos sexuais da mulher.
27.Um homem tem a permissão de fazer sexo com as escravas e as mulheres capturadas na guerra, e se a mulher escravizada for casada, o casamento fica anulado.
28.O testemunho de uma mulher vale metade do de um homem num tribunal.
29.Uma mulher perde a custódia dos filhos se se casa de novo.
30.Para provar um estupro, uma mulher precisa ter quatro testemunhas masculinas.
31.Um estuprador pode ser solicitado a apenas pagar o dinheiro da noiva (dote), sem se casar com a vítima do estupro.
32.Uma muçulmana deve cobrir* cada centímetro de seu corpo, que é considerado "Awrah," um órgão sexual. Nem todas as escolas da Sharia permitem que o rosto de uma mulher seja exposto.
33.Um muçulmano fica perdoado se mata a mulher no momento em que a apanhou em flagrante de adultério. Entretanto, o contrário não vale, já que ele "poderia estar casado com a mulher com que ele foi apanhado."
34.É obrigação de um muçulmano mentir se o objetivo for uma obrigação. Isto quer dizer quer dizer que, afim de cumprir os mandamentos do Islã, tais como a jihad, um muçulmano é obrigado a mentir e não deve ter nenhum sentimento de remorso ou vergonha associado a este tipo de mentira.


Estas são leis claras dentro do Islã, estabelecidas por grandes imãs após anos de exame e interpretação do Corão, dos Hadith e da vida de Maomé. Agora, que o erudito imã Rauf nos diga qual parte delas é concorde com a constituição dos Estados Unidos.

Fonte: Mídia Sem Máscara

O que há por trás da morte do francês Michel Germaneau, refém da Al-Qaeda do Magreb Islâmico

Por Jefferson Nóbrega

O que abordo agora seria um perfeito roteiro de filme. Devo alertar que o que tentarei expor é baseado em fatos exposto na mídia, mas também em informações de autenticidade duvidosas, tendo em vista que o fato envolve de um lado a Al-Qaeda e dou outro os Serviços Secretos da Argélia e EUA, assim como as agências de segurança da França, Mali, Niger e Mauritânia.

Quem é Michel Germaneau?

Michel Germaneau, um engenheiro francês aposentado de 78 anos, foi sequestrado em abril por supostos militantes da Al-Qaeda no Níger, país no norte da África. Em julho, em uma mensagem de áudio exibida na emissora Al-Jazira, Abdelmalek Droukdel líder da AQMI (Al-Qaeda do Magreb Islâmico) informou a execução do engenheiro em retaliação a um ataque do governo da Mauritânia contra o grupo. No ataque, no qual as tropas da Mauritânia foram auxiliadas pela França, foram mortos seis militantes da Al-Qaeda.

Porque a França escolheu a Mauritânia e não a Argélia na ação para libertar Germaneau?

A Argélia é a maior força militar Regional, no entanto, a França escolheu a Mauritânia como principal parceira na ação. A França foi à antiga potência na região, não gozando de popularidade. Em contra partida a Argélia ampliou como nunca sua parceria com os EUA.

Os EUA estabeleceram três principais pólos militares na África – Argélia, Nigéria e África do Sul.

Desde 2003 a Argélia emergiu como principal força militar, e embora à desestabilização da região tenha levado o país a uma “aliança” com os governos Francês e Americano contra a AQMI, a Argélia é contra qualquer tipo de intervenção estrangeira, afirmando que os problemas devem ser resolvidos pelos países da região, a operação franco-mauritana para libertar Germaneau serviu para aumentar ainda mais essa visão. E por isso o país surgiu como a grande potência regional.

O país passou então a desempenhar um papel de aliado dos EUA indispensável na guerra global contra o Terror. Este papel é também de acordo com a própria Argélia extremamente necessário para seus interesses hegemônicos sobre o Sahel, especialmente Mali, onde Muammar Kadhafi, o líder líbio, tem utilizado financiamentos e investimentos para expandir a presença da Líbia e aumentar influência no país. Na verdade, era para incriminar a Líbia, e expulsa-la da região de Kidal, que o DRS (Serviços de Inteligência Argelino), apoiados por forças especiais dos EUA, incentivou e deu apoio velado à curta rebelião tuaregue em maio 2006.

A fim de desempenhar esse papel ambicioso, que a Argélia busca o “controle” de todo o Sahel, enquanto a França a ex-potência regional, refere-se a região como se ainda tivesse o mesmo poder.

E após a desastrosa operação no Mali, a França conseguiu cair ainda mais em descrédito e o DRS ganhou um momento raro de apoio e de popularidade.

Mas, por que a escolha francesa da Mauritânia, em detrimento de outros países do Sahel, como sua parceira na operação de 22 de julho?

O Níger tem um governo militar novo que está tentando por ordem no país que encontra-se desestabilizado, e não tem simpatia pelo papel que a Argélia tem desempenhado no Sahel contra a AQMI e com as suspeitas de a DRS ter ajudado a organização em algumas situações.

Quanto ao Mali, os serviços de inteligência francesa sabem muito bem que tanto a AQMI, quanto a DRS infiltraram-se nos mais altos escalões das forças de segurança do país, o que tornava a operação insegura. Lamana Ould Bou um agente duplo do serviço de inteligência do Mali, morto a tiros em Timbuktu no ano passado já havia declarado: “O coração da AQMI é o DRS”.

Além disso, as tropas do Mali estão "assustadas" com a perspectiva de se envolver com AQMI, em grande parte por causa da aquisição de armamentos e a utilização eficaz dos equipamentos de visão noturna. Como eles adquiriram o equipamento de visão noturna é outro assunto.

A Mauritânia foi, portanto, visto como uma aposta muito mais segura, especialmente porque seu presidente, Mohamed Ould Abdel Aziz, se vê como um 'homem forte' na guerra contra o terrorismo “e está fazendo todo o possível, à luz de seu recente golpe de estado, para agradar a si mesmo, o seu país, assim como os EUA e os países da UE”.

Outras potências ocidentais envolveram-se na operação?

França e Mauritânia são inflexíveis em afirmar que nenhum outro país estava envolvido no ataque. A Argélia e o Mali informaram que não fizeram mais que observar, enquanto Daniel Benjamin, o embaixador-geral de combate ao terrorismo, negou que quaisquer tropas dos EUA envolveram-se no episódio.

Mas, é claro que atualmente a ajuda dos EUA raramente vem na forma de tropas - a vigilância por satélite e os “zangões” (aviões não-tripulado) são mais eficazes.

No entanto, no dia após o ataque, El Pais, citando fontes diplomáticas, confirmou que a base onde estaria Germaneau havia sido localizada com a ajuda dos EUA.

Embora a contribuição UE não parece estar em dúvida, um ponto de interrogação paira sobre o papel do Reino Unido neste caso.

A delegação britânica foi à Mauritânia, ostensivamente para discutir a cooperação bilateral na luta contra o terrorismo e liderado pelo general Robin Searby, o chefe do Reino Unido contra o terrorismo na África do Norte, foi em Nouakchott, nos dias 20-21 julho, 24 horas antes da ação. É concebível que essa delegação teria ido a Nouakchott se não fosse cúmplice, de uma forma ou de outra, na operação?

Pierre Camatte x Michel Germaneau

É interessante notar que parece ter havido um maior empenho na liberação de Pierre Camatte do que no caso Germeau. Pierre Camatte foi seqüestrado em 25 de novembro de 2009, no nordeste do Mali pela Al-Qaeda do Magreb Islâmico.

O fato é que nas negociações para liberdade de Camatte o Mali havia informado que não liberariam nenhum prisioneiro em troca dos reféns da AQMI.

A AQMI tentou por diversas vezes negociar a liberdade de Camatte, no entanto, o Mali mostrava-se irredutível. Até que os terroristas deram um ultimato, prometeram executa-lo em 20 de fevereiro. E perto do fim do prazo o Ministro Francês Bernard Kouchner tentou novamente buscar negociações, mas o Mali insistiu que não tinha intenção de liberta nenhum preso por reféns.

Até que as 6h30 de quinta-feira, 18 fevereiro - apenas 48 horas antes da execução de Cammate, o tribunal decidiu que libertaria quatro prisioneiros da AQMI. O tribunal considerou os homens culpados de crimes de armas e os condenou a nove meses. Mas como eles já haviam sido detidos durante esse período de tempo, os mesmos foram sumariamente liberados.

O que teria levado o Mali a mudar de idéia no último minuto? Ou tudo teria sido um suspense teatral?

E nesse momento entra algumas suspeitas...

Na época da negociação sobre Camatte correu por entre a internet boatos de que este era na verdade um espião francês, tal informação foi amplamente divulgada nos meios de comunicação argelinos. No entanto, uma das fontes de tal informação não é bastante confiável, o site bakchich.info

O que teria ocorrido por trás da libertação de Camatte?

Segundo Jeremy Keenan, uma de suas fontes teria revelado que o motivo da mudança repentina do Mali quanto à negociação, foi uma carta enviada ao general Mohamed Mediène, o chefe da DRS, na manhã de quarta-feira 17 de fevereiro, também com cópias enviadas para o ministro francês Kouchner, o presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, e o primeiro-ministro. Argelino Ahmed Ouyahia. Copias da carta teria sido enviada para a mídia de vários países, e estas deveriam ser publicadas caso Camatte fosse executado. A carta deixou claro que caso Camatte morresse, a mídia deveria publicar, para que todos soubessem das relações da DRS com a AQMI e da participação dos mesmos na morte de Camatte.

Seria Cammate verdadeiramente um espião a serviço da França na Argélia? Qual seria a participação da DRS (Agência de Inteligência Argelina) na prisão de Camatte? Teria a DRS descoberto os serviços de espionagem de Pierre e o entregado a Al-Qaeda? Ou estaria a DRS influenciando diretamente o Mali na negação de libertar prisioneiros nas negociações?

Infelizmente são perguntas com difíceis respostas, especulações e rumores que dificilmente serão comprovados ou negados, afinal tudo que envolve os serviços secretos sempre deixam esse ar de conspiração.

O fato que a ação francesa para libertar Pierre Camatte em comparação com a desastrosa ação para libertar Michel Germaneau deixa em dúvida o empenho francês e suas reais intenções.

E quanto a Agência de Inteligência Argelina (DRS), existe algum fato que comprove sua ligação com a Al Qaeda do Magreb (AQMI)?

Em 2006 a DRS apoiou uma rebelião Tuaregue.

Em 12 de agosto, um Tuaregue conhecido como "Merzouk 'ou' Marzoug" cujo nome próprio é Sidi Mohamed ag Chérif, foi executado pelos seus raptores, que acredita-se serem membros da AQMI, nas montanhas de Tigharghar - uma fortaleza AQMI, no norte do Mali.

A imprensa especulou dois principais motivos que teriam levado a morte de Merzouk. O primeiro seria vingança por sua participação em um ataque contra os salafistas do GSPC - Grupo Salafista pelo Chamado e Combate, grupo este de onde emergiu a Al-Qaeda do Magreb Islâmico. No ataque o braço direito de um dos comandantes da AQMI foi morto. A outra hipótese gira em torno das informações que Merzouk foi encontrado em posse de documentos em uma embaixada ocidental em Bamako, portanto, suspeita-se que ele tenha sido um espião.

O relato mais confiável é o dado pelo jornal local kidal.infowebsite. A partir dos testemunhos, fica evidente que Merzouk levou uma vida perigosa como um rebelde tuaregue, um guia para os serviços alfandegários do Mali (com patente de tenente) e como uma agente de inteligência do estado do Mali. Ele também tem uma longa história de colaboração com o FCO, com o GSPC e AQMI.

No entanto, uma coisa não mencionada é que Merzouk, de acordo com outra fonte local confiável, estava em comunicação regular com a embaixada dos EUA em Bakamo. Assim é possível que ele tenha sido visto pela AQMI, não apenas como um agente de segurança do estado do Mali, mas também como um espião dos “infiéis”.

Entretanto, ainda especula-se que a morte de Merzouk tenha sido encomendada pela DRS, pois ele teria descoberto a cooperação da DRS com a Al-Qaeda (AQMI), e estaria passando tais informações para os americanos. O que seria uma grande ameaça para o serviço secreto argelino. Não podemos esquecer o que foi dito por Lamana Ould Bou um agente duplo do serviço de inteligência do Mali, morto a tiros em Timbuktu no ano passado que declarou: “O coração da AQMI é o DRS”.

Michel Germaneau

Agora imaginem a situação de Germaneau.

Ele foi seqüestrado pela Al-Qaeda no Níger, transferido para uma fortaleza no Mali. Enquanto isso a França prepara-se para uma ação para libertá-lo, no entanto, não pode contar com a Nigéria, pois estes não aceitam intervenção estrangeira e ainda existe a suspeita do envolvimento da DRS com a AQMI. Por outro lado o Níger não tem condições de efetuar a ação. O Mali sofre com infiltração da AQMI e da DRS em suas forças de segurança sobrando para a França apenas à Mauritânia. Mas, a França realiza uma desastrada ação onde Germaneau é morto.

Tudo isso trás a suspeita sob as reais intenções como, por exemplo, se comparado com a negociação por Camatte. E a libertação recente dos dois reféns espanhóis reforça ainda mais as suspeitas.

O que realmente ocorreu por trás das negociações e da ação que terminou na execução de Michel Germaneau?

É algo que talvez nunca saberemos. É a eterna “mão secreta” que envolve os serviços secretos, terroristas e governos, e que deixam sempre um ar de conspiração por onde passam.

O artigo é baseado nos estudos de Jeremy Keenan professor na Escola de Estudos Orientais e Africano, da Universidade de Londres, e autor de The Dark Sahara: a guerra da América contra o terrorismo na África.

Jefferson Nóbrega Blog O Candango Conservador

Estudo alerta para nova onda de terrorismo no Reino Unido

LONDRES — Centenas de muçulmanos em prisões britânicas poderão desencadear uma nova onda de terrorismo interno, com ataques suicidas individuais difíceis de serem previstos, alertou nesta sexta-feira um prestigiado grupo de estudo, o Royal United Services Institute (RUSI).

"Cerca de 800 radicais potencialmente violentos poderão deixar o sistema penintenciário nos próximos anos depois de terem sido recrutados por 'jihadistas' nas prisões de alta segurança", afirma o relatório.

Estes indivíduos - fortemente motivados, mas pouco treinados - poderão ser usados de forma solitária num momento em que os terroristas abandonam seus ataques coordenados em grande escala, segundo o centro de estudos.

O documento acrescenta que a Grã-Bretanha é, de todos os países do Ocidente, o mais exposto ao terrorismo interno, e o que reúne mais condições para que sejam realizadas ações desse tipo a qualquer momento.

"As autoridades penitenciárias consideram que a radicalização acontece em grande velocidade", afirma o relatório, intitulado "Terrorismo: a nova onda".

"Talvez cerca de 800 radicais potencialmente violentos que não eram anteriormente culpados de terrorismo voltem à sociedade nos próximos 5 ou 10 anos", acrescenta.

As autoridades penitenciárias acreditam que um em cada 10 presos muçulmanos em prisões de alta segurança seguirá o caminho da radicalização.

Os métodos de ataque são motivados pela emergência de novos líderes da Al-Qaeda, como o clérigo Anwar Al Awlaki, que estão buscando maneiras de organizar ações mais difíceis de detectar pelos serviços de segurança, assinala o estudo.

Awlaki, nascido nos Estados Unidos e radicado no Iêmen, foi acusado de inspirar ataques realizados recentemente por indivíduos isolados, como o tiroteio mortal de novembro de 2009 numa base militar do Texas e a tentativa fracassada de sequestro de um avião que ia para Detroit no dia de Natal.

Os novos voluntários do terrorismo receberiam pouco treinamento e poucos recursos, o que aumentaria a dificuldade da polícia e dos serviços de inteligência de localizá-los e interceptá-los", estima o RUSI.

"Estão reunidas todas as condições para uma série de ataques, que pode começar a qualquer momento", conclui o informe.

Em 7 de julho de 2005, quatro atentados suicidas contra a rede de transporte pública de Londres deixaram 52 mortos, além dos terroristas. Desde então, outros projetos de atentados foram desbaratados no Reino Unido.

Fonte: AFP

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