terça-feira, 24 de agosto de 2010

Conflitos deixam 30 mortos nos últimos dias no Afeganistão

Cabul, 23 ago (EFE).- Quatro soldados da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) e 26 insurgentes talibãs morreram nos últimos dias em várias áreas do Afeganistão, disse nesta segunda-feira a organização militar.

Em comunicado, a Isaf - força da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - informou que dois soldados morreram hoje em um ataque realizado por um grupo insurgente no leste afegão, mas não detalhou nem as circunstâncias nem o lugar exato onde o fato ocorreu.

Segundo a Otan, outros dois militares morreram por explosões de bombas no norte e no sul do país.

A Isaf não informou a nacionalidade das vítimas, um direito reservado aos Governos correspondentes.

O Ministério da Defesa da Hungria confirmou hoje que um de seus soldados morreu e outros três ficaram feridos com gravidade em um ataque armado contra um comboio ontem à noite.

Na província de Baghlan, onde a Hungria dirige uma equipe de Reconstrução Provincial (PRT), 12 insurgentes morreram ontem durante uma operação das forças afegãs e da coalizão liderada pelos EUA, disse a Isaf.

Outros 12 insurgentes morreram em um ataque aéreo realizado há dois dias na província oriental de Nangarhar, que faz fronteira com o Paquistão.

Em outro bombardeio realizado ontem pela Otan, dois fundamentalistas morreram na província de Paktya.

Mais de dois mil militares estrangeiros morreram no Afeganistão desde a queda do regime talibã, em 2001.


Em uma entrevista à "BBC", o comandante-chefe das tropas estrangeiras no Afeganistão, o general americano David Petraeus, assegurou que os avanços dos talibãs estão sendo revertidos, principalmente no sul.

"Quando tomamos áreas importantes para o inimigo, eles respondem de alguma forma", justificou.

Fonte: EFE

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Terrorismo desafia políticas de imigração do Canadá

Há cerca de duas semanas, o navio MV Sun Sea singrou as águas territoriais canadenses. A embarcação, de bandeira Tailandesa, navegara desde o Sri Lanka e trazia uma "carga" de 492 refugiados políticos. Na sexta-feira 13 de agosto, os refugiados foram escoltados para a costa. O MV Sun Sea ancorou na base naval de Esquimalt, próximo de Vancouver, em British Columbia - B.C.. Em Esquimalt deu-se o desembarque e o início do processo de triagem dos refugiados, que cruzaram o Índico e o Pacífico, para recomeçar a vida na América, como tantos outros de nossos antepassados de outros tempos. E o Canadá mergulhava no debate sobre suas políticas de imigração e de asilo a refugiados políticos, submerso em controvérsias modernas.

Em outubro do ano passado, outro navio com 76 "refugiados" do Sri Lanka havia adentrado as águas de B.C., tal como o MV Sun Sea. Desembarcados, os imigrantes vieram para a comunidade Tâmil de Toronto. Mais tarde, os "refugiados" foram identificados como Tigres Tâmeis, grupo político com práticas terroristas banido do Canadá. Daí a perturbação que este novo navio trouxe à opinião pública, e a resultante polarização das discussões políticas canadenses. A intensidade dos debates aumentaria com os novos fatos apurados após o desembarque dos "recém-refugiados" de 13 de agosto.

Duas semanas após a ancoragem do MV Sun Sea, houve subsídios para confirmar a suspeita de tráfico humano: a viagem transoceânica teria custado entre 30 e 50 mil dólares por cabeça. Os que não puderam pagar adiantado, obrigaram-se a pagar suas dívidas em território canadense. Como? Não se sabe. Só se pode imaginar. A suspeita de dezenas, até uma centena ou duas centenas, de militantes do grupo extremista Tigres Tâmeis entre os "refugiados", fora corroborada por familiares de outros passageiros residentes no Canadá.

Os Tigres Tâmeis são representativos de uma minoria étnica do Sri Lanka e se utilizam de atos de terror na sua luta política. Eles possuem pequena base política em Toronto, mas a comunidade de imigrantes do Sri Lanka é importante e sofre de extorsão e ameaças dos militantes Tigres Tâmeis. As autoridades canadenses lutam para desmantelar e acabar com as atividades dos Tigres Tâmeis no Canadá. Deste modo, um reforço de supostos até 200 ativistas não é nada bem vindo.

A questão é pano de fundo para um debate mais sério e profundo: o Canadá deve ou não alterar suas Leis de abrigo aos refugiados políticos e perseguidos e ameaçados de morte em outros países? Há como separar o joio do trigo, sem alterar as Leis Humanitárias que os canadenses acreditam e veneram? Como o Canadá pode acolher perseguidos políticos e defender-se do abuso de traficantes de almas? E ainda pior: como o Canadá deve se proteger de minorias políticas, praticantes de atos terroristas, que se utilizam das Leis de Asilo do Canadá para arquitetarem, em solo canadense, seus ataques com mulheres-bomba - caso dos Tigres Tâmeis?

Sob a ótica das Leis de Imigração do Canadá, o desafio político não é menor. Se o MV Sun Sea trazia 2 ou 202 Tigres Tâmeis, trazia também de outro lado 490 ou 290 imigrantes "refugiados políticos" vindos do Sri Lanka. Se estes imigrantes eram ou não eram "refugiados políticos" há que se apurar. Caso não sejam "refugiados", são fura-filas do processo de imigração, do qual 250 mil pessoas são habilitadas anualmente pelo Canadá para imigrar para o país.

Assim, para além do tenebroso tráfico humano e do terrorismo execrável, há um terceiro elemento que se sobrepõe a tudo isto: o desrespeito absoluto, para não afirmar a quase desmoralização, dos ritos de imigração a que milhares de pessoas mundo afora se submetem para conseguir o visto de Residência Permanente no Canadá. A mensagem para os demais candidatos a imigrantes é clara: ao invés de esperar o processo de imigração, siga a antiga Lei de Gérson brasileira. Pegue um barquinho, reme para o Canadá e grite: "refugiado político - asilado"! Pronto, você passou na frente da fila de 2 a 3 anos de espera, e com garantia de aprovação, mesmo que não se enquadre em critério algum prescrito pelo Canadá.

A chegada do MV Sun Sea abriu intensos e flamejantes debates. A mídia - TVs, jornais e mídia eletrônica, e a opinião pública em geral, se defrontaram com temas graves e de segurança nacional: a necessidade intransponível de importação de gente pelo Canadá vs. os riscos advindos da política humanitária constitucional e das falhas nas políticas e leis de imigração do país. Como diria Nelson Rodrigues, o debate não passou do óbvio ululante. Os políticos e a intelligentsia canadenses preferiram ater-se ao curtíssimo prazo: como evitar futuras frotas de navios de traficantes de almas acostarem em nossas praias, com ou sem terroristas e/ou novos fura-filas?

A temperatura elevada fez o caldo ferver e entornar da panela de discussões plausíveis e racionais. Ideias "iluminadas" não faltaram: interceptação de navios em águas internacionais, para forçá-los a mudar de rumo (como? não ficou bem explicado) - o que seria equivalente a um ato de guerra ao país da bandeira do navio. Ou ainda: devolução dos refugiados para o alto-mar, mesmo que isto significasse matar a todos de fome e de sede, pois os passageiros chegam depauperados, depois de um a dois meses de viagem transoceânica.

No campo mais racional, mas ainda em fogo alto, o Ministro Canadense da Segurança Pública Vic Towes lembrou que a Austrália devolveu o MV Sun Sea, pois as leis australianas assim o permitiam. Towes bradou por alterações nos processos de triagem de imigrantes, que tardavam até oito anos para defenestrar os penetras, quando então já era tarde demais. Culpada: a Suprema Corte do Canadá, que havia tornado Lei, um procedimento longo e tortuoso, que de fato faz impossível expelir de pronto qualquer "asilado". E para tanto basta que o cidadão grite "refugiado!" nos mares, ares ou terras canadenses - já entrou no Canadá e c´est fini!

Os mais contidos, mas não menos míopes, propuseram a criação de uma ou mais Ellis Island do Canadá, nos moldes da que ostenta a Estátua da Liberdade em Nova Iorque. Estes locais de triagem manteriam os "fura-filas" e/ou "refugiados" em "quarentena", sem tempo pré-determinado para liberação, podendo ser de no mínimo dois anos até à extradição eventual. Eu as batizo de "guantânamos canadenses". Haveria assim uma maneira efetiva de impor controle aos potenciais terroristas e traficantes de almas, de um lado; e a criação de um desincentivo para os "fura-filas", que ficariam "quarentenados" por dois, três, cinco ou dez anos até.

O tema é complexo e controverso. E assim sendo, requer reflexão e debate. Requer a discussão entre ideias contrárias e a acomodação de múltiplas visões da realidade difusa. Não há soluções mágicas, nem fórmulas prontas. O Canadá, país humanitário e progressista, está colocado contra a parede por forças destrutivas, advindas da tal globalização, um fato. O Canadá é vítima de suas próprias virtudes superiores.

E todos nós somos vítimas dos processos históricos e socioeconômicos do capitalismo vencedor do fim da história do século XX. O Século XXI começou tristemente. Vemos brilhar os fantasmas das Torres Gêmeas quando olhamos o skyline de Nova Iorque. Os fantasmas nos lembram que o ano Um ou o Primeiro Ano deste Terceiro Milênio foi sísmico e cataclísmico. Os terríveis acontecimentos de 11/09/2001 foram uma metáfora e o prenúncio dos desafios humanos no século XXI e das gerações a nos seguirem.

Nestes momentos de profunda escuridão, advindos de mudanças que não compreendemos por completo, devemos fechar os olhos calmamente, para enxergarmos com clareza o caminho de volta para a luz, ao abri-los ainda no escuro. Ver no escuro requer que nos acostumemos com a falta de luz, para não nos iludirmos com nossas próprias sombras. Os refletores imensos, repentinamente acesos por forças maniqueístas, a iluminar soluções fáceis e simplórias, simplificadoras de realidades complexas, estão a serviço de minorias raivosas, partidárias e intere$$eiras.

A lucidez durante a escuridão é não ter razão. Tudo menos ter razão, como ensinou um de nossos poetas maiores, Fernando Pessoa. Vamos sentir os problemas complexos e os desafios controversos, para encontrar o humano em nós, na busca da solução dos problemas humanos.

O Canadá civilizado e multicultural, com suas Leis Humanitárias e de Imigração aos demais povos do mundo, merece mais do que histeria e medos de fim de mundo. O Canadá não possui Barack Obama, mas Stephen Harper e seu Gabinete Conservador não é W. Bush e seus Falcões da Guerra do Iraque.


God Save The Queen! Salve o Canadá civilizado, humanitário e democrático.

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Portugal pode ter células de informações militares no Líbano

O ministro da Defesa admitiu, esta segunda-feira, que Portugal poderá vir a ter células de informações militares no Líbano à semelhança do que irá acontecer no Afeganistão, de forma a ajudar no combate ao terrorismo.

Em entrevista ao jornal i, Augusto Santos Silva avançou que a estrutura militar portuguesa no Afeganistão vai sofrer alterações no Outono, de forma a incluir já a primeira célula de informações.

«Responder às ameaças do terrorismo de matriz fundamentalista islamita deve levar-nos a olhar com muita atenção, em particular do ponto de vista português, para a África do Norte, Magrebe e Sahel. Têm sido evidentes os sinais de que o terrorismo ligado à al-Qaeda procura estabelecer-se na região do Sahel», acrescentou o ministro

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Itália extradita marroquinos acusados de terrorismo

Roma, 22 ago (EFE).- O ministro do Interior da Itália, Roberto Maroni, determinou a expulsão da Itália de dois cidadãos marroquinos residentes no país "por motivos de segurança do Estado e de prevenção ao terrorismo".

Segundo informou neste domingo o Ministério do Interior, uma série de pesquisas revelaram um "perfil de periculosidade dos dois estrangeiros pelo desenvolvimento de suposto trabalhos de proselitismo de caráter jihadista".

A repatriação dos dois marroquinos foi feita na noite de sábado para domingo, quando os dois tomaram um voo do aeroporto milanês de Malpensa até Casablanca, no Marrocos.

O departamento do Interior não divulgou o nome dos dois estrangeiros.

Fonte: EPA

Serviços secretos russos liquidam organizador de atentados terroristas no metropolitano de Moscou

Moscovo, 21 ago (Lusa) -- Agentes do Serviço Federal de Segurança russo (FSB, ex-KGB) liquidaram o comandante dos guerrilheiros do Daguestão, Magomedali Vagabov, organizador dos atos terroristas no metropolitano de Moscovo em março passado, informa a agência Ria-Novosti citando fontes policiais.

"Graças a uma complexa operação realizada na vila de Gunib, foi liquidado o chefe do bando clandestino do Daguestão, Magomedali Vagabov. A operação foi realizada por agentes das tropas especiais do FSB", revelou a fonte.

Segundo a mesma fonte, trata-se de um sério êxito no combate contra a guerrilha separatista islâmica, porque "a caça a Vagabov demorou muito tempo, [Vagabov] conseguiu escapar às perseguições durante dois anos".

Fonte: EPA

Mensagem de texto para os terroristas

Quando os Emirados Árabes Unidos anunciaram na semana passada que suspenderão o serviço BlackBerry dentro de suas fronteiras, a começar deste final de ano, pessoas que viajam a negócios e dependem de aparelhos móveis reagiram com compreensível consternação.

Mas a decisão foi aplaudida por aqueles que ganham seu sustento caçando terroristas, contrabandistas, traficantes de pessoas, agentes estrangeiros e o bando ocasional de assassinos desastrados. Entre os investigadores de polícia e os agentes dos serviços secretos, a decisão dos Emirados foi recebida com aprovação, admiração e até mesmo com um toque de inveja.

Por que? Porque assim como os profissionais dependem de aparelhos celulares para exercer suas funções, policiais e agentes do serviço secreto dependem de vigilância eletrônica para exercer o seu.

Os Emirados Árabes Unidos tomaram a decisão principalmente porque a Research in Motion, a companhia canadense que fornece os serviços do BlackBerry, recusou-se a modificar sua arquitetura de informações de forma a permitir que as autoridades interceptassem as comunicações de determinados assinantes.

O monitoramento das comunicações eletrônicas em tempo real e a recuperação de dados eletrônicos armazenados são as técnicas de contraterrorismo mais importantes hoje disponíveis aos governos. A vigilância eletrônica é particularmente vital no combate ao terrorismo global, em que o que está em jogo é da maior importância, mas ela faz parte de praticamente todas as investigações de graves ameaças transnacionais.

Os métodos usados pelos governos para realizar uma vigilância eletrônica são muito peculiares, costumam ser controlados por um emaranhado impressionante de leis e de capacidades tecnológicas que variam de um país ao outro, de uma agência a outra, de uma provedora de serviços a outra, de um aplicativo a outro.

A interceptação de um chamado por telefone fixo, por exemplo, é totalmente diferente da interceptação de um chamado de voz pela internet, e a recuperação de um e-mail é diferente da recuperação de uma mensagem de texto. Por razões óbvias, os governos (e ex-funcionários do governo) não explicam abertamente as diferenças de um método de comunicação para outro usado na vigilância eletrônica.

Os Emirados Árabes Unidos não são os únicos a pretender ter acesso aos serviços de telecomunicações usados dentro de suas fronteiras a fim de que as autoridades possam espionar os usuários.

Nos Estados Unidos, as provedoras de telecomunicações em geral devem fornecer um mecanismo que favoreça este acesso de acordo com a Communication Assistance for Law Enforcement Act de 1994 e as respectivas regulamentações emitidas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC). Como princípio geral, as provedoras dos serviços de informação dos EUA devem fornecer um meio às agências federais, comumente o FBI, para visualizar dados particulares dos assinantes, sempre que tiverem ordem de fazê-lo dentro da lei.

Entretanto, a FCC não é uma agência nacional de segurança: é uma comissão bipartidária, independente, cujos agentes e gestores trabalham por mandatos fixos. A comissão interpreta uma variedade de estatutos e avalia interesses diferentes, incluindo o sucesso econômico das provedoras de telecomunicações e a conveniência dos consumidores, e suas determinações estão sujeitas à contestação judicial nos tribunais.

Consequentemente, há inúmeros métodos usados em telecomunicações nos quais as agências federais não podem penetrar facilmente.

Considerando o modo de operar da FCC, a perspectiva de ela adotar uma ação decisiva, rápida, para que estes serviços sejam acessíveis ao governo é quase inconcebível. Daí a inveja de alguns funcionários da inteligência americana a respeito da decisão dos Emirados Árabes.

A Research in Motion está aprendendo uma lição que outras companhias aprenderam anteriormente. Como vimos em 2000 com a fracassada tentativa da Yahoo! de criar um site de leilões de relíquias nazistas na França, e com as reiteradas tentativas da Google, nos últimos anos, de conseguir que seus resultados de busca fossem isentos de censura na China, nenhuma provedora de serviços de informação escapa do poder do Estado. O que está em jogo é demasiadamente importante para que os governos cedam a interesses privados.

As companhias às vezes podem fugir da ingerência do governo durante algum tempo. Em muitos casos, os governos não conseguem acompanhar o ritmo das inovações no campo das telecomunicações; em outros, a ingerência do governo nas comunicações privadas ofende a sensibilidade liberal.

Mas no fim, são os governos, e não as empresas do setor privado, que controlam as comunicações e a internet. Os Emirados Árabes Unidos agiram de maneira justificada e apropriada: os governos não deveriam ser tímidos no uso dos seus plenos poderes para que a polícia e os serviços de inteligência garantam a segurança dos seus cidadãos. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA


É UM DOS DIRETORES DO CHERTOFF GROUP, AGÊNCIA DE CONSULTORIA SOBRE GESTÃO DE RISCO, FOI VICE-ASSESSOR DE SEGURANÇA INTERNA DO PRESIDENTE GEORGE W. BUSH

Fonte: Estadão



Drogas: PCC e ‘Al Qaeda’ travam guerra na Paraíba

Mais de 40 operações das polícias realizadas na Paraíba nos últimos sete anos comprovam que facções do crime organizado, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), criadas por presos de outros Estados, continuam agindo, recrutando pessoal e se estruturando no Estado com a ajuda de policiais. E mais do que isso: novos grupos estão surgindo, principalmente na periferia de bairros da Grande João Pessoa e Campina Grande e travando entre eles uma verdadeira “guerra” pelo poder, domínio de crimes e pela disputa da rede de tráfico de drogas, que movimenta fortunas.


A rede de tráfico de drogas teria movimentado na Paraíba pelo menos R$ 389 milhões, em quase quatro anos e meio (de 2005 a abril de 2009). A estimativa de lucro foi feita com base em estatísticas de apreensões da Polícia Federal no Estado e projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), que estima que, em todo o mundo, o aparelho policial só consegue apreender em torno de 10% da droga que entra e circula nos Estados.


A Operação Quark, realizada em maio deste ano – que desarticulou uma rede de traficantes de drogas com atuação na Paraíba, em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rondônia – detectou que a facção paulista PCC está se fortalecendo e se estruturando em toda Paraíba.


“O PCC já foi fraco aqui, mas agora está havendo uma estruturação para todo o Estado. Além disso, está brigando pela liderança do tráfico e de outros crimes com outro grupo, que se diz seguidor da facção Al Qaeda”, afirmou o delegado Állan Murilo Barbosa Terruél, que comandou a operação. Somente essa rede movimentava mais de R$ 1,5 milhão por mês e era articulada por presidiários através de ligações de celular, com chip empresarial.


Para o delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil (GOE), Wallber Virgolino, que investiga a atuação do PCC no Estado, daqui a cinco anos, essa facção poderá estar sem controle, caso não haja um combate integrado com todas as polícias. “Se as polícias e os poderes constituídos não se unirem para desenvolver um trabalho com seriedade e um combate efetivo ao crime organizado e as facções que estão se estruturando e ganhando força na Paraíba, daqui a cinco anos, vai ocorrer aqui o que já está acontecendo em outros Estados do Nordeste como Alagoas, onde foi descoberto, no início deste mês, um plano do PCC para matar juízes, promotores e o filho de um desembargador”, prevê Virgolino.



Mas que Al Qaeda é essa?

 


“Os policiais não estão preparados para combater o crime organizado e alguns estão envolvidos com ele. As principais políticas de combate ao tráfico estão falidas porque atacam apenas a droga e, às vezes, o patrimônio dos traficantes, mas não combatem toda a rede, que é forte e movimenta muito dinheiro”, acrescentou Terruél.


As organizações criminosas enraizadas em penitenciárias das regiões Sul e Sudeste do país chegaram aos presídios da Paraíba. No Estado, detentos radicados em presídios de João Pessoa criaram um grupo intitulado ‘Al Qaeda’, uma espécie de filial seguidora do Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo, que já teria mais de 100 membros no Estado.

A confirmação da existência das ligações, de acordo com o secretário de Cidadania e Administração Penitenciária da Paraíba (Secap), Carlos Mangueira, foi feita através de investigações realizadas pelas polícias Federal e Civil em parceria com a Secap.

Além do PCC, presos paraibanos possuiriam fortes ligações com integrantes do Comando Vermelho do Rio de Janeiro, uma facção criminosa que comanda boa parte das favelas e presídios cariocas. “Não há dúvida da presença na Paraíba de grupos criminosos como o PCC e o Comando Vermelho, assim como em presídios de outros Estados do país. Na Paraíba há uma variação vinculada ao PCC que se chama ‘Al Qaeda’, que é um grupo local radicado em João Pessoa dentro de alguns presídios e também fora, nas ruas”, revelou ontem Carlos Mangueira, durante a apresentação dos resultados de uma operação ‘pente fino’ no presídio do Serrotão, em Campina Grande.

De acordo com ele, todos os presos que foram identificados como tendo ligações com os grupos são isolados em pavilhões separados ou até mesmo transferidos, como aconteceu no mês de março deste ano, quando oito detentos paraibanos foram transferidos a pedido da Polícia Federal para a Penitenciária de Segurança Máxima em Porto Velho/RO. O principal abrigo do ‘PCC paraibano’, conforme o secretário, atualmente seria o presídio Desembargador Flósculo da Nóbrega, o ‘Róger’.

“O Róger é um presídio com mais de mil presos. Dizem que há mais de 100 elementos ligados a esse grupo. E certamente há em outros presídios também, e muitas vezes tem um comando único, transmitido de uma prisão para outra. Havia rumores há muitos anos, porque grande parte dos crimes identificados pelas polícias tem origem de dentro dos presídios. As investigações são feitas pelas polícias e temos de combater, porque temos de ter ações do Estado para impedir que eles tomem conta dos presídios. No Serrotão até agora não identificamos, mas como agora nós tomamos na prática de conta do presídio, o Estado está impondo sua ordem e buscaremos identificar a hipótese da existência de grupos aqui também”, asseverou Carlos Mangueira.

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