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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Iraniana diz que lamenta não ser recebida por Dilma

MARINA MESQUITA - Folhapress São Paulo, SP – A advogada e ativista de direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, 63 anos, ganhadora do Nobel da Paz em 2003, lamentou onttem a recusa de Dilma Rousseff em recebê-la e disse que o encontro com a presidente era a principal razão de sua visita ao Brasil. “Eu só vim ver a presidente, queria agradecer a ajuda dela no caso Sakineh. Vou ter que mandar uma carta”.

A advogada se referia ao caso da iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério e de ter ordenado a morte do marido -a sentença não foi aplicada. “Não queria falar de assuntos políticos [com Dilma]. Vim falar sobre direitos humanos e direitos das mulheres”, disse Ebadi, figura emblemática da oposição ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, em conversa com jornalistas na sede da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

A ativista manterá seus planos de ir a Brasília, onde ainda espera ser recebida amanhã por Dilma. “A intenção ainda é encontrá-la”, disse o representante de Ebadi no Brasil,

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terça-feira, 7 de junho de 2011

"Vim ver a Dilma", diz Nobel da Paz iraniana preterida pela presidente brasileira

A Nobel da Paz iraniana, Shirin Ebadi, afirmou nesta terça-feira (7) em São Paulo que veio ao Brasil se reunir “só” com a presidente Dilma Rousseff (PT).

Preterida pela presidente da República, a advogada e ativista política afirmou que não tem interesse em encontrar qualquer outro representante da petista.

Em coletiva de imprensa na sede da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), a iraniana relatou que desejaria agradecer pessoalmente os esforços do governo brasileiro no caso da viúva Sakineh Mohammadi-Ashtiani e renovar o pedido para que Brasil se empenhe na defesa dos Direitos Humanos.
O Palácio do Planalto não conseguiu fixar uma reunião entre Dilma e Ebadi. A assessoria de imprensa da Presidência, consultada pelo UOL Notícias, diz ter destacado Marco Aurélio Garcia (assessor especial) para atender a estrangeira em nome da chefe do Executivo.

Na coletiva, consultada sobre a possibilidade de se reunir com Garcia, a iraniana respondeu: “Só vim ver a Dilma. Não vou ver mais ninguém.”

Fonte: UOL


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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dilma nega audiência à mais ilustre dissidente do Irã

Chega ao Brasil nesta terça (7) a advogada iraniana Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz. Opositora do regime autocrático de Mahmoud Ahma­dinejad, vive no exílio.

Será a primeira visita de Shirin ao Brasil. Cumprirá uma agenda apinhada. Só não conseguiu marcar o compromisso que considera primordial.

Shirin desejava avistar-se com Dilma Rousseff. Curiosamente, a presidente refugou. Incumbiu o assessor internacional Marco Aurélio Garcia de atendê-la.

Nos subterrâneos do Planalto, alega-se que, recebendo-a, Dilma como que empurraria o Brasil para dentro da briga interna do Irã.

O problema é que, ao sonegar audiência à dissidente iraniana, Dilma contraria sua própria pregação. Ao assumir, tomara distância de Teerã.

“Se Dilma defende os direitos humanos, ela me receberá”, diz Shirin. Representante dela no Brasil, o advogado Flávio Rassekh é menos sutil:

“Dilma recebeu a Shakira, mas se recusa a se encontrar com uma mulher Nobel da Paz? Ainda não desistimos. Continuaremos tentando organizar esse encontro.”

Fonte: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2011-06-01_2011-06-30.html

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segunda-feira, 7 de março de 2011

Brasil recebe dissidente iraniana e irrita Teerã

Pela primeira vez, o governo brasileiro abre as portas de sua diplomacia para a maior opositora do regime de Mahmoud Ahmadinejad, em um gesto político explícito para marcar o fim da política de vistas grossas para a repressão no Irã e para alertar que está finalmente disposto a escutar o que tem a dizer os dissidentes. O governo iraniano não escondeu a irritação e interpretou a atitude como um recado claro do Brasil de que, em direitos humanos, a lua de mel entre Brasília e Teerã acabou.

A forma encontrada pela diplomacia brasileira para tomar esse passo foi a realização de um almoço, em Genebra, pela missão do Brasil perante à ONU em homenagem à dissidente Shirin Ebadi, prêmio Nobel da Paz, perseguida pelo regime e refugiada na Europa.

Seu recado ao Brasil foi claro. "Se a comunidade internacional não agir, o Irã em breve se transformará numa nova Líbia", afirmou, durante o almoço que também contou a presença de embaixadores de países como Estados Unidos e outros que defendem uma posição mais dura contra o Irã.

Ebadi, durante o almoço, pediu que Brasil e Estados Unidos adotem sanções políticas contra membros do regime de Ahmandinejad, como a negação de vistos para políticos e congelamento de ativos dessas pessoas envolvidas na repressão.

A vencedora do premio Nobel e considerada como uma das maiores opositoras de Ahmadinejad ainda defendeu a ideia dos EUA e da Europa de estabelecer na ONU um relator internacional que investigue as violações de direitos humanos no Irã. "Precisamos dessa investigação para abrir uma nova etapa do diálogo com o Irã. Isso seria um sinal importante para o povo iraniano que sofre com a repressão", disse.

A proposta vai à votação no dia 21 e o Brasil já indicou que poderá rever sua resistência à isso, algo impensável durante o governo Lula. A embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, que promovia o almoço, declarou aos convidados que o Brasil "apoiava" a posição de Ebadi.

Durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a opção do Itamaraty foi a de manter um diálogo apenas com o governo de Ahmandinejad e Lula chegou a criticar a oposição, classificando-os de simples "perdedores" e que não aceitavam o resultado das eleições. Ebadi alertou que Lula estava ofendendo o povo iraniano ao não atender aos apelos da oposição.

Fonte: Estadão

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Nobel Shirin Ebadi: "Lula visitou Teerã, abraçou Ahmadinejad, deu-lhe um beijo no rosto e partiu. Mas parece ter se esquecido que pessoas são mortas e postas na prisão no Irã."

 Início do conteúdo''Espero que Dilma não se cubra com o véu quando visitar o Irã'' (Shirin Ebadi)

Demonstrando insatisfação com a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a iraniana e Nobel da Paz de 2003, Shirin Ebadi, recebeu o Estado em um hotel de Nova York para enviar uma mensagem para Dilma Rousseff. Na avaliação dela, "Lula visitou Teerã, abraçou (o presidente, Mahmoud) Ahmadinejad, deu-lhe um beijo no rosto e partiu. Mas parece ter se esquecido que pessoas são mortas e postas na prisão no Irã."


Qual a sua opinião sobre a iniciativa do Brasil de negociar a questão nuclear com o Irã?

Em geral, prefiro negociações para resolver os problemas. Mas o Brasil não foi capaz de resolver nada. A forma de agir do governo brasileiro não foi positiva. Na verdade, Lula visitou Teerã, abraçou Ahmadinejad, deu-lhe um beijo no rosto e partiu. Parece ter-se esquecido que pessoas são mortas e colocadas na prisão no Irã. Enviei mensagens a Lula, que foi um sindicalista, dizendo a ele que se encontrasse com as famílias de trabalhadores iranianos que estão na prisão por suas ligações com os sindicatos. Quando Lula esteve no Irã, (Mansour) Osanlou, um líder sindical como ele, já cumpria pena de cinco anos. A Organização Mundial do Trabalho pediu a sua libertação, mas Lula o ignorou. Osanlou tem diabete, problema de visão e está com paralisia. Embora o médico tenha dado certificado para ele deixar a prisão para se tratar, o governo não autorizou.

Há também dezenas de mulheres presas atualmente no Irã. A sra. espera que Dilma Rousseff faça algo para ajudá-las?

Depois de 1979, uma série de leis discriminatórias contra as mulheres foram aprovadas no Irã. A vida de uma mulher equivale à metade da de um homem. Por exemplo, se um homem e uma mulher saem para a rua e são atacados, a indenização que a mulher receberá será o equivalente à metade da do homem. Na Justiça, o testemunho de duas mulheres equivalem ao de um homem. Um homem pode casar com quatro mulheres. E existem várias outras leis discriminatórias. A presidente eleita, como mulher, certamente não concorda com essas leis. E as mulheres iranianas tampouco as aceitam. Mas, quando elas protestam contra a legislação, são detidas por ter agido contra a segurança nacional, segundo o governo. As advogadas que as defendem também acabam nas prisões. Uma destas advogadas é minha colega Nasrin Soutodeh. Ela foi presa há dois meses. Desde o domingo, está em greve de fome. Estamos preocupados com a vida dela. Gostaria que a nova presidente do Brasil a ajudasse. Todas as mulheres, muçulmanas ou não, que cheguem ao Irã, têm de cobrir a cabeça. É uma lei estranha, pois quem não é muçulmana não precisa usar o véu. Por favor, diga à sua presidente, em meu nome, para ela não se cobrir com o véu se for ao Irã. Não precisa ter medo da lei no Irã. Por ser presidente, possui imunidade diplomática. Alguém precisa mostrar ao governo do Irã que esta lei não é correta.

Então sua mensagem para Dilma é para ela não se cobrir quando for ao Irã?

Sim, e também conversar com movimentos independentes de mulheres, não apenas as que estão no Parlamento.

Fala-se muito sobre a situação de Sakineh Ashtiani no Brasil. E as informações são muitas vezes diferentes. Um dia dizem que ela será morta, no outro não. Às vezes dizem que será por apedrejamento, outras vezes não. Uns dizem que seria porque ela traiu o marido. Mas outros afirmam que ela é acusada de assassinato. Qual é a verdade? Sakineh foi sentenciada ao apedrejamento. Há inúmeras campanhas internacionais para defendê-la. Mas ela não é a única sentenciada. Há várias outras com a mesma sentença no corredor da morte. Em vez de apenas fazer campanha por Sakineh, deveríamos lutar pelo fim deste tipo de sentença, ajudando a todas. Queria adicionar que as punições corporais foram aplicadas depois da revolução (de 1979). Não só o apedrejamento, mas também a crucificação e o corte das mãos. No mês passado, três ladrões tiveram as suas mãos cortadas. Um deles havia roubado uns chocolates e US$ 1.000. Isso é tão grave quanto apedrejamento. O que todos os defensores de direitos humanos deveriam fazer é repudiar todas essas leis. Sempre que nos opomos a essas leis, o governo diz que elas são religiosas. Mas isso não é correto. Clérigos respeitáveis no Irã disseram que essas leis poderiam ser revertidas. Eles (o governo) querem administrar o país como há 1.400 anos.

Se o regime de Teerã abdicasse de seu programa nuclear, sua situação se normalizaria, ficando como a Arábia Saudita, que também desrespeita direitos humanos, mas não sofre punições. A sra. acha que o foco das sanções deveria mudar?

Nos últimos anos, sempre que falam do Irã, pensam só na questão nuclear - se esquecem de pessoas sendo mortas e presas. Costumo dizer aos países ocidentais e também ao Brasil que tudo bem falar da questão nuclear. Mas também abordem a falta de democracia e os direitos humanos. Fiquei surpresa que um homem respeitável como o Lula tenha ido ao Irã, falado da questão nuclear, e partido.

O Irã, que enfrenta uma crise econômica, gasta centenas de milhões com grupos estrangeiros como o Hamas (palestino) e o Hezbollah (libanês). No mês passado, Ahmadinejad foi recebido como herói no sul do Líbano por ter ajudado na reconstrução de vilas destruídas na guerra contra Israel (2006). A população iraniana não reclama desses gastos no exterior enquanto enfrentam dificuldades no próprio país?

Ahmadinejad foi ao Líbano a convite do Hezbollah. E o xeque Hassan Nasrallah disse que o Irã ajudou os libaneses com US$ 450 milhões e agradeceu ao líder iraniano por contribuir com a reconstrução. A população iraniana considera os libaneses amigos e está feliz em ajudar. Mas se pergunta sobre qual é a diferença entre nós e o Hezbollah. Seis anos atrás, a cidade de Ban, no Irã, foi abalada por um terremoto e totalmente destruída. Mas o governo iraniano não a reconstruiu. Preferiu reerguer as casas no sul do Líbano. Ban permanece em ruínas.

O Irã também deu dinheiro para o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai. O governo iraniano negou a ajuda inicialmente, mas acabou desmentido. O próprio líder afegão confirmou e agradeceu Teerã. Esta ajuda financeira ocorre depois de o Irã registrar o pior crescimento econômico de todo o Oriente Médio. O crescimento foi de 1,6% no ano passado. Pior até mesmo do que o Iraque e o Afeganistão.

Com Mir Hussein Mousavi ou Mehdi Karroubi (candidatos opositores nas eleições presidenciais) as coisas seriam melhores realmente? Eles não faziam parte do regime?

O movimento democrático não tem como base a ideologia. É apenas democrático. Mousavi e Karroubi não são os líderes, mas integram o movimento. E as decisões são tomadas em grupo. Todos, em comum, opõem-se ao governo e defendem a democracia.

O que ocorreria se Israel ou os EUA bombardeasse o Irã?

Nem Israel bombardeará o Irã, nem o Irã bombardeará Israel. Os israelenses não têm o poder de atacar o Irã e o governo iraniano sabe disso. E o Irã sabe que, se atacar Israel, as consequências seriam muito grave. Os Estados Unidos tampouco atacarão o Irã. Eles já têm muitos problemas no Iraque e no Afeganistão. Mas quero deixar claro que sou contra um ataque ao Irã porque deterioraria ainda mais a luta pela democracia e os direitos humanos. O governo iraniano sempre usa estas ameaças de ataque para despertar sentimentos patrióticos, desviando a atenção das pessoas para questões nacionalistas. 

Fonte: Estadão

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