sexta-feira, 6 de maio de 2011

Entrevista - Ottfried Höffe: ‘Bin Laden mereceu’

BERLIM. Para o filósofo alemão Ottfried Höffe, da Universidade de Tübingen, apesar das irregularidades, a ação americana foi válida do ponto de vista do Direito Internacional porque o chefe terrorista era um perigo para a Humanidade. Ele comparou Osama bin Laden a Adolf Hitler, lembrando que ninguém teria criticado Claus Schenk von Stauffenberg se ele tivesse conseguido matar o ditador alemão em 1944.

Graça Magalhães-Ruether
Correspondente

O GLOBO: O que o filósofo Immanuel Kant diria sobre o assassinato de Bin Laden?

OTTFRIED HÖFFE: Kant estaria de acordo com o governo americano. Embora muitos pensem o contrário, ele era a favor da pena de morte. O chefe de uma organização terrorista que causou a morte de tantas pessoas mereceu ser morto. O único erro, na minha opinião, foi ele ter sido executado sem ser submetido a um julgamento. Por outro lado, trata-se de uma guerra contra o terrorismo e em uma guerra as coisas são um pouco diferentes do que em tempos de paz. Além disso, Bin Laden é comparável a Adolf Hitler. Se alguém tivesse conseguido assassinar Hitler, como Claus Schenk von Stauffenberg tentou em 1944, ninguém teria nada contra essa ação do ponto de vista ético.

● Os crimes de Bin Laden são comparáveis aos que foram cometidos pelo ditador nazista?

HÖFFE: Eu diria que há diferenças. Hitler mandou matar sistematicamente uma etnia, seis milhões de judeus. Ele declarou guerra contra quase toda a Europa. Mas Bin Laden é parecido com Hitler, um criminoso que não dava nenhum valor à vida humana. O atentado contra Hitler de 1944 foi precedido de uma grande discussão entre os integrantes do grupo, se seria correto, do ponto de vista ético. O atentado fracassou e os seus autores foram todos condenados à morte. Mas se o plano tivesse funcionado, ninguém discutiria hoje a “culpa” dos assassinos de Hitler. Temos agora na Alemanha a crítica da Igreja Católica à chanceler Angela Merkel, que se mostrou feliz com o assassinato de Bin Laden. Normalmente, não é correto se dizer feliz com a morte de uma pessoa. Mas Bin Laden era diferente pelo perigo que representava para o Ocidente.

● Na sua opinião, foi correta, do ponto de vista do Direito Internacional, a ação militar em um país estrangeiro, assim como fez Israel com Adolf Eichmann, na Argentina, há cerca de 50 anos?

HÖFFE: De acordo com os princípios de soberania do Direito Internacional, não. Mas devemos refletir sobre a situação específica. Naquela época, o governo argentino tolerou a ação de agentes israelenses, que capturaram Eichmann e o levaram diretamente para Israel, sem um julgamento e um pedido oficial de extradição, porque tratava-se de um assassino de milhões de pessoas.

● Já na descoberta do esconderijo de Bin Laden, os americanos usaram meios ilegais, pois torturaram informantes para obterr a informação...

HÖFFE: Nada justifica a tortura. Um Estado não tem o direito de usar os instrumentos dos criminosos, e a tortura é um instrumento criminoso.

● O senhor acha correta a decisão do presidente Obama de não divulgar a foto de Bin Laden morto?

HÖFFE: Não sei dizer se é correta ou não. Mas eu imagino que os americanos tentem evitar que, com a divulgação da foto, Bin Laden adquira para os seus adeptos a imagem de um mártir. Uma outra hipótese é que os integrantes da unidade especial que mataram o chefe terrorista agiram com tanta sede de vingança pelos atentados de 11 de Setembro que seria motivo de vergonha mostrar o terrorista morto. 


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