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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Nova Iorque: Na "Parada Muçulmana" bandeiras da Jihad tremulam

Ontem foi um dia histórico para os muçulmanos de Nova York, pois o Muslim Day Parade ganhou as ruas da cidade. Com o tema “Contribuição do Islã para a civilização humana”, eles foram para as ruas para mostrar o quanto são pacíficos e incompreendidos.

E em meio a toda aquela moderação lá está tremulando ao vento, a bandeira da Jihad. A bandeira ostentada pela Al Qaeda e outros grupos jihadistas islâmicos. A bandeira do terrorismo. Veja as imagens do Urban Infidel e do FrontPage Magazine:


A bandeira branca, segundo os muçulmanos, é a bandeira de Maomé, pode até ser, mas hoje ela é usada pelos jihadistas e salafistas como representação do Grande Califado Islâmico. Ou seja, os moderados manifestantes, ao portar a bandeira demonstraram que consideram Nova York como território do califado.



Mas, lá havia outra bandeira sendo ostentada, a bandeira da Guerra Santa, a mesma usada pela Al Qaeda:


E na mesma cidade onde a Al Qaeda cometeu o terrível atentado de 11 de setembro, a bandeira terrorista tremulou livremente em meio aos moderados e adeptos da religião da paz.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Egito: Na aclamada "primavera árabe" 35 já morreram no terceiro dia de protestos

Os confrontos entre manifestantes e policiais no Egito já mataram 33 pessoas nos últimos três dias no país, segundo funcionários de necrotérios consultados pela France Presse nesta segunda-feira. O Ministério da Saúde havia confirmado 22 mortes.


Centenas de pessoas se feriram durante os protestos no Cairo, em Alexandria e na cidade de Suez. A polícia reprime com violência manifestantes que exigem o fim do regime militar, porém centenas de manifestantes seguem nesta segunda-feira na Praça Tahrir - centro simbólico das manifestações que derrubaram o regime do ditador Hosni Mubarak em fevereiro.
 
 
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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Irmandade Muçulmana apoia intervenção militar da Turquia na Síria

ISTAMBUL - O líder exilado da Irmandade Muçulmana da Síria, Mohammad Riad Shakfa, disse nesta quinta-feira, 17, que seus compatriotas deveriam aceitar a "intervenção" da Turquia no país para solucionar meses de massacre sangrento. Shafka fez o pedido em Istambul, no mesmo dia em que primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, insistiu para que a comunidade internacional tome um papel mais forte contra o regime sírio.

"Nós poderemos pedir mais à Turquia, como um país vizinho", disse Shakfa, sem entrar em detalhes. O diário pró-governamental Sabah reportou nesta quinta-feira que o Conselho Nacional da Síria, que reúne grupos opositores na Turquia, ao lado da Irmandade Muçulmana Síria, poderá pedir ao governo turco que imponha uma zona de exclusão aérea sobre a Síria para proteger civis sírios na região de fronteira com a Turquia.

"O povo sírio deveria aceitar uma intervenção vinda da Turquia, em vez do Ocidente, se seu objetivo é proteger as pessoas", afirmou Shafka numa coletiva de imprensa.

Já Erdogan disse, em outro evento, que o mundo precisa "ouvir os gritos" da Síria urgentemente e "fazer algo para acabar com o derramamento de sangue". Erdogan fez as declarações em uma conferência internacional sobre energia em Istambul. Ele acrescentou serem necessárias medidas segurança para o fornecimento de energia e para a paz mundial.

Apesar de não especificar que ações seriam estas, ele pediu que a comunidade internacional se sensibilize com a condição do povo sírio da mesma forma com que fez com a Líbia. Ele disse que "a falta de reação aos massacres na Síria estão causando feridas irreparáveis na consciência da humanidade".

A Turquia cancelou na terça-feira a exploração de cinco poços de petróleo na Síria, um trabalho que seria conjunto com a estatal petrolífera síria, e ameaça cortar o fornecimento de energia elétrica ao país vizinho. Além disso, militares sírios que desertaram atravessaram a fronteira e se refugiaram na Turquia.

Fonte: Estadão


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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

ISRAEL É O VERDADEIRO ALVO DA “PRIMAVERA” ÁRABE

HEITOR DE PAOLA

22/09/2011

Não é por acaso nem pura coincidência que a erroneamente chamada “primavera árabe” coincide com o pedido de reconhecimento de uma nação palestina pela ONU ainda nesta semana[1]. É impressionante e deprimente como se comportam alguns Judeus, tanto em Israel como na Diáspora – e alguns goym Sionistas – ao entoar loas a uma falsa primavera que, como já afirmei antes, pode se transformar em inverno – ou num verdadeiro inferno para Israel e o povo Judeu. Parecem tomados por uma crença delirante de que o que vier depois só poderá ser melhor. Também defendo a liberdade, não necessariamente a democracia, este conceito amplo e nebuloso como o leito de Procusto, e o fim de ditaduras. Mas não se trata disto agora e sim de defender a própria existência de Israel e a integridade física de seus habitantes.

Qualquer pessoa que consiga raciocinar um pouco sabe muito bem que esta história de “manifestações espontâneas” é pura balela. Então, algumas perguntas se impõem: quem são exatamente os manifestantes? Como se organizam e se financiam? Como planejam táticas e estratégias militares, inclusive problemas logísticos complexos? Como estabelecem meios de comunicação eficientes, alguns até mesmo altamente sofisticados (que ninguém me venha com a resposta: são as “redes sociais”!)?

No Egito o povo está cada vez mais descrente da liderança militar, o Supreme Council of the Armed Forces (SCAF). Por esta razão o maior e mais poderoso grupo islâmico, a Fraternidade Islâmica (FI) sobe continuamente o tom de suas queixas e aspirações, particularmente no que toca às eleições, a Constituição e as relações com Israel e ao aproveitar esta oportunidade seu poder e popularidade crescem exponencialmente e possivelmente conseguirão unir os diversos grupos islâmicos contra os militares – e obviamente, contra Israel. Desde o incidente de Eilat os sentimentos anti-sionistas cresceram em todos os segmentos da sociedade egípcia, o que motivou a invasão da Embaixada israelense. Como a SCAF ajudou a retirar o pessoal, a população acusa os militares de correrem para salvar israelenses e manter o acordo de paz com Israel, numa reação muito mas forte do que quando morreram egípcios no incidente de Eilat[2].

A situação na Síria é mais confusa do que parece à primeira vista. Alguns cenários possíveis são: um prolongado estado de crise com a queda de Assad uma crise dentro do regime e da população Alawita que controla o exército, e uma oposição com apoio estrangeiro que seja suficientemente forte para derrubar o regime. Tal apoio viria de duas fontes: Turquia e Irã, num novo round entre sunitas e xi’itas pelo domínio da região. Do Irã já se sabe o que esperar, principalmente com xi’itas pró-Irã na fronteira de Israel. Com a Turquia as tensões diplomáticas vêm crescendo, deixando Israel diplomaticamente isolado. Não se sabe até que ponto a Turquia pretende expandir sua influência no Mediterrâneo oriental, mas a recente visita de Erdogan indica talvez um sonho turco que restaurar uma nova versão do Império Otomano. Há também indícios de que Erdogan pode mandar outra “flotilha humanitária” escoltada pela Armada turca.

A Líbia está ameaçada por um islamismo radical extremista com a possível queda de Kadhafi, inclusive por grupos ligados à Al Qaeda, o Al-Qaeda in the Islamic Maghreb (AQIM)[3], o que representa uma preocupação para a Argélia, berço deste grupo.

Quanto aos grupos terrorista Hamas, Hesbollah e outros, precisamos dar uma olhada no passado e na organização da qual se originaram. Desde sua fundação a OLP teve três objetivos principais:

1- Fustigar Israel através do terror

2- Cultivar uma quinta coluna dentro do país que lutasse por uma paz humilhante, de joelhos e que pudesse ser usada no caso de invasão, a mesma tática usada pelos nazistas nos diversos países que vieram a invadir.

3- Convencer Israel e o mundo de que as verdadeiras intenções dos países árabes de maioria muçulmana, os persas e os turcos não eram terroristas, mas somente queriam destruir Israel em nome dos “direitos do povo palestino”.

A Liga Árabe jamais acreditou um estado palestino independente: a Jordânia já tinha anexado a Margem Ocidental, a Cisjordânia, Gaza estava em mãos egípcias. Ao criar a OLP seu propósito era poder cruzar a fronteira de Israel para conduzir ataques dentro de seu território, sem que fosse possível a ONU ou qualquer país responsabilizar as nações componentes da Liga por aqueles ataques. A “nacionalidade palestina” é apenas cortina de fumaça para encobrir a intenção de “jogar os Judeus ao mar”!

O Artigo 24 da Carta da OLP diz: Esta Organização não exerce nenhum poder territorial sobre a Margem Ocidental do Reino Hachemita da Jordânia, nem sobre a Faixa de Gaza ou sobre a Himmah. Suas atividades serão no nível das organizações populares e no campo financeiro.

Somente depois de 1967 a OLP passou a falar sobre os “direitos do povo palestino” e paulatinamente foi sendo instilada nos corações e mentes ocidentais o direito à autodeterminação e finalmente chegamos à atual declaração unilateral de independência. E isto virá a ocorrer, se não imediatamente, em médio prazo. Dia 22 Obama declarou à ONU que os EUA “antevêem um futuro no qual os palestinos viverão num estado soberano todo seu, sem limites do que possam atingir por si mesmos” (CNN).

Realmente, há um ano a Autoridade Palestina vem anunciando esta iniciativa e Obama não tomou nenhuma providência diplomática para convencer outros países a votar contra. Inúmeros países poderiam votar “NÃO”, mas como não houve pressão americana, se sentem livres para votar “SIM”, ou se abster, aguardando um eventual veto americano no CS, largando a batata quente nas mãos de Obama enquanto posam de amigos progressistas e humanitários do mundo árabe e do Islam. Mas somente pressões eleitoreiras o forçarão a vetar no Conselho de Segurança[4]. 







[1] Quando este artigo foi escrito ainda não tinha sido apresentada oficialmente a proposição. Porém Mahmoud Abbas declarou a Obama (21/09) que não esperava que a ONU tomasse uma decisão imediatamente pois “haverá grandes confrontos no dia da discussão” (marcada para 23), e acrescentou que “continuará exercendo pressão sobre Obama, Israel e a ONU”.



 


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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Comunidade cristã síria apoia Assad

DAMASCO - O Estado de S.Paulo

Temendo um regime radical sunita, os cristãos da Síria estão entre os mais árduos defensores de Bashar Assad. Segundo uma série de seguidores e líderes cristãos, a queda do líder sírio poderia significar o fim do cristianismo nas terras de São Paulo e do túmulo de São João Batista, dentro da Mesquita dos Omíadas.

"Todos os dias, das 5 horas às 7 horas, rezamos pela estabilidade de Assad no poder. Queremos tranquilidade. O que os EUA e a França querem? Diga a eles que vivemos bem. O nosso presidente é muito bom. O Exército está preparado para respeitar a religião cristã", afirmou a madre Frevonia Nabham, uma cristã grego-ortodoxa, chefe do convento de Sadnaya, o mais importante do país. Ela fez questão de mostrar os quadros de Assad, um muçulmano alauita de viés laico, em meio a imagens de santos na parede. George, um cristão siríaco-ortodoxo de Damasco, disse que "os alauitas, como Assad, entendem as liberdades dos cristãos". "Mas isso acabará se os sunitas chegarem ao poder. Estamos com muito medo do que pode acontecer se Bashar for derrubado. Gostamos muito dele e o defenderemos até o fim."

Assim como o Líbano, a Síria é um dos últimos redutos onde os cristãos ainda são fortes no Oriente Médio. Os do Iraque passaram a ser perseguidos depois da ocupação americana e a queda de Saddam Hussein; igrejas são queimadas no Egito; e os palestinos de cidades como Belém saem culpando a ocupação israelense da Cisjordânia e o radicalismo do Hamas na Faixa de Gaza. A preocupação com o destino dos cristãos levou até mesmo o patriarca da Igreja Cristã Maronita no Líbano, Beshara Rai, a defender Assad em uma série de declarações. Os patriarcas cristãos ortodoxo grego, católico grego, siríaco e assírio de Damasco manifestaram abertamente apoio ao líder sírio. Caldeus, fugindo do Iraque, também dizem que a Síria é seu último refúgio. Armênios fazem questão de afirmar que os sírios e os libaneses os receberam depois do genocídio turco.

Conspiração. Entre os cristãos da Síria, que representam cerca de 10% da população, ganha força uma teoria de conspiração, propagada pela imprensa oficial, envolvendo um suposto plano de França, EUA, Arábia Saudita e Israel para expulsar os cristãos do mundo árabe. E, segundo eles, além de Assad, quase ninguém apoia esses cristãos sírios, palestinos, libaneses e iraquianos - no Líbano, porém, o líder sírio sofre oposição de algumas facções políticas cristãs.

"(Nicolas) Sarkozy disse que nos dá passaporte e visto. Quem disse que queremos? Somos cristãos e estamos bem aqui, com Assad. Não queremos os EUA e a Europa se metendo nas nossas vidas. Somos cristãos e sírios. Mas os americanos e franceses querem nos tirar daqui. Querem limpar essa região dos cristãos", afirmou Youssef Massad, líder dos moradores da cidade de Maloulla, um dos centros do cristianismo oriental que ainda mantém o aramaico como idioma das conversas do dia a dia.

Procurada, a missão francesa na ONU afirmou que essas declarações são absurdas. Historicamente, a França sempre defendeu o cristianismo no Líbano e na Síria.

Para os cristãos sírios, o Brasil é fundamental para a salvação deles neste momento porque o país contém uma das maiores comunidades de imigrantes sírios em todo o mundo. "Avise aos brasileiros que os cristãos da Síria apoiam Bashar", disse o cristão Michel Khoury, em Damasco.

Massad, dos cristãos de Maloulla, também atacou os opositores. "Falo de boca cheia. Eles pedem liberdade? Para quê? Querem democracia? Para quê? Eles não dão liberdade nem mesmo para as famílias deles. Minha mulher e minha filha podem se vestir do jeito que quiserem. E as deles?", questionou, em clara alusão aos radicais islâmicos sunitas - como tem sido pintada a oposição síria internamente. / G.C.
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"Primavera árabe” é isto: governo egípcio massacra cristãos.

Pois é… Às vezes se paga um tanto por enxergar um pouco além da bruma - inclusive das brumas da esperança… Mas se paga mesmo um alto preço por ir além da espessa nuvem da tolice. Assim é com a dita “Primavera Árabe”, aquele movimento que Arnaldo Jabor colou outro dia a Steve Jobs, por arte daquele mecanismo de pensamento em que uma coisa leva à outra, sem que precise haver entre elas nexo lógico: tudo se resolve com uma metáfora, um joguinho de palavras qualquer, um chiste metafísico. Pois é. 

A polícia matou ontem no Egito 23 pessoas num conflito entre cristãos coptas - que compõem 10% da população do país - e as forças de segurança. Era a velho método Mubarak, só que, desta feita, matando gente sem muita importância: eram… apenas cristãos! Milhares de pessoas protestavam contra um ataque ocorrido contra uma igreja - um entre centenas.

Desde o início da badalada “revolução egípcia”, casas e templos dos cristãos têm sido incendiados por milícias radicais árabes. O novo governo é, para dizer pouco, tolerante. Os cristão decidiram demonstrar sua insatisfação - com protestos um tanto violentos, parece. Seja como for, a junta que governa o país - os iluministas do Jabor - deram uma de Bashar Al Assad. O que são 23 cristãos massacrados diante da democracia árabe, não é mesmo? Morressem 23 palestinos um conflito com Israel, o mundo viria abaixo. O caso é o seguinte: palestinos tem pedigree humanista; cristãos do Egito não têm…

Isso estava escrito nas estrelas - ou, se quiserem, no Crescente Verde. No fim de março, Duda Teixeira, de VEJA, entrevistou Esam El-Erian, porta-voz da Irmandade Muçulmana no Egito, e ele deixou claro que seu grupo tem como objetivo assumir o poder no país no prazo de cinco anos e que tem uma agenda pronta para quando isso ocorrer. A entrevista foi feita no escritório de El-Erian na capital egípcia, próximo a um hospital popular sustentado pela Irmandade. E-Erian eviodencia ter o controle de milícias, acusa os partidários de Mubarak de incendiar as igrejas e censura as próprias vítimas!!!  Leiam a entrevista. Volto em seguida.

A irmandade pretende construir um estado islâmico no Egito, a exemplo do que ocorreu no Irã após a revolução de 1979? Criará leis para proibir o consumo de álcool ou saias curtas, por exemplo?
O Egito não é o Irã. Não é a Arábia Saudita. Não é a Turquia.

Então, qual é o objetivo político da Irmandade Muçulmana?
Isso depende da atmosfera e do contexto em que nos encontrarmos. Atualmente, nossa meta é conseguir a unidade nacional e instituir uma nova ordem no Egito. Isso significa uma nova Constituição, leis melhores e a retomada da economia, o que será muito importante nos próximos cinco anos.

Por que cinco anos?
Alguns políticos dizem que a transição vai durar seis meses. Outros falam em um ano. Nós achamos que essas estimativas estão equivocadas. A transição vai demorar cinco anos.

Por que a Irmandade declara que não almeja mais do que um terço das cadeiras no próximo Parlamento, cuja eleição deve ocorrer neste ano?
Nós não queremos a maioria no Congresso.

Por que não?
Porque, como eu disse, este é um momento de união, não de competição.

Será sempre assim? A Irmandade nunca vai querer mais do que um terço do Congresso?
Esta é a nossa estratégia há 25 anos. Estamos em um momento de transição, preparando o país para nossa próxima estratégia, a qual será iniciada após cinco anos. Só então haverá competição. Agora não há tempo para isso. O momento atual é de união.

Qual é o projeto de país da Irmandade Muçulmana para daqui a cinco anos, quando acabar o período que o senhor considera de união entre as forcas políticas?
Por favor, pare de fazer essas perguntas. Volte daqui a cinco anos e faça essa mesma indagação. Daí, sim, eu responderei (EI-Erian dá uma risada).

Como será o Egito daqui a cinco anos?
Por favor…

Que opinião o senhor tem a respeito das brigas recentes entre muçulmanos e cristãos coptas?
Isso é a contrarrevolução.

O Egito conseguirá manter-se estável durante essa transição, mesmo com esses conflitos religiosos?
Se conseguirmos evitar as intervenções de americanos e de israelenses, será muito bom. São eles os grandes perdedores dessa revolução, e não Hosni Mubarak.

O senhor está dizendo que americanos e israelenses incentivam as disputas religiosas?
Claro! Mubarak era um parceiro estratégico para eles.

Se é assim, por que americanos e israelenses não agem para permitir que Mubarak volte ao poder?
Se ele fizer isso, será morto.

Morto?
Depois de um julgamento, claro.

Eu e meu fotógrafo viajamos até Soul, onde uma igreja e casas de cristãos foram incendiadas. Os moradores muçulmanos nos impediram de entrar na vila, acusaram-nos de ser espiões estrangeiros e nos ameaçaram… Parece-me improvável que estivessem a serviço de americanos e israelenses.
Se quiser, posso dar o telefone de uma pessoa na vila de Soul para acompanhá-los em segurança.

Quem está ateando fogo às igrejas?
O pessoal do Partido Nacional Democrático (de Mubarak), os agentes da segurança de estado e os criminosos. Estou triste porque bispos e o papa Shenouda III (da Igreja Ortodoxa Copia) apareceram em público para reclamar dos ataques apresentando-se como cristãos. Isso não é bom.

Eles não podem declarar abertamente sua fé?
Os cristãos devem se defender como civis, não em nome de um setor da sociedade. Somos todos egípcios.

O clérigo muçulmano Yusuf al Qaradawi, apresentador de um programa na rede Al Jazira, do Catar e membro da Irmandade Muçulmana, diz que o marido tem o direito de bater na mulher, defende os atentados suicidas e acredita que os países islâmicos devem ter armas nucleares para aterrorizar inimigos. Qual será o papel de Qaradawi no novo Egito?
Ele visitou nosso país, ficou por três dias e voltou ao Catar. Aqui, é apenas uma voz entre muitas outras. Qaradawi apresentou um islamismo moderado, tolerante e pacífico para muitas pessoas. Por isso, muita gente confia nele. É um sábio.

Voltei
 
Eis aí. Os cretinos acreditam que uma “revolução” feita com alguma (não mais do que isso) influência do Facebook ou do Twitter será necessariamente progressista, como se esses canais não facilitassem também a divulgação de coisas estúpidas. No irã pré-revolucionário, as mensagens do aiatolá Khomeini, o fascissta islãmico, eram passadas em fitas-cassete, a modernidade possível. A chamada “Primavera Árabe”, já comentei aqui, tem muito de inverno da esperança. Por enquanto, quem está vencendo a parada são os sectários.

Então vamos aborrecer dizendo tudo. O sanguinário Bashar Al Assad mata na Síria para conservar o poder. Está enfrentando milícias armadas. EUA, França e Reino Unido estão chocadíssimos. A Junta Militar que governa o Egito massacra - e não é a primeira vez - cristãos desarmados. E haverá, no máximo, um muxoxo. Se houver.

O cristianismo, a religião mais perseguida no mundo hoje, pode ceder mais alguns mortos à causa islâmica diante dos bananas do Ocidente, não é? Convenham… Não será a primeira vez.

Por Reinaldo Azevedo - Revista Veja

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Egito: radicalização da “Primavera Árabe”

Por Paul De Maeyer

ROMA, terça-feira, 20 de setembro de 2011 (ZENIT.org) – Um desastre evitado por um triz: o primeiro ministro israelense Benjamin Netanyahu resumiu assim o ataque à embaixada do seu país na capital egípcia, que deixou pelo menos três mortos e centenas de feridos e presos. A agressão contra a sede diplomática, que, segundo Netanyahu, “simboliza a paz entre nós e o Egito” (The Guardian, 11 de setembro), começou depois da tradicional oração da sexta-feira e do agora também tradicional protesto na Praça Tahrir, quando centenas de manifestantes se dirigiram contra a embaixada e tentaram derrubar o novo muro de proteção construído ao redor do edifício.

Apesar da presença policial, dezenas de manifestantes conseguiram arrombar as portas e invadir a embaixada. A intervenção das forças especiais egípcias evitou o pior, conseguindo proteger os funcionários diplomáticos israelense, entre os quais o embaixador Yitzhak Levanon.

Alguns grupos de manifestantes tentaram chegar também à embaixada da Arábia Saudita. A ira dos manifestantes, aparentemente, foi pela construção do próprio muro de proteção. O porta-voz da Igreja Católica no Egito, padre Rafic Greche, definiu o muro como “uma ideia infeliz” (AsiaNews, 10 de setembro). Segundo o padre, “isto criou a mesma impressão que o muro construído por Israel na Cisjordânia”.

Faz semanas que a tensão na área era visível, em consequência do homicídio, por erro, de vários guardas fronteiriços egípcios por parte do exército israelense, em 18 de agosto, depois de atentados na região turística de Eliat, no Mar Vermelho, quando sete cidadãos israelenses morreram.

Segundo analistas, entre eles o jornalista independente Jacques Benillouche, o ataque foi um ato “premeditado”, já que os manifestantes atacaram as forças da polícia com coquetéis molotov (Slate.fr, 10 de setembro). Da mesma opinião é o padre Giovanni, missionário comboniano que vive no Cairo. “É difícil pensar que foi espontâneo” (Fides, 12 de setembro). “Foi planejado. Os envolvidos foram recrutados em torcidas de futebol”.

Para o missionário, o ataque violento representa “um gesto de ruptura com o passado”. “Violaram um lugar 'sagrado', que no regime de Mubarak jamais teria sido atacado desse modo”. Segundo Clemens Wergin, do Welt Online (11 de setembro), o ataque é “um ponto de inflexão”: mostra que, mais de meio ano depois da queda de Hosni Mubarak, as revoluções árabes perderam a inocência e voltaram às “antigas receitas” para mobilizar as massas. “Quando as ideias se esgotam, eles incitam o povo contra Israel”.

Para o estado judeu, o ataque, além de lembrar o dramático sequestro na embaixada dos EUA em Teerã pelos revolucionários iranianos em novembro de 1979, acontece numa hora muito delicada. Não só a Autoridade Nacional Palestina (ANP) pretende pedir que as Nações Unidas reconheçam unilateralmente a Palestina, como ainda Israel está atravessando uma grave crise diplomática com um ex-aliado, a Turquia do combativo primeiro- ministro filo-islâmico Recep Tayyip Erdogan, que exige desculpas de Jerusalém pela abordagem do navio de ajuda humanitária para Gaza, em maio do ano passado, em incidente que matou nove cidadãos turcos.

Erdogan rompeu recentemente as relações diplomáticas com Israel. Como se não bastasse, iniciou no último 12 de setembro uma visita ao Egito, primeira etapa de uma viagem a outros países da Primavera Árabe como a Líbia e a Tunísia. Para muitos analistas, o objetivo do premier não é só reforçar as relações com as novas administrações da região, mas também promover a Turquia como nova potência líder do mundo muçulmano. O crescente isolamento de Israel parece fazer parte dessa “política hegemônica neo-otomana”, como definida por Shlomo Avineri, professor de Ciências Políticas na Universidade Hebraica de Jerusalém (The Washington Post, 11 de setembro).

Na terça-feira 13 de setembro, dirigindo-se aos ministros de Assuntos Exteriores da Liga Árabe, reunidos no Cairo, Erdogan comparou Israel com uma “criança mimada” e afirmou que antes de acabar o ano “veremos a Palestina em situação bem diferente” (BBC, 13 de setembro). “Devemos trabalhar de mãos dadas com os nossos irmãos palestinos. A causa palestina é a causa da dignidade humana”, continuou. “É hora de içar a bandeira palestina nas Nações Unidas”. O estado israelense, segundo o primeiro-ministro turco, sairá do seu isolamento “somente se agir como um estado razoável, responsável, sério e normal”.

Segundo o padre Greche, entre os envolvidos no ataque à embaixada havia gente com o alcorão na mão ou no bolso. Talvez seja apenas um detalhe, mas ganha muita importância no contexto das próximas eleições, previstas para setembro e adiadas para novembro. Segundo pesquisas, as forças islamistas, desde os Irmãos Muçulmanos até o Partido da Luz dos Salafitas, poderiam acabar com todas as outras propostas. Seria um “desastre geopolítico”, fruto do “devastador vazio de poder” que prevalece hoje no Cairo, escreveu Franco Venturini no Corriere della Sera (11 de setembro). “O Egito não está caminhando para a democracia, mas para a islamização”, alerta sem hesitar o ex-embaixador israelense no Cairo, Eli Shaked: “É o mesmo caso da Turquia e de Gaza. O mesmo que aconteceu no Irã em 1979” (The New York Times, 10 de setembro).

A perspectiva de uma possível vitória dos islamistas preocupa a comunidade cristã do Egito. O povo, segundo o patriarca católico de Alexandria dos coptas, cardeal Antonios Naguib, “segue o que pregam nas mesquitas. E os imãs falam todos de instaurar um estado religioso” (Terrasanta.net, 1º de setembro).

“Os partidos islâmicos só repetem que serão respeitados os direitos dos cristãos na base da lei islâmica. Eu não entendo a necessidade dessa premissa: que tudo deva ser regulado pela lei islâmica. Que igualdade é essa? Para mim, é uma contradição”, continuou o purpurado, que teme justamente uma volta aos tempos em que os não muçulmanos eram tolerados só como “infiéis protegidos” ou “dhimmi”, se pagavam um imposto suplementar, ou “jizya”.

Isso é o que querem alguns expoentes islamistas, entre os quais está o xeque salafita Adel el-Ghihadi. Em uma entrevista publicada no Rose al-Yusuf em agosto e definida como “delirante” por Giuseppe Caffulli (Terrasanta.net, 26 de agosto), o xeque e ex-combatente entre as filas dos talibãs no Afeganistão não tem dúvidas. “A revolução é vista à luz da religião e não do ponto de vista político. Para ser legal, deve se apoiar na sharia islâmica”, explicou. “Nosso plano de trabalho será exatamente governar o Egito sobre os princípios da lei islâmica. Portanto, completaremos a islamização das nações em torno a nós, enviando missionários muçulmanos ao Sudão e à Líbia. Depois passaremos Estado por Estado, para converter todos ao islã e fazer aceitar a sharia. Prepararemos um exército egípcio capaz de formar outros exércitos islâmicos, aos que Alá dará seguramente a vitória”.

Também no que diz respeito à presença dos chamados “infiéis” em terra egípcia, el-Ghihadi tem, infelizmente, as ideias muito claras. “Os cristãos e os judeus para nós são kafir, não crentes. Eu como muçulmano devo apoiar o muçulmano, antes do cristão. Os demais são considerados inimigos. Se não incomodam, podem ser tratados com certa benevolência. Sempre entro de certos limites”, afirmou, acrescentando, no entanto, que “os cristãos não devem ocupar um lugar de importância como o de juízes de tribunais, nem no exército, nem na polícia”. Para o xeque, “os cristãos são livres para rezar em suas igrejas. Mas se forem motivo de discórdia e houver problemas, eu as destruirei. Não posso contradizer minha religião para contentar as pessoas. Quem quer viver em um país de maioria muçulmana deve aceitar suas leis. Ou paga o tributo, ou se torna muçulmano, ou é morto”.

Lendo essas declarações, seria melhor falar de um “Inverno árabe”. Por outro lado, para ser precisos, a revolta na Tunísia começou entre o outono e o inverno, ou seja, 17 de dezembro de 2010, e a queda de Mubarak aconteceu em pleno inverno, no dia 11 de fevereiro passado...

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Análise estratégica das revoltas nos países árabes


Egyptian-women-in-TahrirEsperar que movimentos islâmicos instaurassem a democracia e a liberdade equivale a esperar que uma passeata de prostitutas restaure a moralidade.

Um jornalista (sic) que se autodenomina 'especialista' em Oriente Médio contestou a afirmação que fiz no último artigo de que os planos da Al Qaeda seriam facilmente endossados, com mínimas discordâncias, pela Fraternidade Islâmica e outros movimentos políticos, religiosos ou terroristas, pois segundo ele a Fraternidade não apóia grupos terroristas, nem tem vínculos com a Al Qaeda. Ora, um 'especialista' em Oriente Médio deve no mínimo entender alguma coisa de estratégia e saber que divergências táticas jamais impediram alianças estratégicas. Dei a ele a resposta que aqui coloquei em epígrafe. Como já adverti em artigos anteriores, as discussões diplomáticas e a avaliação estratégica dos países islâmicos não podem ser desenvolvidas com base em pré-concepções ocidentais exclusivamente judaico-cristãs, tais como democracia, liberdade, livre iniciativa, direitos trabalhistas e das minorias, etc. Estes conceitos e estas crenças não pertencem ao universo mental, conseqüentemente, nem à religião nem à ideologia islâmicas, totalmente baseadas na submissão a Allah e seu Profeta Mohamed tal como prescrita no Corão, nos Haddithim e na Sunna. Aqueles conceitos só podem ser aplicados aos povos ocidentais, nunca a quaisquer outros povos. Sejam hinduístas, xintoístas, budistas, animistas e outros todos os que falam em democracia o fazem dentro de parâmetros mentais totalmente diversos dos nossos, tornando as negociações numa conversa de surdos. Um conceito totalmente desconhecido fora do Ocidente é o de liberdade individual. Quando se negocia com estes outros povos deve-se levar em consideração que quando falam em liberdade estão se referindo a outra coisa qualquer, jamais à liberdade individual, para nós o bem maior. Para os muçulmanos, então, esta é completamente desconhecida e mais ainda: desejá-la é uma heresia, um atentado contra a submissão corânica.

Falta aos ocidentais o conhecimento de um princípio fundamental do Islam: al Taqiyya: 'o sagrado direito à fraude, de mentir em nome da maior glória de Allah. A falsidade para impedir as ofensas ao Islam, para se proteger, ou para promover a causa do Islam é aceita e estimulada pelo Corão e pela Sunna, incluindo a mentira sob juramento perante uma corte. Um muçulmano está autorizado a negar ou denunciar sua própria fé se, ao fazer isto, ele estiver protegendo os interesses do Islam, desde que, em seu coração, ele permaneça fiel'. A Taqiyya vem sendo usada desde o século VII para confundir e dividir o inimigo. É derivada dos antigos hábitos tribais beduínos[2]. Embora muitos estudiosos advoguem que seja um hábito puramente xi'ita, na verdade é inerente ao Islam como um todo.

Ibn Abbas comentava que "al-Taqiyya é uma expressão exclusivamente da língua, enquanto o coração permanece confortado com a fé". Significa que à língua é permitido expressar qualquer coisa, desde que o coração não seja afetado. Abd Ibn Hameed, sob a autoridade de al-Hassan, disse: "al-Taqiyya é permitida até o Dia do Juízo, somente então não poderá ser usado"[3]. É exatamente este estratagema que permite dizer que o Islam é uma 'religião de paz' enquanto matam mais dos que os comunistas e nazistas o fizeram[4].  

Origens dos distúrbios que afetam os países árabes [5]

A análise de Barry Rubin, Who Really Made Egypts Revolution?: The Story The Media Missed mostra a especificidade do discurso que animou a chamada "primavera da Praça Tahir'. Rubin não nega que alguns membros do movimento pediam eleições livres, o fim da ditadura de Mubarak e seus líderes visíveis genuinamente desejavam alguma forma de democracia e direitos humanos - mas não os direitos individuais.

"Porém os elementos bem organizados por trás das manifestações têm uma interpretação de democracia bastante diferente da definição Ocidental deste conceito (...) A idéia de que os inimigos daquela ditadura são radicalmente hostis ao Ocidente e favoráveis ao Islam nem passa pela cabeça dos observadores ocidentais".

Do ponto de vista da maioria dos militares egípcios e dos envolvidos na revolução o Islam é a única resposta contra a detestável ocidentalização dos costumes, com incremento da criminalidade e da injustiça. "Os militares vêem no Islam a resposta para os problemas de identidade, justiça social e estabilidade interna". Portanto, um Egito muçulmano é muito mais atraente do que o do ocidentalizado Mubarak, assim como o Xá era detestado no Irã e por sua tentativa de modernização é que foi derrubado. Mesmo que não queiram um Estado dominado pela Fraternidade, eles estão abertos para uma maior influência da mesma nas regras religiosas, ao mesmo tempo em que existe um profundo sentimento de ódio a Israel, à América e ao Ocidente.

O noticiário sobre a 'primavera árabe', a derrubada de ditadores e a imposição da democracia, dá mostras de refluir para as páginas centrais. Alguns, já começam a desconfiar que a tal primavera não passa de um inverno - ou inferno! Chinmaya R. Gharekhan publicou dia 22 de junho no The Hindu, um artigo intitulado Is Arab Spring wishful thinking?, no qual afirma:

"as expectativas e esperanças engendradas pelos eventos na Tunísia e no Egito parecem ter se mostrado baseadas apenas em wishful thinking e não numa avaliação cuidadosa e acurada das características específicas de cada país Árabe e nos interesses de potências estrangeiras que desejavam dirigir os acontecimentos numa determinada direção (...). Precisamos esperar para ver que rumo os acontecimentos vão tomar".

A análise de Chinmaya R. Gharekhan abrange outros países da região, como Líbia, Síria, Yemen e Bahrein.

Embora o jornalismo indiano esteja anos luz à frente dos seus colegas brasileiros, divididos entre imbecilóides arrogantes e outros comprometidos com a expansão das forças globais que ameaçam a civilização ocidental, parece-me um pouco tarde para apenas desconfiar! Desde 18/02/2011 comecei uma série de artigos (Ignorância, mentiras e idiotices em relação aos distúrbios no Oriente Médio), seguido de outro para o Jornal Visão Judaica (O cerco a Israel), além de publicar textos de Donald Hank, Molares do Val, do site de Inteligência STRATFOR, de Ivanaldo Santos, e outros, onde esta ilusão de 'movimento pela democracia' era mostrada com clareza e profundidade de análise como uma claríssima mentira inventada pelas potências ocidentais na defesa de seus próprios interesses.

Os fundamentos ideológicos da "democracia" árabe

Em 2008 o University of Maryland's Program on International Policy attitudes, realizou uma pesquisa no Egito sobre as preferências políticas do povo. Os resultados mostraram claramente o que os egípcios entendem por democracia: Embora 82% tenham se mostrado a favor de algo que chamam "democracia", 73% apoiavam a aplicação mais estrita da Lei Islâmica (Shari'a). Destes, 68% defendem aplicação da Shari'a para regulamentar o comportamento moral dos cidadãos 64% defendem as punições tradicionais como apedrejamento para adúlteras 62% querem que o governo policie a vestimenta das mulheres e 59% apóiam o uso da Shari'a como a única Lei. Um ano antes a mesma Universidade conduziu uma pesquisa de opinião no Egito, Marrocos, Paquistão e Indonésia. 60% responderam que a "democracia" era desejável para seus países, mas 71% concordaram com a 'estrita aplicação da Shari'a em todos os países islâmicos''. Tais resultados sugerem que a idéia de democracia naquela região se restringe à realização de eleições sem incluir nem sombra de direitos individuais, exatamente o que temiam os Founding Fathers quando aprovaram a Constituição Americana e as primeiras dez Emendas, o Bill of Rights.

Vejamos a situação como se apresenta em alguns desses países.

TUNÍSIA: Possivelmente a Tunísia é o único país norte africano capaz de evoluir para uma forma realmente democrática de governo que inclua alguns direitos individuais. Como aponta Bruce Maddy-Weitzman, quatro fatores são favoráveis: (1) uma entidade nacional compacta e bem definida, com forte sentimento nacional e com tradição de economia de mercado e trocas com o exterior; (2) sofreu um processo de modernização importante, com uma classe média culta, o banimento da poligamia e a menor taxa de crescimento populacional de todo o mundo árabe; (3) a tradição de uma sociedade civil atuante e (4) forças armadas de pequeno porte, não politizadas e que se recusaram a substituir o poder civil após a queda do governo ditatorial.

LÍBIA: Por que os bombardeios da OTAN e dos EUA, alegadamente apenas para derrubar Kadhafi, estão destruindo sistematicamente toda a infraestrutura do País e matando civis? Afastado Kadhafi, o que está cada vez mais difícil, o que farão com uma Líbia destruída? Quem reconstruirá a infraestrutura do país, senão empreiteiras ocidentais? Quem tomará conta do petróleo líbio? Entre os revoltosos de Benghazi alguns portavam a velha bandeira dos tempos do Rei Ídris I, com quem era mais fácil para as grandes multinacionais petrolíferas negociarem vantajosamente, principalmente a italiana Ente Nazionale Idrocarburi (ENI). O fato é que podem estar enganados e entregar o poder para fanáticos muçulmanos, pois Idris era o líder da Irmandade Senussi, uma seita antiocidental que pratica uma forma austera e conservadora do Islam, e a estratégia pode sair um tiro pela culatra. Seu avô, Sayyid Muhammad ibn Ali as-Senussi, foi o fundador da religião inspirada no wahabismo dominante na Arábia Saudita.

Além dos monarquistas e de uma minoria de supostamente democratas, outras duas facções podem ser identificadas no Libyan National Transitional Council (NTC): extremistas islâmicos, aliados dos monarquistas, que podem ser chamados de monarquitas-fundamentalistas, que almejam estabelecer um Estado Religioso e elementos até então ligados a Kadhafi que o abandonaram por oportunismo.

Estudos franceses citados por John Rosenthal no National Review em Al-Qaeda and the Libyan Rebellion mostram que membros do Libyan Islamic Fighting Group filiado à Al Qaeda constituem o principal pilar da insurreição, portanto a 'coalizão militar da OTAN está apoiando terroristas islâmicos (...). É inegável que os rebeldes líbios que Washington apóia, há pouco tempo estavam matando soldados americanos no Iraque', onde foram recrutados por Abdul-Hakim al-Hasadi, um ex combatente no Afeganistão que foi preso pelos americanos em 2002 e solto na Líbia em 2008. al-Hasadi é o comandante de uns mil homens nas cidades de Damah e Bin Jawad, no leste da Líbia[6].

Quem leu meus artigos anteriores verá que estas não são novidades... Eu apenas acrescento que Barack Hussein Obama sabe perfeitamente disto e é de sua estratégia entregar o Oriente Médio aos jihadistas da Al Qaeda e aos fundamentalistas islâmicos.

EGITO: As autoridades militares provisórias do Egito, além de reabrirem a fronteira com a Faixa de Gaza sem consultar Israel nem denunciar oficialmente o acordo entre ambos, concederam licença de inscrição como partido político ao mais antigo movimento islâmico do país, a Fraternidade Muçulmana (fundada em 1928). Simultaneamente conseguiram organizar também um novo partido, Hizb al-Nour, de origem salafita. Nada menos que quatro partidos salafitas estão em processo de formação desde a queda de Mubarak. Mas com a formação estimulada pelos militares do Hizb al-Nour é a primeira vez que um grupo salafita aceita participar de eleições relativamente livres, pois, diferentemente do fingido núcleo islâmico central, eles e os wahabitas aos quais muito se assemelham, se opõem claramente à ordem democrática e à elaboração de leis humanas não emanadas diretamente do Corão. Para estes grupos radicais que incluem jihadistas, a democracia é anti-islâmica porque é um sistema que permite aos homens se apoderarem do direito de fazer leis, exclusivo de Allah.

Salafi é uma palavra árabe que significa sunitas seguidores da Salaf islâmica, que pode ser traduzida por 'predecessores' ou 'ancestrais': as três primeiras gerações islâmicas, os Sahaba (companheiros de Mohammed), os Tabi'un (seguidores) e os Tabi' al-Tabi'in (os que vieram imediatamente depois dos seguidores), que são exemplares de como o Islam deve ser praticado através de uma interpretação estrita da Escritura.

Assim também são os wahabitas, seita sunita predominante na Arábia Saudita, seguidores de Muhammad ibn Abd-al-Wahhab, que preconizava no século XVIII purgar o Islam de todas as inovações surgidas nos últimos séculos, consideradas heréticas.

Teoricamente a aceitação de uma limitada democracia por parte dos salafitas significaria um passo muito grande rumo à democratização do Islam. No entanto, analistas conhecedores das intricadas relações entre grupos políticos egípcios, acreditam que seja uma jogada dos militares para impedir a quase certa maioria da Fraternidade em eleições gerais, aliada aos jihadistas do Al Qaeda e outros grupos. Opondo dois poderosos grupos ultraconservadores estariam pretendendo assumir o papel da fiel da balança e, se possível, a eternização no poder como uma espécie de 'poder moderador'. Tais mudanças aparentemente são temidas pela Arábia Saudita, acossada pelas potências xi'itas do Golfo Pérsico, principalmente o Irã e as maiorias no Iraque e Bahrein - além das minorias xi'itas dentro de suas fronteiras, cada vez mais fortes na franja petroleira do Golfo, no Iemen e nos Emirados. Ocorre que existem salafitas em seu território exigindo mudanças desde 1990 sem sucesso e seu crescimento poderia desestabilizar a 'ilha de tranqüilidade' em que vivem os sauditas sob mãos de ferro de seus sete mil príncipes. [7]

SÍRIA: Este país de maioria sunita é controlado por um exército alawita, um dos ramos mais radicais da facção xi'ita do Islam o que implica numa situação inusitada entre os países árabes. Os alawitas existem há mais de mil anos predominantemente nas montanhas Jabal al-Nusayriyah no noroeste da Síria constituindo uma população de 1.6 milhão ou 13% da população do país. Os demais 600 mil distribuem-se pela Turquia e Líbano. Praticam uma religião sincrética e esotérica que mistura o Islam com tradições religiosas babilônicas, helênicas, persas e cristãs. Embora seu nome derive de Ali, genro do Profeta, são considerados hereges pelos sunitas em função deste sincretismo. Não possuem mesquitas e as reuniões religiosas se dão nas casas dos fiéis.

Pois é deste povo que são constituídas as forças militares, firmemente controladas pelos Assad e por eles protegido. Isto reduz em muito as possibilidades de pressão militar pela queda de Assad, diferentemente da Tunísia e do Egito, apesar da presença de alguns comandantes sunitas recentemente promovidos. A terra natal dos Assad, Kardaha, fica em plenas montanhas alawitas. Mas estes não constituem uma religião homogênea, são divididos em várias tribos e quatro ramos de sub-seitas que não se entendem entre si. Isto pode levar a uma luta interna que enfraqueça o exército e o poder de Assad. As diversas facções se uniram para apoiar Hafez Assad que os protegia dos levantes sunitas como os que ocorreram na década de 1970. Desde então a sorte de toda a comunidade está inseparavelmente ligada ao clã Assad. Porém podem ser confrontados agora com a necessidade de tomar outras decisões. Tudo depende da medida em que sejam respeitados e legitimados por outras forças[8].

Shari'a versus secularismo

Os especialistas árabes discutem há muito se alguns princípios democráticos poderiam ser introduzidos num sistema islâmico baseado na shari'a[9] e, se isto for viável, qual a melhor forma de fazê-lo. Muitos defendem que a introdução da lei islâmica com mais vigor, seria vital nas autocracias árabes, equivaleria ao nosso rule of law limitando a ação dos autocratas na medida em que tais regimes não seguem lei alguma, a não ser a prática ditatorial personalista.

Para os que pensam assim o chamado da Shari'a não seria um apelo ao sexismo, ao obscurantismo ou às punições selvagens. Outros como Abdullahi Ahmed An-Naim, professor de Direito na Emory University, consideram que o governo secular seria a melhor forma de usar o poder coercitivo da Shari'a como lei do Estado e não religiosa. As opiniões variam quanto a qual a melhor forma de balancear a lei islâmica com a lei secular. De maneira geral existem três formas principais usadas pelos países islâmicos: o duplo Sistema Legal, o Governo de Deus e os completamente seculares.

DUPLO SISTEMA LEGAL: A maioria segue um duplo sistema no qual o governo é secular, mas os muçulmanos podem escolher levar as disputas familiares e financeiras a tribunais baseados na Shari'a. O limite entre ambos é extremamente variável de país para país. O único que segue estritamente este princípio é o Qatar. Em outros países como Nigéria e Quênia as disputas quase sempre resolvidas pelos tribunais religiosos incluem casamento, divórcio, problemas de herança e guarda das crianças. Na Tanzânia existe uma variante: a decisão por qual Corte deve ser usada depende da tradição ancestral dos contendores. O Líbano e a Indonésia têm jurisdições mistas baseadas nos resíduos do sistema legal colonial suplementados pela shari'a.

O GOVERNO DE DEUS: Predominante em todos os países onde o Islam é a religião constitucional, a shari'a é considerada como a única fonte da Lei por ser a Lei que Emana de Deus através do Corão transmitido pelo Profeta Mohamed. Seguem este princípio a Arábia Saudita, Kuwait, Bahrain, Iemen e Emirados Árabes Unidos. No Paquistão, Egito, Irã e Iraque é proibido aprovar leis contrárias ao Islam. A interpretação mais estrita é seguida pela Arábia Saudita, onde existe uma polícia religiosa que pode revistar as mulheres, estas não podem dirigir carros, nem sair sem ser acompanhada por um homem - marido, irmão ou filho - e devem se mostrar completamente cobertas em público. Já nos Emirados as bebida alcoólicas são toleradas e existem jurisdições especiais para não muçulmanos.

TOTALMENTE SECULARES: Azerbaijão, Tadjiquistão, Chade, Somália e Senegal. A Turquia é um caso à parte. O secularismo foi imposto pela Revolução de 1923-4 comandada por Mustafá Kemal Atatürk com a abolição do Sultanato e do Califado, reconhecimento de direitos iguais de homens e mulheres, reforma das vestimentas tradicionais, abolição de títulos e do dízimo, adoção do calendário internacional. Mas principalmente a abolição da lei canônica, a instituição de um código civil e unificação da educação para todos. Estas mudanças são garantidas pelos militares que têm a missão constitucional de impedir que a lei islâmica substitua a civil e o estabelecimento de uma teocracia. Na atualidade o Partido do Desenvolvimento e Justiça Islâmico do Primeiro-Ministro Recep Tayyip Erdogan ameaça a adoção de leis islâmicas. No entanto, segundo conhecedores profundos do país, mesmo ocorrendo a diminuição do poder dos militares, dificilmente haverá um retorno ao passado, pois diferentemente de outros países, não somente os mecanismos democráticos, mas também os direitos individuais e o Rule of Law ocidental já estão entranhados na mentalidade dos turcos. [10]

Conclusões:

Conforme as informações aqui esboçadas e a opinião de especialistas no assunto, podemos concluir que:

1- O Islam é incompatível com qualquer noção de liberdade individual e, portanto é improvável, senão impossível, o estabelecimento de um regime semelhante às democracias ocidentais
2- Os que exultam com o surgimento de tal regime como resultado das revoltas em andamento se baseiam muito mais em wishful thinking do que numa avaliação acurada das condições reais.
3- Pode-se esperar em alguns países, como a Tunísia, um regime baseado em eleições gerais que simulem uma democracia.
4- Mesmo nestes países a possibilidade de que eleições levem a um regime autoritário, como ocorreu no Egito com a queda da monarquia em 1956, ou o estabelecimento de partidos únicos controlados pelo clero, ou teocracias como o Irã.
5- Embora possa haver o estabelecimento de uma constituição que preveja eleições periódicas e multipartidarismo, é extremamente dubitável que isto ocorra na prática. De maneira geral os observadores ocidentais da mainstream media se conformam com documentos pomposos que jamais serão seguidos.

Notas: [1] Este texto reúne as Partes IV das séries Subsídios para entender o Islam e Ignorâncias, Mentiras e Idiotices em Relação aos Distúrbios do Oriente Médio publicadas em meu site www.heitordepaola.com e no Mídia Sem Máscara www.midiasemmascara.com.br
[2] Ver mais detalhes em http://www.islam-watch.org/Warner/Taqiyya-Islamic-Principle-Lying-for-Allah.htm
[3] Ver outras referências e comentários em http://www.al-islam.org/encyclopedia/chapter6b/1.html
[4] Embora não esteja no escopo deste artigo, é este estratagema mentiroso que permitiu que um muçulmano nascido no Quênia fosse eleito Presidente dos Estados Unidos e continue mentindo com a maior cara de pau, porém mantendo inabalável a crença em seu coração! Voltarei a este tema em breve.
[5] Uma boa cobertura cronológica, país a país, pode ser consultada no Washington Post Foreign Policy neste link http://www.washingtonpost.com/wp-srv/special/world/middle-east-protests/
[6] Mais sobre al-Hasadi em http://pajamasmedia.com/blog/rebel-commander-in-libya-fought-against-u-s-in-afghanistan/, http://www.weeklystandard.com/blogs/unknown-libya_555447.html, http://www.ilsole24ore.biz/art/notizie/2011-03-21/reportage-ribelli-islamici-tolleranti-231527.shtml?uuid=Aa6nhTID
[7] Após a publicação deste artigo, na última semana de julho, ocorreu o assassinato de um dos líderes revolucionários, General Abdel Younes, comandante do exército da oposição líbia. Segundo o ministro do Petróleo do Conselho Nacional de Transição (CNT), Ali Tarhouni, Younes foi morto por seus próprios comandados, tendo aberto uma cisão dentro do CNT e abalado a confiança dos revoltosos em seus aliados.
[8] Para mais detalhes ver http://www.huffingtonpost.com/dr-josef-olmert/bashar-assad-the-alawite-_b_853355.html
[9] Para Shari'a ver ainda http://www.heitordepaola.com/publicacoes_materia.asp?id_artigo=1937, http://www.jihadwatch.org/2011/03/the-sharia-catechism.html
[10] Na última semana de julho os Comandantes das Forças Armadas turcas renunciaram em bloco, evidenciando o profundo descontentamento com o governo de Erdogan, confirmando o que escrevi.

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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cortes orçamentários poderão dificultar capacitação da Defesa israelense

"[...] período de instabilidade e de incertezas..."
O chefe das Forças de Defesa de Israel (FDI), Benny Gantz, afirmou ontem (31) que o orçamento da defesa israelense pode ser cortado devido às demandas públicas para que haja incrementação dos serviços sociais, mas advertiu que um baixo investimento no setor poderia comprometer a habilidade de Israel ao encarar ameaças.

Durante um encontro do Comitê de Assuntos Exteriores e Defesa do Knesset (Parlamento israelense), Gantz disse que as FDI não se oporão às tentativas do governo de cortar os gastos de defesa, mas comentou sobre a possibilidade de um comprometimento com relação a certos desafios militares.

"Apresentaremos todas as nossas necessidades frente aos desafios apresentados. Mas aceitaremos qualquer corte orçamentário demandado pelo governo", disse Gantz. "Precisamos lembrar que estamos entrando num período de instabilidade e de incertezas, e que as ameaças na região estão mais acentuadas. Poderíamos nos ver forçados a abandonar novos sistemas de armas, mas não a nossa capacidade e preparação de combate", acrescentou.

Gantz também fez comentários sobre os últimos choques entre Jerusalém e Ancara (capital da Turquia), e disse que as FDI não contrariarão a decisão de Israel se desculpar com a Turquia pelo ataque do exército israelense a um barco humanitário que se dirigia à Gaza, como parte da flotilha do ano passado, que terminou com a morte de nove ativistas turcos.

Ele também falou sobre o plano palestino de buscar um Estado na ONU em setembro. Disse que os serviços de inteligência militar estão reunindo informações em preparação para os eventos do próximo mês. Acrescentou que as FDI esperam milhares de manifestantes pacíficos enchendo as fronteiras de Israel e assentamentos para protestar.

Fonte: Iton Gadol
Tradução: Jônatha Bittencourt - De Olho na Jihad / Cessar-Fogo


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