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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tunísia - Revista infantil traz instruções detalhadas de como fazer um Coquetel Molotov

A revista infantil, Kaws Kouzah, publicou em uma recente edição um passo a passo detalhado de como fazer um coquetel molotov. O Ministério para Mulheres e Família, mostrou preocupação, pois a publicação expõe as crianças ao perigo e incentiva "a violência e o terrorismo". Além do passo a passo para a construção a revista contava brevemente a história dessa arma caseira.

O coquetel molotov é uma arma química incendiária geralmente utilizada em protestos e guerrilhas urbanas e tornou-se bastante popular no mundo muçulmano com a famigerada "Primavera Árabe".


domingo, 27 de novembro de 2011

Após a Primavera Árabe, Inverno

Quando a Primavera Árabe estourou no Oriente Médio e no norte da África, ela foi, sem hesitação, acolhida pelos líderes ocidentais. Todo mundo esperava pelo melhor, mas a esperança não é o suficiente. O tiroteio contra os protestantes na praça Tahrir pelo exército egípcio é o sinal mais recente de que a Primavera Árabe está dando lugar ao Inverno Árabe. As eleições têm, de fato, ocorrido na Tunísia, mas na Algéria têm servido apenas como um trampolim para os organizados partidos islâmicos obterem o poder. No Egito, as pesquisas já sugerem um triunfo similar para os islamitas. Os objetivos políticos da Irmandade Muçulmana são semelhantes aos dos khomeinistas revolucionários no Irã.

As eleições da Líbia estão distantes, mas os islamitas têm uma vantagem inicial. O resultado final pode acabar servindo de impulso para que a democracia produza justamente o contrário: o preceito da militância islâmica. Será muito mais difícil justificar a intervenção na Libia, já que deve ser apresentado que a OTAN meramente facilitou uma conquista islâmica. Em longo prazo, a democracia representativa fornece as únicas respostas às falhas do mundo árabe. Em curto prazo, esse processo tende a ser complexo, árduo e sangrento.

Por Douglas Murray / Spectator-UK
Tradução: Jônatha Bittencourt - Editor de CessarFogo.com e De Olho na Jihad

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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Poder do Islã aumenta no Oriente Médio

Dificilmente será um exemplo de democracia.

Desde que a “Primavera Árabe” (onda revolucionária de manifestações e de protestos que vem ocorrendo no Oriente Médio e no norte da África) começou há seis meses na Tunísia, uma onda de protestos, de agitação, de guerras civis e de matança sem sentido se espalhou pelo Oriente Médio. As coisas continuam acontecendo e, especialmente na Síria, a população está pagando um alto preço, perdendo vidas toda semana, à medida que o Presidente Bashar Al-Assad anuncia que vai interromper as manifestações com mão de ferro.

Na semana passada, na Líbia, o mais antigo ditador do Oriente Médio, Muamar Kadafi, foi deposto de seu governo – e morto – em um ato brutal de vingança perpetrado pelas forças rebeldes. Quarenta e dois anos de tirania acabaram quando o líder do Conselho Nacional Transitório (CNT), Mustafá Abdel Jalil, declarou a vitória. Um governo de transição está para ser estabelecido em 30 dias, e será eleita em 240 dias uma assembleia que terá a missão de promulgar uma Constituição. O processo democrático parece estar se desenvolvendo.

Na Tunísia, onde a chamada “Primavera Árabe” foi iniciada por um desesperado vendedor de vegetais, o processo democrático foi mais longe, e as primeiras eleições foram realizadas nesta semana. O Partido Islâmico Enhada tornou-se de longe o maior partido e assegurou 40% das cadeiras no novo parlamento, o qual agora começa a promulgar a Constituição.

No Egito pós-Murabak, as multidões muçulmanas andam livremente nas áreas dos cristãos da igreja copta. Com o exército como mero espectador, ou quem sabe como cooperador ativo, as multidões mataram centenas e mutilaram muitos outros. Mulheres cristãs estão sendo sequestradas e forçadas a se casarem com homens muçulmanos; monges estão sendo torturados, igrejas e monastérios estão sendo devastados e incendiados, e os coptas estão sendo perseguidos nas ruas e nas escolas. Desde março deste ano, 100.000 coptas fugiram do país. Perseguição a cristãos e a subsequente emigração estão acontecendo também em outras áreas como o Iraque, Líbano e na região sob administração da Autoridade Palestina. Muitos estão desesperados para fugirem, mas são incapazes disso por razões econômicas, dentre outras.

Comentário:
Os resultados da “Primavera Árabe” estão ficando agora mais visíveis, e eles não são encorajadores. Contrariamente às repetidas e otimistas avaliações de Obama de um democrático Oriente Médio, o poder dos islâmicos está aumentando. Islamismo, como nós conhecemos, é incompatível com valores democráticos, é antiocidental e anti-Israel. O que segue é uma visão geral de como está a situação nos seus países principais.

As previsões de uma democracia verdadeira na Líbia não são promissoras. Considere a pessoa de Abdel Hakim Belhaj. Belhaj é um islâmico bem conhecido que tem ligações com a Al-Qaeda. Desde 1988, ele lutou contra os soviéticos e depois contra os americanos no Afeganistão, e foi até mesmo preso pela CIA em 2004. A CIA entregou-o a Kadafi. Em um recente conflito, ele estava lutando lado a lado com os americanos contra o ditador da Líbia. O fato problemático é que não foi Belhaj que mudou de lado.

Em toda a campanha contra Kadafi, Belhaj recusou a submeter sua grande milícia à liderança política do CNT (Conselho Nacional Transitório). Considerando a fragmentada sociedade da Líbia, com tribos e clãs vivendo em constante alerta, e agora armados até os dentes, com armas sofisticadas vindas do arsenal de Kadafi, dificilmente se pode culpá-lo. Há um grande risco que a rivalidade interna, e até mesmo uma futura guerra civil, possam estourar o conflito pelo poder e pelo petróleo do país. Nesse ponto, os islâmicos permanecem fortes militarmente.

Em seguida da morte de Kadafi, o líder da CNT, Abdel Jalil, realizou um discurso de vitória no qual ele disse que a sharia (lei religiosa dos muçulmanos) será a “fonte principal” de leis no país, e nenhuma lei que seja contrária à sharia será permitida. Isso significa, na prática, um Estado islâmico. E nesse Estado, é lógico afirmar que a poligamia será permitida, amputações por crimes pequenos serão comuns, os direitos das mulheres serão severamente violados,  a liberdade de expressão será restringida e a conversão será punida com morte. Dificilmente será um exemplo de democracia.

Muito da mesma coisa pode ser dita da Tunísia. Esse país tem sido considerado o mais secular dos Estados árabes – mas a Enhada é um partido islâmico. Seu líder, Rachid Ghannouchi, já disse que a nova Constituição será baseada na sharia. Se a “secular” Tunísia tornar-se islâmica, é razoável acreditar que mais nações religiosas farão a mesma coisa.

No Iraque, os EUA estão planejando deixar o território e os iranianos estão preparando a sua entrada. O Irã já está interferindo na política do Iraque e apoiando milícias naquele país, utilizando-se da maioria da população shia-muçulmana que habita lá. O Irã é, em vários aspectos, um modelo completo de um Estado islâmico e também está buscando criar tentáculos em países como Bahrein e Iêmen. Caso o regime muçulmano obtenha armas nucleares, a sua esfera de influência aumentará drasticamente.

Na Turquia, o partido islâmico do primeiro-ministro Erdogan está ocupado em abolir a democracia e em impôr a sua lei. Opositores políticos, juntamente com a imprensa e militares, estão sendo presos, e a nomeação de juízes é dependente da aprovação da cúpula do partido. A Turquia já violou o acordo que tinha com Israel e está adotando orientação que lhe afasta cada vez mais da Europa. A Turquia, sob o comando de Erdogan, serve como modelo para o partido Enhada na Tunísia.

No Líbano, um partido islâmico, Hezbollah, controla o governo, da mesma forma que o Hamas governa na Faixa de Gaza. Na Síria, é difícil dizer o que acontecerá caso o regime de Assad cair, mas também lá os islâmicos têm um ponto de apoio seguro. Somando tudo, não resta dúvida de que a “Primavera Árabe” tenha levado um aumento dramático da influência da política do Islã no Oriente Médio.

Alguém poderia legitimamente perguntar: se o povo, através das eleições, escolher partidos islâmicos, deveriam ser eles proibidos de fazer isso? Não é pela a vontade do povo que nós lutemos? Mas o problema é quando isso leva à tirania da maioria, onde as minorias, tais como os cristãos e os judeus, são perseguidos e direitos humanos fundamentais são violados. Isso é inaceitável. É uma decepção chamar isso de democracia. Eleições livres são apenas uma parte de uma democracia que efetivamente funcione.

Israel é a única democracia no Oriente Médio. Isso é uma conquista que não é suficientemente entendida nem admirada pelas outras nações. Ao invés de ser excessivamente criticado, isolado e enfraquecido, o Estado judeu deveria ser exaltado como um perfeito modelo de democracia no Oriente Médio. Israel poderia servir como um recurso de conhecimento, experiência, know-how e exportar democracia para seus países vizinhos. Os líderes árabes poderiam vir a Israel para estudar as instituições nacionais, o parlamento, o sistema de eleição, os sistemas financeiro e jurídico, e tudo mais. Mas por que isso soa tão utópico?

Fonte: Word of Life Israel 

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mahmoud Abbas, líder da Palestina?

 Enquanto líder palestino, Abu Mazen (Mahmoud Abbas), joga um game no cenário internacional, seu povo na Faixa de Gaza sofre.

Ativar as legendas se houver necessidade (CC)

Produção: FreeMiddleEast.com
Tradução / Legendas: CessarFogo.com

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Radicais atacam TV da Tunísia que passou animação 'Persepolis'

Centenas de radicais islâmicos com facas e bastões tomaram as ruas de pelo menos duas cidades da Tunísia durante o fim de semana para protestar contra a exibição do filme de animação Persepolis, transmitido no país na sexta-feira, e a proibição do uso de véus nas universidades do país. Cerca de 300 radicais muçulmanos tentaram incendiar ontem em Túnis a sede da televisão Nessma, canal privado que passou a animação, considerada ofensiva pelos religiosos.
Persepolis mostra a visão da iraniana Marjane Satrapi sobre as transformações que o Irã sofreu com a instauração do atual regime, após a Revolução Islâmica, de 1979. O governo disse que a polícia impediu os radicais antes que eles chegassem à sede do canal, no centro da cidade, onde ocorreu o principal confronto. O Ministério do Interior afirmou que, além das prisões, houve mortes.

Os militantes enfureceram-se principalmente por causa de passagens do filme em que, fantasiando, a personagem central dialoga com Deus. Os manifestantes atacaram a polícia com suas armas e pedradas. A resposta veio em bombas de gás lacrimogêneo. Ontem, cerca de 50 militantes foram presos em confrontos em Túnis.

A Tunísia foi berço da primavera árabe e, em janeiro, derrubou o regime autocrático de Zine al-Abidine Ben Ali. Atualmente, prepara-se para eleger uma Assembleia Constituinte, no dia 23. Estima-se que representantes do movimento islâmico Ennahda, que voltou à legalidade em março, deverão obter a maioria dos assentos.

No norte de Túnis, ainda ontem, centenas de manifestantes entraram em confronto com a polícia diante da principal universidade do país, durante um protesto contra a proibição do uso do niqab - véu usado pelas muçulmanas mais religiosas do país que revela apenas os olhos das mulheres - nas dependências das instituições de ensino.

A tensão sobre o tema havia começado em Sousse, 150 km ao sul de Túnis, no sábado, quando cerca de 200 jovens invadiram a universidade local exigindo que seja autorizada a matrícula das estudantes que usam o niqab. Homens armados com facas teriam ameaçado os funcionários de morte, caso eles continuem a não matricular as estudantes que adotam a vestimenta. No mesmo dia, um protesto juntou 200 mulheres, que se manifestaram contra o fanatismo religioso, em Túnis. Fonte: Estadão

Assitam ao trailler de Persepolis:


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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Primavera árabe: as ambiguidades do governo brasileiro



Por Sheila Sacks, em 28/06/2011

Ao se declarar contra o apedrejamento de mulheres no Irã, logo após assumir a presidência em janeiro, e se alinhar a favor do envio de um relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) àquele país para apurar denúncias de violações de direitos humanos, a presidenta Dilma Rousseff ouriçou os comentaristas políticos e editorialistas dos grandes jornais, que imediatamente enxergaram uma mudança de rumo na política externa brasileira.
A ducha de água fria veio com a posição do Planalto em negar à ativista iraniana Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz em 2003, uma audiência pessoal com a presidente Dilma. 

Uma das principais vozes de oposição ao regime de Mahmoud Ahmadinejad, a advogada e ex-juíza, de 63 anos, que vive exilada na Inglaterra desde 2005, esteve em Brasília, no início de junho e, diante da impossibilidade de ser recebida pela presidente brasileira, se absteve de se encontrar com o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, indicado para atendê-la. 

Ainda em Brasília, no plenário da Câmara dos Deputados, Shirin passou por novo constrangimento ao falar sobre os maus tratos, perseguições religiosas e prisões arbitrárias no Irã para uma pífia plateia de menos de dez parlamentares.

Dias depois, em Genebra, durante a conferência mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os ministros do Trabalho do Brasil, Carlos Lupi, e do Irã, Abdolreza Sheikholeslami, anunciaram um plano de cooperação visando à implementação no país persa de projetos de capacitação de trabalhadores e de programas similares ao Bolsa Família e Brasil sem Miséria. O objetivo seria evitar a repetição do cenário de crise social – com milhões de pessoas sem trabalho – que fermentou a derrubada dos governos da Tunísia e do Egito. 

A pedido do Irã, o governo brasileiro irá desenvolver iniciativas que possibilitem a criação de mais de 2 milhões de empregos no Irã e promover ações sociais que aliviem o impacto do embargo econômico e comercial que lhe é imposto pela ONU. “Nós falamos com todos os países e vamos cooperar com quem nos peça cooperação, incluindo o Irã”, justificou Lupi.

“É o cumprimento de uma lei internacional”

Desde a eleição de 2009 que reelegeu Ahmadinejad, o regime islâmico tem perseguido e encarcerado dissidentes, ativistas de direitos humanos, líderes religiosos, advogados e jornalistas. Atualmente 26 profissionais da imprensa permanecem presos pelo regime de Ahmadinejad. 

Em abril, o jornalista e professor de Ciências Políticas Ahmad Zeidabadi, detido há dois anos, foi homenageado com o Prêmio Guillermo Cano World Press Freedom, concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), por sua “coragem excepcional, resistência e compromisso com a liberdade de expressão, democracia, direitos humanos, tolerância e humanidade”. Editor do jornal Azad e colaborador da BBC de Londres, Zeidabadi foi condenado a seis anos de prisão, mais cinco de “exílio interno” e proibido de exercer a profissão para o resto da vida, acusado de conspirar contra o governo.

Em relação à Líbia, a decisão da diplomacia brasileira de se juntar aos demais membros do Conselho de Segurança da ONU – formado por 15 membros, sendo cinco permanentes e dez temporários – na aprovação de uma resolução votada em fevereiro que impunha sanções à Líbia de Kadafi, também contribuiu para fomentar editoriais e artigos sobre o novo posicionamento da presidente Dilma e do Itamaraty no cenário internacional.

Muitos se animaram com a publicação no Diário Oficial da União do decreto determinando as sanções da ONU à Líbia (embargo à venda de armas, congelamento de bens e proibição da entrada de parentes de Kadafi). Assinado em 15 de abril por Michel Temer, presidente em exercício, o documento não se constituiria em uma iniciativa isolada do Brasil, e sim, atenderia à Resolução nº 1.970, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, dois meses antes. “É o mínimo de cumprimento de uma lei internacional”, afirmou na ocasião ao jornal Correio Braziliense o especialista em Oriente Médio Márcio Scalércio, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Segundo ele, ao publicar a medida o Brasil simplesmente acatou a determinação do Conselho.

Minas brasileiras na Líbia

É importante observar que na votação da Resolução nº 1.973, desse mesmo Conselho, em 17 de março, o Brasil se absteve de votar contra a Líbia, posicionando-se ao lado da China, Rússia, Índia e Alemanha. A medida impôs uma zona de exclusão aérea sobre o país, autorizando o uso da força para suspender voos sobre o território líbio. A resolução foi aprovada por maioria (10 votos) e, três dias depois, o presidente americano Barack Obama, ainda em território brasileiro, autorizou os ataques das forças aliadas contra o regime de Kadafi. 

A reação diplomática brasileira veio logo depois em forma de um comunicado do Itamaraty lamentando as mortes ocorridas pelos bombardeios, reiterando sua solidariedade com o povo líbio, criticando o uso da força pela coalização internacional e pedindo “um cessar-fogo efetivo”. Posição reforçada na reunião de cúpula dos Brics – grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – ocorrida em abril na China, com a presença da presidente Dilma Rousseff. A declaração conjunta divulgada ao final do encontro condenou o uso da força na Líbia e novamente apresentou propostas de reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Uma semana depois da reunião dos Brics, a missão do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU enviada à Líbia concluiu que pelo menos 10 mil pessoas morreram no país desde o início da revolta contra Kadafi. O chefe da delegação, Cherif Bassioun, afirmou que foram encontrados indícios de crimes de guerra, com ataques a civis e a missões humanitárias. Por outro lado, Jacob Zuma, presidente da África do Sul e membro do Conselho da União Africana, em visita ao ditador líbio, em Trípoli, manifestou seu repúdio aos ataques da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao país. 

Em telefonema posterior à presidente Dilma, o sul-africano pediu apoio do Brasil para uma articulação no Conselho de Segurança da ONU no sentido de encontrar uma saída política para a crise na Líbia. Na conversa, que durou cerca de 10 minutos, de acordo com o porta-voz da Presidência Rodrigo Baena, os dois presidentes se mostraram preocupados com os ataques aéreos contra a Líbia, que estariam indo além da resolução aprovada pela ONU, provocando “impactos negativos na população civil das ações das políticas ocidentais”.

Na mesma época, a principal organização de combate ao uso das minas terrestres, a International Campaign to Ban Landmines (ICBL), prêmio Nobel da Paz de 1997, constatou a presença de minas de fabricação brasileira sendo utilizadas pelo regime de Kadafi contra os rebeldes. Em carta ao ministro Antônio Patriota, a diretora da ONG Kasia Derlicka pediu explicações sobre o fato, lembrando a condição do Brasil de signatário do Tratado de Ottawa, posto em vigor em 1999, que proibiu a fabricação, uso e venda de minas “antipessoal”. A instituição pediu ainda que o Brasil condene o uso de minas e exija a sua suspensão (segundo a assessoria do ministro, o Brasil não exporta mais esse tipo de artefato, em respeito ao tratado, mas mantém estoque do armamento, parte dele usado pelo Exército em exercícios militares).

Missão para investigar tortura e execuções

O emprego de métodos cruéis para calar vozes discordantes é comportamento-padrão no regime Kadafi. Em 1996, o ditador foi responsável por um dos crimes mais brutais que atingiram a sociedade líbia. Trata-se do massacre na prisão de Abu Salim, onde 1.167 pessoas supostamente opositoras do governo foram assassinadas em poucas horas pelos soldados do regime. Com depoimentos e provas suficientes para condenar Kadafi em uma corte internacional por crime contra a humanidade, o ativista de direitos humanos e advogado das famílias das vítimas Fathi Terbil conta que os corpos das vítimas foram jogados em buracos e cobertos com cimento. Um dos poucos sobreviventes da chacina, o engenheiro Issa el-Bira, revelou que centenas de presos foram forçados a sair para o pátio enquanto atiradores os matavam de cima dos telhados.

Iniciada em março, a revolta popular na Síria contra o regime de Bashar Assad já contabiliza 1.200 mortes e 10 mil presos qualificados pelo governo como “sabotadores”. O presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Joseph Deiss, frente a sinais de que o Brasil não estaria disposto a apoiar uma resolução de condenação no Conselho de Segurança contra a repressão e atrocidades cometidas contra civis e as mais de mil mortes promovidas pelas forças sírias, deslocou-se até Brasília para uma reunião com a presidente Dilma e o chanceler Patriota. Na visita, ocorrida em 20 de junho, Deiss tentou sensibilizar o governo brasileiro a votar a favor da resolução que prevê, entre outros tópicos, a implantação de reformas políticas no país, a libertação de prisioneiros e o fim da violência contra os opositores. 

Entretanto, a posição brasileira – que coincide com as da Rússia e China – é de que possíveis ações militares tenderiam a piorar ainda mais a situação. “ASíria é um país central, quando se leva em conta a estabilidade no Oriente Médio”, afirmou Patriota em entrevista na ONU. “A última coisa que gostaríamos é contribuir para exacerbar as tensões no que pode ser considerada uma das regiões mais tensas de todo o mundo.”

Esse posicionamento do Brasil tem intrigado diplomatas dos Estados Unidos, Reino Unido e França, países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Um deles se mostrou decepcionado e explicou: “Tivemos até mesmo a preocupação de não colocar nenhum trecho que pudesse dar chance para uma intervenção externa na Síria. Mas parece não ter sido suficiente para convencer os brasileiros”, disse. Em abril, o Brasil votou favoravelmente no CDH pelo envio a Damasco de uma missão para investigar violações de direitos humanos no país, principalmente tortura e execuções. Dois meses depois, observadores da ONU foram impedidos de entrar na Síria.

Exportações para o Egito cresceram 135,7%

Mesmo assim, o governo de Assad pediu o apoio do Brasil para a sua pretensão de concorrer a uma vaga no CDH. Diplomatas sírios acreditavam na influência do voto brasileiro para mudar a posição de outros países. Mas, uma semana antes da votação a Síria retirou a sua candidatura. Membro da entidade desde 2008, o Brasil encerrou seu mandato em maio, quando 15 das 47 cadeiras do Conselho foram renovadas. Em março, a Assembleia-Geral da ONU já havia decidido pela suspensão da Líbia no CDH, com voto favorável do Brasil.

Uma das mais significativas áreas de comércio do Brasil no norte da África e principal destino das exportações brasileiras para aquele continente, o Egito pós-Mubarak foi alvo de uma visita do ministro Antônio Patriota em maio. Parceiro extra-regional do Mercosul, assim como Israel, o país de 80 milhões de habitantes abriga a sede da Liga dos Países Árabes e é considerado pelo Itamaraty como um interlocutor de grande influência no mundo árabe. Segundo a nota nº 179, divulgada no site do Itamaraty em 6 de maio, o Egito “tem envolvimento crescente nas negociações relativas à questão israelo-palestina, do que é demonstração a assinatura, no Cairo, no último dia 4/6, do acordo de reconciliação entre o Fatah e o Hamas, além de outros 11 grupos políticos palestinos.”

Apesar das revoltas populares e da derrubada do governo de Mubarak, as exportações para o Egito cresceram 135,7% nos três primeiros meses de 2011 em relação a igual período de 2010, alcançando a média diária de 8,5 milhões de dólares. Para a Tunísia, país que inaugurou os confrontos de rua contra os regimes autoritários árabes, culminando com a queda do ditador Zine Ben Ali, as exportações brasileiras aumentaram ainda mais, cerca de 408,2%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Na Argélia, país árabe que também enfrenta distúrbios, a compra de mercadorias do Brasil teve um crescimento de 218,81%.

Liderança geopolítica

Em setembro, quando a primavera se anunciar no Cone Sul, Dilma estará em Nova York para a abertura da Assembleia Geral da ONU. O secretário-geral, Ban Ki-Moon (reeleito para o cargo por mais quatro anos), no encontro que teve com a presidente brasileira no Palácio do Planalto, em 16 de junho, lembrou que Dilma será a primeira mulher a abrir o debate geral daquela entidade. Em nota, ao cumprimentar o sul-coreano pela votação, o Itamaraty ressaltou algumas prioridades do governo brasileiro no campo político internacional: a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e a busca de uma solução política para as crises que atingem o Norte da África e o Oriente Médio.

Sabendo-se que líderes palestinos apoiados por países árabes já preparam um plano de mobilização para pedir o reconhecimento da ONU na sessão anual de sua Assembleia Geral de um estado palestino delimitado pelas fronteiras de 1967, e que o Brasil, compartilhando espaço com países que incitam o ódio ao Estado de Israel, já reconheceu essas fronteiras em dezembro de 2010, é pouco provável que haja qualquer alteração, por parte da presidente brasileira, das diretrizes já assumidas acerca desse e demais temas que envolvem os conflitos no mundo árabe e o terrorismo praticado por grupos político-religiosos da região. 

Ainda que a grande imprensa distingue o compromisso da presidente com a questão dos direitos humanos, a visão ideológica e as aspirações brasileiras por uma liderança geopolítica regional e terceiro-mundista – sinalizadas pelo partido a qual está ligada – acabam por estreitar e dogmatizar seu campo de ação. Para desalento das editorias e dos articulistas políticos que insistem em repaginar o perfil de Dilma, creditando supostos pontos de vista e opiniões que mais adiante não se confirmam.


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domingo, 22 de maio de 2011

Líder da Irmandade Muçulmana diz que Israel será destruído até 2027


Rachid Ghannouchi, líder da Irmandade Muçulmana na Tunísia, deu uma recente entrevista a mídia árabe no qual ele pede e prevê o fim de Israel.


Ghannouchi, diz que as revoluçãos no mundo árabe são positivas para os palestinos, e podem levar Israel ao fim. Ele diz que a causa palestina está no centro da Umma (nação) e que todas as terras entre a mesquita de Meca e Jerusalém, representam o coração da nação islâmica, portanto qualquer controle estrangeiro nessas terras seria como uma doença no coração umma. Ele confirma que não há duvida que as revoluções levarão a queda de regimes apoiados pelo ocidente e também ao fim de Israel.

"Sheikh Ahmad Yassin, concluiu que Israel chegará ao fim antes de 2027", afirma Ghannouchi, que continua: "Está é uma data um tanto distante, acredito que o fim de Israel pode chegar bem mais cedo".

Rachid Ghannouchi, é o líder da Irmandade Muçulmana no exterior e também líder do movimento islâmico conhecido como Nahada (Ennahda ou Al Nahda), que agora também busca chegar ao poder na Tunísia.
 
Fonte: Spero News

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domingo, 13 de março de 2011

Mulheres temem perder seus direitos ante islamização da Tunísia

TÚNIS, Tunísia (AFP) - Centenas de tunisianas expressaram neste domingo seu temor ante o risco de perder os direitos adquiridos até agora e exibiram que na futura Constituição do país figure a separação entre o Estado e a região, durante uma conferência na capital do país.

"De maneira alguma faremos concessões sobre nossas conquistas, nem aceitaremos o obscurantismo daqueles que querem nos levar para 14 séculos atrás", declarou a ativista Fathia Bazi, durante conferência nacional de mulheres pela igualdade e a cidadania organizada por quatro ONGs locais.
Em termos de herança, a lei islâmica não garante a igualdade entre homens e mulheres.

A futura Constituição deverá enfatizar o princípio de separação entre religião e Estado, paridade entre homens e mulheres em todas as instituições, assim como os princípios de igualdade e de não-discriminação, segundo um projeto apresentado durante a conferência.

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quinta-feira, 3 de março de 2011

Ainda sobre a revolução árabe

Por Jefferson Nóbrega

Cá estou novamente. Insistindo em falar do levante árabe, em olhar para isso com olhar incrédulo. Logo eu, que sempre fui acusado pelos ateístas e comunista de ter uma fé cega, agora experimento à descrença.

Insisto no direito de não acreditar na explosão de democracia, e espero ab imo corde que seja equívoco de minha parte, que seja fruto de minha desconfiança. Mas infelizmente acredito que estou certo.

O perfume da “revolução do jasmim” começa ser levado pelos ventos em direção ao deserto, e o odor da putrefação que escondia-se ,começa agora à aparecer.

Confesso minha possível paranóia de observar minuciosamente os detalhes que a grande mídia deixa escapar. Confesso que quando se trata da relação de democracia e islamismo sou tomado por uma visão céptica. Islamofóbico? Não, apenas análise dos fatos que a maioria insiste em ignorar. Se isso for islamofobia, então confesso-me.

Observando os hieróglifos grafados pelos revolucionários egípcios nos pilares da nova pirâmide da democracia, que segundo a mídia, agora é erguida no país. Alguns detalhes insistem em martelar em minha mente.

Ainda quando, os libertadores marchavam contra o agora mumificado faraó Mubarak, esses guerreiros da liberdade perpetraram um massacre contra os Cristãos Coptas. Mas, o episódio foi abafado pelos gritos humanitários contra o impiedoso governo, e o sangue copta escorreu dessa vez sem os holofotes internacionais. Mas, novamente os libertários egípcios mostraram sua face, atacaram e estupraram a jornalista Lara Logan. A mídia tratou de amenizar o caso classificando apenas como violência sexual, e ignorou um importante detalhe, enquanto acometiam contra à jornalista, o grupo gritava: Judia!Judia!

A poeira levantada no Egito começou a baixar. E as esfinges islâmicas escondidas no ardor da revolução começaram a surgir. Nenhum grupo ou instituição saiu fortalecido do levante como a Irmandade Muçulmana. O grupo que sempre foi visto com olhares suspeitos pelo ocidente, já que deu ao mundo à atual mentalidade jihadista, que resultou no mundo terrorista que conhecemos, entre um gritou de ordem e outro, deixou os protestos como força política e islamitas moderados. O mundo ocidental passou a olhar a Irmandade com outros olhos.

Mas, essa visão sobre os “Irmãos muçulmanos” é facilmente derrubada com uma simples leitura de seus estatutos, onde está especificado o real objetivo da Irmandade Muçulmana: Islamizar o mundo para que seja regido pela Sharia!

Qualquer um poderia acessar o site em inglês do grupo e ler as diretrizes que demonstra que de moderada a Irmandade nada tem. Mas, pasmem! Misteriosamente os estatutos desapareceram do site! Mas, porquê?

Será mera coincidência? Ou será que é porque os estatutos poderiam destruir a bonitinha imagem que eles agora conquistaram?

Está bem, eu tenho mania de conspiração, já que alguns dizem que os estatutos podem ter desaparecidos apenas por questão de manutenção. Mas, em árabe eles ainda ostentam o regimento? Quem conhece a Irmandade Muçulmana sabe que é pratica comum as declarações moderadas em inglês e o grito jihadista em árabe.

Não obstante , o “perfume do jasmim” mal desapareceu por completo na Tunísia, e o Ennahda já anunciou que pretende fazer parte do governo. O Ennahda é um partido islâmico que diz ter visão moderada e que era considerado pelo governo como terrorista.

Mas, os detalhes mais dignos de observação partem da Líbia. O país que se encontra em uma verdadeira guerra civil, nos apresenta algumas questões dignas de análise.

Já havia falado sobre à combinação explosiva de rebeldes, fuzis Kalashnikov, e a inscrição “nenhum Deus senão Alá”.

Perguntei preocupado se era paranóia minha, coisa da “mente preconceituosa” que possuo. Mas, dê tempo ao tempo e ele trata de esclarecer as coisas. E para mim estão cada vez mais claras.

Os rebeldes da Líbia que antes se intitulavam “revolucionários” agora já se auto-intitulam de mujahedin[1]. Antes gritavam palavras de ordem contra o regime do facínora Kadafi, agora partem para a guerra com seus fuzis, sob louvores de Allahu Akbar[2].

Não sou a favor do execrável Kadafi, mas também não tenho a má fé de esquecer que a região onde começou a luta armada contra o regime ditador perdulário, é a mesma que nos anos noventa foi palco de uma insurgência islâmica, e também não posso olvidar o fato de que o grupo Combatente Islamita na Líbia em 2007, uniu-se a organização terrorista Al-Qaeda.

"Hoje, com a graça de Alá, a nação muçulmana presencia um passo bendito... honoráveis membros do Grupo Combatente Islamita na Líbia anunciaram que se unem ao grupo Al-Qaeda para continuar a marcha de seus irmãos." "Ó nação da Jihad, apóia a teus filhos para que derrotemos nossos inimigos e livremos nossa terra de seus escravos". (Ayman al-Zawahr N° 2 da Al-Qaeda em declaração no ano de 2007)[3].

Enquanto isso, a minha “mente islamofobica” continua observando atentamente os passos dos barbudos, de traços árabes, que usam roupas típicas muçulmanas e recitam versículos do Corão. Não que isso seja característica de um terrorista, é apenas uma mera e inquietante coincidência que todos possuam as mesmas particularidades.


[1] http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,forcas-de-kadafi-reagem-e-enfrentam-exercito-rebelde-em-cidade-petrolifera,686598,0.htm
[2] http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,recusa-de-pilotos-de-atacar-rebeldes-marca-derrota-de-forcas-pro-kadafi,686824,0.htm
[3] http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,numero-2-da-al-qaeda-acusa-presidente-libio-de-inimigo-do-isla,74865,0.htm

Jefferson Nóbrega Blog O Candango Conservador

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Movimento islâmico assassina padre polaco na Tunisia

Um país que chegou a ser catalogado como um país "tolerante" mergulha agora no obscurantismo islâmico e tudo o que ele representa.

O Padre Marek Marius Rybinski – missionário salesiano polaco - foi encontrado morto no parque de estacionamento da escola Salesiana local. A sua garganta havia sido cortada.
A Da Mihi Animas reportou:
Um bispo Católico na Tunísia expressou receios de um crescimento do extremismo islâmico depois do corpo dum missionário Católico de 34 anos ter sido encontrado no dia 18, brutalmente assassinado.
Enquanto os protestos locais tiveram lugar depois do assassinato, o Arcebispo Lahham Marun Elias de Tunis disse à Radio Vaticano no dia 19 de Fevereiro que acredita que um "movimento islâmico" direccionado contra todos os "não-muçulmanos" está a crescer em influência no país.
Embora a Associated Press tenha reportado que a sua garganta havia sido cortada, a agência noticiosa Fides reportou que o padre havia sido decapitado.
Este é o segundo líder católico encontrado morto recentemente, durante este período de tumulto social na Tunísia e no resto do norte de África.
 

Como é normal, os órgãos de informação esquerdistas pouco caso fazem deste tipo de notícia e do facto do mesmo se verificar sempre que uma nação decide seguir a via islâmica.
Agora, se um homossexual é morto no Uganda, os órgãos de informação mundial não pestanejam por um momento: aproveitam logo a notícia como forma de atacar a ideologia inimiga: o Cristianismo.
Neste caso, como quem foi morto foi um Cristão, os média internacionais não querem tornar os mesmos em vítimas, e mostrar ao mundo o que acontece a quem resiste ao islamismo.

Notícia e texto do blog Perigo Islâmico

Clique aqui e siga o De olho na Jihad no Twitter   

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Inspirados pela Tunísia, egípcios organizam megaprotesto contra governo

Tunisianos devem organizar passeata em solidariedade aos egípcios

Embalados pelos protestos populares que sacudiram a Tunísia no início deste mês, milhares de egípcios planejam conduzir nesta terça-feira uma grande manifestação para exigir reformas políticas no país.

O evento, intitulado "Dia da revolução contra a tortura, corrupção, pobreza e desemprego", deverá contar com a participação de grupos sindicais, militantes islâmicos e até membros de torcidas de futebol.

Os organizadores pretendem se valer da insatisfação popular contra as forças de segurança egípcias, acusadas de torturar e tratar com truculência opositores, para atrair manifestantes em vários pontos do país e forçar concessões do governo.

Eles se espelham em acontecimentos recentes na Tunísia, onde uma onda de protestos levou à renúncia do presidente Zine El Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro.

Apoio

Também devem ocorrer protestos em apoio à causa em Londres e em Washington. Manifestantes tunisianos se comprometeram a participar das passeatas em solidariedade aos egípcios.

As manifestações têm três objetivos principais: suspender a lei de emergência que vigora permanentemente no país (e que viola liberdades civis), forçar a saída do ministro do Interior e impor um limite temporal ao mandato presidencial.

Assim, esperam pôr um fim ao governo do presidente Hosni Mubarak, no poder há três décadas.

A Irmandade Islâmica, principal grupo opositor ao governo, disse que apoiará a manifestação, que também prevê a realização de greves e paralisações em vários pontos do país.

Boa parte dos partidos opositores anunciou apoio ao protesto, e ao menos 87 mil pessoas disseram numa página da rede social Facebook que participarão do evento.

Autoridades egípcias, no entanto, disseram que a manifestação é ilegal e que reagirão de forma "severa" com os participantes.

Em resposta ao protesto, simpatizantes de Mubarak se organizaram sob o slogan "Mubarak: a segurança do Egito". Eles pretendem conduzir passeatas paralelas em defesa do governo e "contra a destruição das instituições estatais pregada pela oposição".

Insatisfação

O analista político libanês Rami Khouri, do Instituto Fares da Universidade Americana de Beirute, disse à BBC Brasil que governos totalitários no norte da África e no Oriente Médio enfrentam insatisfação popular cada vez maior com a falta de soluções para os problemas econômicos e sociais e de liberdades individuais.

"O problema que assola a região é comum a todos -, a atual ordem política e econômica do mundo árabe, que é instável e insustentável, porque traz insatisfação para a imensa maioria de seus cidadãos", afirma.

De acordo com Khouri, a região vive um renascimento do ativismo árabe entre as populações mais jovens e mais conscientes, com fome de liberdades individuais, emprego e desenvolvimento.

Auto-imolação

O clima de tensão na Tunísia começou no dia 17 de dezembro, quando o desempregado Sidi Bouzeid, de 26 anos e com formação superior, foi abordado por policiais enquanto vendia verduras na rua. Após ter sua mercadoria apreendida, foi impedido de prestar queixa.

O jovem ateou fogo ao próprio corpo e morreu dias depois no hospital. A morte de Bouzeid iniciou uma série de protestos que se espalharam rapidamente pelo país e a capital Túnis.

Centenas de milhares de pessoas, entre estudantes, sindicatos e partidos de oposição, passaram a protestar contra o desemprego, corrupção e falta de democracia. Ao menos 78 pessoas morreram durante as manifestações, que se estenderam por um mês.

Pressionado, o presidente Zine El Abidine Ben Ali, que ocupava o poder desde 1987, renunciou e fugiu para a Arábia Saudita.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Gilles Lapouge - O Estado de S.Paulo

O ditador Zine El Abidine Ben Ali e sua mulher, Leila, fugiram com 1,5 tonelada de ouro na bagagem. A nova Tunísia está dividida entre a esperança de democracia e a ameaça da anarquia ou do islamismo. Um dos mais belos países do Magreb desperta, de repente, de um pesadelo. É um romance fantástico cujos capítulos se desenrolam sob nossos olhos atônitos.

Não somos os únicos a tentar entender as imagens de Túnis. Todo o mundo árabe está de olho na "Revolução do Jasmim", flor nacional tunisiana. Mas, evidentemente, o olhar do homem comum é diferente daqueles que se recostam em palácios. Para o povo, a Tunísia é uma esperança. Para quem está no poder, uma calamidade.

É claro que a situação nos países árabes varia muito. A Tunísia, uma nação culta, burguesa e pacífica, não tem nenhuma semelhança com a Argélia, país violento, nervoso, infectado pelo vírus do islamismo. Ou com o Egito, sufocado pelo regime de Hosni Mubarak. No entanto, eles se parecem em pelo menos um ponto: estão submetidos a poderes ferozes que raramente se renovam. Na Argélia, Abdelaziz Bouteflika reina há 11 anos. No Egito, Mubarak está no poder há três décadas.

Com o fim da União Soviética, a democracia evoluiu em todas as partes, até mesmo no mundo árabe. As populações acabaram se resignando. Para elas, as ditaduras são eternas. Nesse sentido, os tumultos da Tunísia apavoram os déspotas. Os jovens burgueses cultos de Túnis, que enfrentaram heroicamente uma polícia imunda, mostraram que o poder, ainda que cruel, não é um direito divino. E os ditadores, às vezes, fogem como ladrões.

Na Tunísia, a revolta foi desencadeada há um mês pelo suicídio de um jovem com formação universitária que vendia legumes na rua e teve o carrinho confiscado por um policial idiota. O jovem ateou fogo ao corpo. Na Argélia, no domingo, um desempregado de 37 anos também se matou assim. No Egito, outro desempregado ateou fogo ao corpo diante do Parlamento. No Iêmen, estudantes protestaram. Na Jordânia, 3 mil trabalhadores sindicalizados, islâmicos e militantes de esquerda, insurgiram-se contra a corrupção. No Marrocos, o rei proibiu uma manifestação de apoio aos tunisianos.

A Liga Árabe reúne-se em março em Bagdá. Ela manterá uma posição "discreta". A organização reúne os líderes corruptos de países muito pobres e ameaçados pela secessão, como Iêmen e Sudão, esclerosados, como Argélia e Síria, ou dilacerados, como Líbano, Iraque e Palestina.

É inútil dizer que o milagre tunisiano não se repetirá facilmente. Também é preciso avaliar os perigos de eventuais distúrbios. Dois riscos assombram os países que se livraram da ditadura: a anarquia, consequência de anos de partido único, e o islamismo, presente em grupos como a Irmandade Muçulmana, no Egito, e o GIA, na Argélia. Um embaixador árabe em Paris declarou ontem ao jornal Le Monde que "a revolução tunisiana ilustra uma crise do Estado árabe que não é mais possível esconder". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Al Qaida operando frota de Boeings 727 para transportar drogas da América do Sul para a África e Europa




WASHINGTON — A rede da Al Qaida no Norte da África tem tido acesso a aeronaves de origem ocidental.

Autoridades dizem que a Organização Al Qaida do Magreb Islâmico está usando aeronaves ocidentais para o tráfico de drogas e talvez de armas. Elas dizem que os serviços de inteligência Americanos comprovaram que a AQMI colaborou no acesso de uma frota de jatos de passageiros Boeing vindos da América do Sul a áreas remotas do Norte da África e do Sahel.

"Isto não é novidade, mas o uso de aeronaves pela AQMIT aumentou de forma constante, até um ponto em que está se tornando uma grande ameaça regional," disse uma autoridade.

Autoridades dizem que os serviços de inteligência americanos identificaram pela primeira vez o uso de jatos Boeing 727 por parte da AQMI para o tráfico de drogas já em 2006. Elas reconheceram que a ameaça foi minimizada pelo governo americano, pricipalmente pelo Departamento de Segurança Nacional.

A AQIM expandiu significativamente o seu uso de jatos para transportar cocaína  e armas para países como o Mali e a Mauritânia. As autoridades disseram que as armas eram usadas na guerra da Al Qaída contra a Argélia e os interesses ocidentais, enquanto que a cocaína seria para financiar operações de insurgência.

"Os aviões têm sido de propriedade de terroristas e traficantes sul-americanos e a AQMI opera os vôos, o translado da carga e o contrabando para a Europa," disse a autoridade. "A AQMI poderia usar os aviões para suas operações depois de eles aterrissarem no Norte da África."

Em 2008, o Departamento de Segurança Nacional elaborou um relatório confidencial sobre a colaboração da AQMI com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, conhecidas como FARC. O relatório, que parece ter sido ignorado, alertou que ambas organizações estavam usando aviões de dois motores a turboélice, no que foi chamado de "o acontecimento mais significativo no uso criminoso de aeronaves desde 11 de setembro."

Revelou-se que a frota à disposição da AQIM consiste de cerca de uma dezena de jatos, incluindo Boeings 727. As aeronaves da Boeing, que poderiam transportar 10 toneladas de carga, provavelmente juntaram-se à frota em 2009.

A frota de aeronaves foi descoberta no Marrocos em outubro de 2010, quando o reino norte-africano anunciou o desmantelamento de uma célula da AQMI. Rabat informou que 34 suspeitos foram acusados de trabalharem com aeronaves da América do Sul usadas para o tráfico de drogas. O governo do Marrocos disse que a AQMI destruiu um dos Boeings 727 depois que o combustível adquirido para um outro vôo revelou-se incompatível.

Autoridades disseram que a AQMI estava alferindo dezenas de milhões de dólares de lucro com o tráfico de drogas a partir da América do Sul. Elas disseram que isto facilitou a as operações da AQMI, o recrutamento e a criação de refúgios para terroristas em países como o Mali, a Mauritânia e a Nigéria.

A rota do tráfico, que, segundo informações, envolve pelo menos 250 pessoas, incluia a Argélia, a Líbia, o Mali, a Mauritânia, o Marrocos, a Nigéria e a Tunísia.

As autoridades disseram que uma ou várias das rotas do tráfico terminavam na Espanha.

"Isto não só tornou a AQMI rica, mas tranformou terroristas em multi-milionários," disse a autoridade.

World Tribune, 16 de novembro de 2010
Original article / Artigo original
Tradução: DEXTRA

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