domingo, 6 de março de 2011

Brasil só apoiará intervenção internacional na Líbia com aval da ONU

Em viagem à Índia e ao Sri Lanka, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ratificou neste domingo (6) que o Brasil só apoiará uma intervenção internacional na Líbia se houver o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O porta-voz do Itamaraty, Tovar Nunes, que acompanha Patriota, disse ainda que o assessor de Segurança Nacional da Índia, Shivshankar Menon, afirmou que os indianos também têm a mesma posição brasileira.

Parte da comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, pela Inglaterra e França, defende a intervenção ou exclusão aérea – que determina que o espaço aéreo líbio fique sob supervisão de militares estrangeiros – para pressionar a renúncia do presidente da Líbia, Muammar Khadafi. No entanto, Brasil e Índia só chancelam a proposta em meio à decisão do Conselho de Segurança Nacional..


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sexta-feira, 4 de março de 2011

Etiópia: Cinco Igrejas Protestantes incendiadas sob os gritos de Allahu Akbar

Segundo à agência de notícias AINA, milhares de muçulmanos incendiaram cinco IgrejasPprotestantes em Asendabo, na Etiópia. Os líderes cristãos do país estão pedindo ajuda ao goveno, pois os muçulmanos continuam os ataques, mesmo depois das Forças de Seguranças terem sido enviadas à cidade.
 
Os muçulmanos iniciaram os ataques ontem, depois que acusaram falsamente os cristãos de profanarem o Alcorão. Mais de dez mil muçulmanos gritam Allahu Akbar (Alá é grande) enquanto queimaram igrejas. O governo mandou à Polícia Federal para reprimir os ataques, após os muçulmanos queimarem as três primeiras igrejas, no entanto, eles ainda incendiaram mais duas.

Falando ao ICC, os líderes cristãos expressaram seu temor de que os muçulmanos começem a matarem os cristãos, caso o governo não envie mais forças de segurança para conter os invasores.

A Etiópia é um país de maioria cristã. No entanto, nas áreas onde os muçulmanos são maioria, os cristãos enfrentam constantes ataques.

 A maioria Cristã do país divide-se em Ortodoxos da Igreja Ortodoxa Etíope que é monofista, protestantes e Católicos Apostólicos Romanos.

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Imagens da Semana

Cristãos Paquistaneses protestam pela morte de Shahbaz Bhatti
Cristãos exibem a cruz e um cartaz com a foto do Ministro Shahbaz Bhatti

Cristãos exigem prisão de responsáveis pela morte do ministro Católico Shahbaz Bhatti

Funeral de Shahbaz Bhatti na Igreja de Nossa Senhora de Fátima em Islamambad
Fonte das fotos: Pakistan Christian Post

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Ventos perigosos para Israel e o mundo

"Whatever happens in Egypt, the Islamist forces are on the march in the rest of the region. And contrary to what some in the West seem to think, they definitely do not view events in Egypt as a setback for them".

Barry Rubin, Rubin Reports

Aproximam-se dias perigosos para o Estado de Israel - e o Ocidente em geral. A queda de Hosni Mubarak no Egito, apesar das garantias dadas pelo Comando das Forças Armadas de que seu regime estará mais próximo de Ankara do que de Terrã, ameaçam uma aliança que vinha se mantendo sólida desde a paz acertada entre Anwar El-Sadat e Menachem Begin. A queda do poder laico sobre a Turquia cedendo cada vez mais espaço para os fundamentalistas islâmicos que nunca aceitaram as reformas de Mustafá Kemal "Atatürk" foi o primeiro golpe e as constantes provocações de "frotas de solidariedade" visam criar constrangimentos com Israel. E ameaçam com a aproximação com Teerã.

Muammar Khadafi sugeriu aos refugiados palestinos que vivem da Jordânia, Líbano, Síria e Egito que marchem "pacificamente" para as fronteiras dos territórios palestinos "ocupados", aproveitando a onda de revoltas populares árabes. Instou os países árabes que mantém relações com Israel, Egito e Jordânia, a romperem seus vínculos e os acusou de covardes. Apelou também a todos os países muçulmanos, não somente árabes, a somar forças contra o Ocidente e todos os inimigos do Islã.

Khadafi já sentiu o risco de revolta em suas fronteiras e consoante sua inigualável paranóia já acusa o Mossad de, junto com a rede Al Jazeera, estarem promovendo as rebeliões na Tunísia e Egito. Há uma manifestação "dia da Ira" contra Khadafi marcada para o próximo dia 17. Segundo o jornal Asharq al Awsat, publicado em Londres com financiamento saudita, a Conferência Nacional da Oposição Líbia estaria organizando esta manifestação maciça.

Na Argélia os provedores de internet foram fechados e as contas do Facebook encerradas, balas de plástico e gás lacrimogêneo foram usados contra 30 mil manifestantes que exigem a saída de Abdelaziz Bouteflika, jornalistas foram atacados e presos por forças policiais.

E tudo isto é noticiado pela imprensa "chapa-branca" como a busca da liberdade e da democracia. Numa súbita e sutil virada, simultânea em toda grande mídia mundial, Mubarak deixou de ser chamado presidente para ser apupado como ditador. A maioria dos "analistas", alguns que não posso deixar de chamar de idiotas úteis, outros mal intencionados mesmo, mostram a Fraternidade Muçulmana - Hizb al-Ikhwan al-Muslimun - ora como um movimento fraco e sem importância, ora como uma organização com legítimos anseios democráticos. Ora, seu lema é: "Alá é nosso objetivo. O Profeta é o nosso Líder. O Corão é nossa Lei, Jihad é o nosso caminho. Morrer por Alá é nossa maior esperança". Eles interpretam o sucesso da revolução popular no Egito como o início de uma mudança radical no mundo árabe e uma tapa da cara dos EUA e de seu aliado Israel. Uma enquete realizada em seu site oficial em inglês IkahnWeb mostra que 71,8% dos que responderam acreditam que estas revoltas terão um efeito dominó em todo o mundo muçulmano. 

Para quem conhece história é fácil perceber que o itinerário das revoltas reproduz o expansionismo islâmico dos século V e VI: espraiando-se por todo o Norte da África até a invasão e conquista de parte da Espanha e o avanço inexorável Europa a dentro. No presente a Fraternidade já está mais solidamente instalada na Europa do que no Oriente Médio, como nos informa Lorenzo Vidino no Middle East Quartely.

O fator Israel, tanto por si mesmo, por ser a pátria judia reconquistada, como por ser ponta de lança dos valores morais ocidentais de liberdade, justiça igual para todos, democracia só serve para exacerbar o ódio da Ummah. Tempos muito difíceis se aproximam nos quais Israel terá sua soberania atacada com ainda mais vigor do que sempre. Os EUA estão sob uma administração traidora que a exemplo de Carter com o Xá e Somoza, entregou de bom grato seu aliado Mubarak a seu destino trágico. Fará o mesmo com Israel?

Publicado no Jornal Visão Judaica, Curitiba, PR


Leia também: 
  1. Ignorância, mentiras e idiotices em relação aos distúrbios do Oriente Médio
  2. Porque o levante árabe não me traz nenhuma euforia
  3. O Dilema Judeu 
  4. Clérigo Anjem Choudary : “Democracia e liberdade são anátema para o Islã e a sharia”
  5. Ainda sobre a revolução árabe

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quinta-feira, 3 de março de 2011

Muçulmanos querem burca na Estátua da Liberdade antes de transformá-la em um minarete

Um dos princípios fundamentais da constituição islâmica é assegurar que toda à soberania e supremacia pertence unicamente a Deus, a Sharia é uma manifestação prática dessa soberania e supremacia, pois pretende estabelecer seu comando na sociedade.

Dessa forma, a nação não depende de sua força ou evolução tecnológica, mas de sua obediência a Alah. Quando uma nação não segue esses princípios, então seu destino será a destruição. (4Sharia America)

A estátua da liberdade foi desenhada por Frédéric Auguste Bartholdi e foi um presente dado por Napoleão III, como prêmio aos Estados Unidos após uma batalha vencida contra a Inglaterra. Cheio de entusiasmo, Bartholdi levou avante seus planos para uma imponente estátua. Tornou-se patente que ele incorporara símbolos da Maçonaria em seu projeto - a tocha, o livro em sua mão esquerda, e o diadema de sete espigões em torno da cabeça, como também a tão evidente inspiração ligada à deusa Sophia, que compõem o monumento como um todo. Isto, talvez, não era uma grande surpresa, visto ele ser maçom. Segundo os iluministas, por meio desta foi dado "sabedoria" nos ideais da Revolução Francesa. O presente monumental foi, portanto, uma lembrança do apoio intelectual dado pelos americanos aos franceses em sua revolução, em 1789.

No Islã as imagens são estritamente proibidas, o que levou os muçulmanos a elaborarem um plano contra o símbolo americano. Devido à dimenção da obra os muçulmanos propõe de início cobrir a "horrenda imagem" com uma gigantesca burca, para porsteriomente tranformar o local em um grande mirante, "para a glorificação de Alah, como um símbolo da supremacia do Islã sobre toda criatura".

A proposta foi apresentada pelo site islâmico 4Sharia America. Vejam as imagens do projeto:

A estátua coberta por uma grande burca

Projeto para tranformar o monumento em um gigantes minarete

É por este e outros motivos que o psicólogo dinamarquês diz que a integração dos muçulmanos na sociedade ociental é impossível.

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Ainda sobre a revolução árabe

Por Jefferson Nóbrega

Cá estou novamente. Insistindo em falar do levante árabe, em olhar para isso com olhar incrédulo. Logo eu, que sempre fui acusado pelos ateístas e comunista de ter uma fé cega, agora experimento à descrença.

Insisto no direito de não acreditar na explosão de democracia, e espero ab imo corde que seja equívoco de minha parte, que seja fruto de minha desconfiança. Mas infelizmente acredito que estou certo.

O perfume da “revolução do jasmim” começa ser levado pelos ventos em direção ao deserto, e o odor da putrefação que escondia-se ,começa agora à aparecer.

Confesso minha possível paranóia de observar minuciosamente os detalhes que a grande mídia deixa escapar. Confesso que quando se trata da relação de democracia e islamismo sou tomado por uma visão céptica. Islamofóbico? Não, apenas análise dos fatos que a maioria insiste em ignorar. Se isso for islamofobia, então confesso-me.

Observando os hieróglifos grafados pelos revolucionários egípcios nos pilares da nova pirâmide da democracia, que segundo a mídia, agora é erguida no país. Alguns detalhes insistem em martelar em minha mente.

Ainda quando, os libertadores marchavam contra o agora mumificado faraó Mubarak, esses guerreiros da liberdade perpetraram um massacre contra os Cristãos Coptas. Mas, o episódio foi abafado pelos gritos humanitários contra o impiedoso governo, e o sangue copta escorreu dessa vez sem os holofotes internacionais. Mas, novamente os libertários egípcios mostraram sua face, atacaram e estupraram a jornalista Lara Logan. A mídia tratou de amenizar o caso classificando apenas como violência sexual, e ignorou um importante detalhe, enquanto acometiam contra à jornalista, o grupo gritava: Judia!Judia!

A poeira levantada no Egito começou a baixar. E as esfinges islâmicas escondidas no ardor da revolução começaram a surgir. Nenhum grupo ou instituição saiu fortalecido do levante como a Irmandade Muçulmana. O grupo que sempre foi visto com olhares suspeitos pelo ocidente, já que deu ao mundo à atual mentalidade jihadista, que resultou no mundo terrorista que conhecemos, entre um gritou de ordem e outro, deixou os protestos como força política e islamitas moderados. O mundo ocidental passou a olhar a Irmandade com outros olhos.

Mas, essa visão sobre os “Irmãos muçulmanos” é facilmente derrubada com uma simples leitura de seus estatutos, onde está especificado o real objetivo da Irmandade Muçulmana: Islamizar o mundo para que seja regido pela Sharia!

Qualquer um poderia acessar o site em inglês do grupo e ler as diretrizes que demonstra que de moderada a Irmandade nada tem. Mas, pasmem! Misteriosamente os estatutos desapareceram do site! Mas, porquê?

Será mera coincidência? Ou será que é porque os estatutos poderiam destruir a bonitinha imagem que eles agora conquistaram?

Está bem, eu tenho mania de conspiração, já que alguns dizem que os estatutos podem ter desaparecidos apenas por questão de manutenção. Mas, em árabe eles ainda ostentam o regimento? Quem conhece a Irmandade Muçulmana sabe que é pratica comum as declarações moderadas em inglês e o grito jihadista em árabe.

Não obstante , o “perfume do jasmim” mal desapareceu por completo na Tunísia, e o Ennahda já anunciou que pretende fazer parte do governo. O Ennahda é um partido islâmico que diz ter visão moderada e que era considerado pelo governo como terrorista.

Mas, os detalhes mais dignos de observação partem da Líbia. O país que se encontra em uma verdadeira guerra civil, nos apresenta algumas questões dignas de análise.

Já havia falado sobre à combinação explosiva de rebeldes, fuzis Kalashnikov, e a inscrição “nenhum Deus senão Alá”.

Perguntei preocupado se era paranóia minha, coisa da “mente preconceituosa” que possuo. Mas, dê tempo ao tempo e ele trata de esclarecer as coisas. E para mim estão cada vez mais claras.

Os rebeldes da Líbia que antes se intitulavam “revolucionários” agora já se auto-intitulam de mujahedin[1]. Antes gritavam palavras de ordem contra o regime do facínora Kadafi, agora partem para a guerra com seus fuzis, sob louvores de Allahu Akbar[2].

Não sou a favor do execrável Kadafi, mas também não tenho a má fé de esquecer que a região onde começou a luta armada contra o regime ditador perdulário, é a mesma que nos anos noventa foi palco de uma insurgência islâmica, e também não posso olvidar o fato de que o grupo Combatente Islamita na Líbia em 2007, uniu-se a organização terrorista Al-Qaeda.

"Hoje, com a graça de Alá, a nação muçulmana presencia um passo bendito... honoráveis membros do Grupo Combatente Islamita na Líbia anunciaram que se unem ao grupo Al-Qaeda para continuar a marcha de seus irmãos." "Ó nação da Jihad, apóia a teus filhos para que derrotemos nossos inimigos e livremos nossa terra de seus escravos". (Ayman al-Zawahr N° 2 da Al-Qaeda em declaração no ano de 2007)[3].

Enquanto isso, a minha “mente islamofobica” continua observando atentamente os passos dos barbudos, de traços árabes, que usam roupas típicas muçulmanas e recitam versículos do Corão. Não que isso seja característica de um terrorista, é apenas uma mera e inquietante coincidência que todos possuam as mesmas particularidades.


[1] http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,forcas-de-kadafi-reagem-e-enfrentam-exercito-rebelde-em-cidade-petrolifera,686598,0.htm
[2] http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,recusa-de-pilotos-de-atacar-rebeldes-marca-derrota-de-forcas-pro-kadafi,686824,0.htm
[3] http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,numero-2-da-al-qaeda-acusa-presidente-libio-de-inimigo-do-isla,74865,0.htm

Jefferson Nóbrega Blog O Candango Conservador

O brasileiro que Kadafi trocou por um arsenal

Roberto Simon - O Estado de S.Paulo

Uma sensação de déjà vu bateu em Adauto Pereira, geólogo de 55 anos veterano da Petrobrás, enquanto ele acompanhava na semana passada a epopeia dos brasileiros que tentavam deixar a Líbia. Nos anos 80, ele próprio foi um "quase refém" de Muamar Kadafi, durante o episódio mais obscuro da relação Brasil-Líbia. Os tempos eram outros: o hoje cambaleante ditador de botox armava terroristas e conspirava contra o Ocidente, no auge de sua fase "cachorro louco do Oriente Médio", como o descreveu à época o então presidente americano, Ronald Reagan.

Adauto vivia em Trípoli em 17 de abril de 1983, dia em que quatro aviões líbios da companhia Jamahiriya pousaram no Brasil. Oficialmente, as aeronaves levavam "suprimentos médicos" para vítimas de um terremoto na Colômbia. Mas, quando a Aeronáutica abriu a carga para vistoria, descobriu fuzis, mísseis e até um caça desmontado. O destino das armas era a Nicarágua comandada pela guerrilha sandinista, aliada a Cuba.

Os aviões de Kadafi (três Ilyushins de fabricação soviética retidos em Manaus e um Hércules C-130 americano, com avaria na turbina, no Recife) colocaram o governo de João Batista Figueiredo em uma sinuca de bico. De um lado, Reagan, que tentava frear a todo custo guerrilhas de esquerda na América Central, passou a pressionar o Brasil pela apreensão de todo o material. De outro, a Líbia, cliente da indústria bélica brasileira desde os anos 70, ameaçava rasgar um contrato de venda de cem aviões tucanos - cada um a US$ 15 milhões. E o Adauto lá em Tripoli.

"Estávamos isolados do mundo. Quando o Kadafi esquecia de pagar a conta do satélite, ficávamos incomunicáveis", relembra ele. Para saber da vida fora da Líbia, as 15 famílias de brasileiros usavam rádios de ondas curtas. Notícias sobre futebol, vinham da Rádio Globo. Sobre política, da BBC. Mas Adauto preferia usar seu Sony preto, um tijolão de 40 centímetros de largura assentado sobre a mesa da sala, para escutar Pink Floyd.

Num fim de tarde qualquer, o geólogo ouviu a história estranha sobre armas da Líbia apreendidas no Brasil, quando buscava sua filha de 5 meses na casa de uma outra família de brasileiros. Mau pressentimento. No dia seguinte, no escritório da Braspetro - subsidiária da Petrobrás que perfurou seis poços na Líbia nos anos 80 -, Adauto foi convocado para uma reunião à noite na casa do gerente-geral da empresa em Trípoli. No encontro, foi relatada a história completa e dada a ordem para que se agisse normalmente, sem falar sobre o assunto com ninguém.

Quando o escândalo veio à tona, Kadafi fez dois discursos importantes. No primeiro, censurado na Líbia, culpou os pilotos líbios por terem "mentido às autoridades amigas brasileiras". No segundo, fez saber que aplicaria ao caso seu ameaçador princípio de reciprocidade: o que fizessem com líbios no Brasil seria feito com brasileiros na Líbia.

"Fui imediatamente para o aeroporto e despachei minha mulher e minha filha no primeiro voo", relembra o geólogo. "Sozinho, eu poderia fugir pelo deserto se acontecesse alguma coisa."

Os brasileiros - como todos os estrangeiros no país - sabiam que eram espionados o tempo todo pela inteligência líbia. Quando se tirava o telefone do gancho, dava para ouvir do outro lado a máquina que gravava as conversas. A solução, então, era falar sobre o assunto em códigos. "Zé das Couves" era um dos vários codinomes de Kadafi.

Bastidor. No Brasil, o governo Figueiredo matutava uma saída que não abalasse as relações com Washington, nem os negócios com Kadafi, nem a posição neutra do Itamaraty diante dos conflitos da América Central. Daniel Ortega, presidente da Nicarágua na época (e hoje também) falou diretamente com o general-presidente para convencê-lo a liberar a "doação" de Kadafi. O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara, Ayrton Soares, criticou Figueiredo, "velho aliado de Reagan". Setores militares alardeavam informalmente a repórteres o rastilho da "cubanização" da América Central até o Suriname, na fronteira com Brasil.

"Mas se Kadafi realmente fosse nos tratar como os líbios estavam sendo tratados no Brasil, estaríamos feitos", brinca hoje Adauto. Os 38 tripulantes que estavam em Manaus foram colocados no luxuoso Hotel Tropical. Os que estavam no Recife viraram hóspedes do Hotel Boa Viagem - o capitão na suíte presidencial -, com direitos a duvidosas escapadas noturnas "regadas a álcool, algo estritamente proibido no rigoroso código do Islã", conforme reparou o repórter do Estado que cobria o caso.

Com as negociações entre Figueiredo e Kadafi em curso, a pressão sobre os brasileiros na Líbia arrefeceu e Adauto afastou os planos mirabolantes de fuga pelo deserto. Cinquenta dias após o início da crise, a diplomacia brasileira acertou com a Líbia que não confiscaria o armamento, mas os aviões teriam de retornar diretamente para Trípoli. As aeronaves fariam o trajeto "em fila": só quando a primeira pousasse na Líbia, a segunda decolaria do Brasil e assim sucessivamente, garantindo que nenhuma se desviasse rumo à Nicarágua. E a vida de Adauto voltou ao normal na Líbia, país onde viveu até 1985 - meses antes de os EUA bombardearem Trípoli, em retaliação a um atentado na Alemanha Ocidental que matou dois soldados americanos.

Orgulhoso, o geólogo que hoje é conselheiro da Petrobrás diz que "não teve grande preocupação" com os brasileiros que tentavam fugir nos últimos dias, em meio a combates entre opositores e forças de Kadafi. "Logo percebi que é uma guerra interna e os estrangeiros, em geral, não são o alvo", explica. "Claro que pode acontecer um acidente. Mas o risco de se levar uma bala perdida lá é menor do que no Rio", diz ele, que mora em Laranjeiras.

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