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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Grupo brasileiro reuniu-se com o Hezbollah em visita ao Líbano

Nota do blog: Reproduzimos na íntegra uma notícia do dia 13/12/2013 publicado pelo Irã News, uma clara amostra da relação da esquerda brasileira com os terroristas do Hezbollah. Leiam com atenção os trechos que destacamos em negrito.

Grupo brasileiro reúne-se com o Hezbollah em visita ao Líbano

Apoiadores do Hezbollah homenageiam o partido, também chamado de Movimento Libanês de Resistência Islâmica, em 2010, com uma marcha que marcou os quatro anos da vitória sobre Israel, na guerra de 2006. (Associated Press)

Por Lejeune Mirhan*

No segundo dia de nossa viagem à Beirute, no sábado, dia 1º de dezembro, fomos ao encontro do Hezbollah que, apesar do nome, “Partido de Deus”, é um partido político como outro qualquer, possui vários deputados e três ministros no governo libanês, e integra a Frente “8 de Março”. Não foi tarefa fácil chegar até ele, mas a experiência que vivemos foi extremamente gratificante.

Quem estuda o Oriente Médio e o Líbano, como tenho feito há mais de 30 anos, conhece e acompanha as ações do Hezbollah. Essa organização partidária, ainda que de fundamentos religiosos, tem atuado na defesa da soberania libanesa desde que foi fundada, em 1984, há 29 anos. 

Seu nome oficial é Movimento Libanês de Resistência Islâmica. Surge depois que Israel, de política expansionista apoiada pelos EUA, que ocupou todo o sul do Líbano, em 1982, tendo chegado até a capital, Beirute. Nessa época, era ministro da Defesa o general Ariel Sharon – então do Likud, partido direitista – que depois fundaria o Kadima. Desde 2005 esse sionista histórico encontra-se em coma e vive como um vegetal.

Nosso encontro estava previamente marcado para 10h30 e seria realizado em uma das sedes do partido, na região de Beirute, onde é extremamente forte, de população majoritariamente xiita. Ao chegarmos, uma espécie de ministério das relações exteriores e diplomáticos do partido, nos deparamos com um camarada libanês que falava português fluente e seria nosso tradutor. Chamou-me a atenção quando, ao eu alegrar-me por ver um libanês falando nossa língua me disse, com uma ponta de orgulho no peito: “o Hezbollah fala todas as línguas”.

Nosso encontro foi com Mohammad Obeid, secretário político e de Relações Diplomáticas do partido. Nunca soube que posição hierárquica ele teria na organização, mas, pelas instalações que visitamos, pela cobertura feita do encontro pela emissora Al-Manar, pelos cinco dirigentes do partido presentes, me pareceu um quadro nacional da organização. Ainda hoje, é bom que todos saibam, esse Partido da resistência é considerado pelos Estados Unidos como uma organização “terrorista”.

Previsto para durar apenas meia hora, o agradável encontro estendeu-se até 12h30. Em um primeiro momento fiz as apresentações da nossa comitiva, entregando-lhe o manifesto de entidades brasileiras em solidariedade à Síria, na versão árabe, bem como cópia de nosso artigo para a revista Princípios. Feito isso, ele passa a discorrer sobre a “batalha da Síria” e a total solidariedade que o Partido dele presta ao povo e ao governo do país vizinho.

Falou do envio de militantes e combatentes para além da fronteira sírio-libanesa para combater os terroristas financiados pelo imperialismo, por países árabes, pela Turquia e apoiados por Israel, que quer destruir a Síria e derrubar o seu governo laico e anti-imperialista. Disse que faziam esse movimento nem tanto pela Síria, mas pelo Líbano, pois se derrubado fosse o governo sírio, o alvo em seguida seria seguramente o próprio Líbano.

Disse que a linha política que o Partido tem adotado é estabelecer alianças amplas, sejam entre comunistas, socialistas, patriotas de toda e qualquer religião, sem discriminação. Que o Hezbollah apoia a paz na Síria, os acordos para que o Irã tenha o direito à sua energia nuclear pacífica. Que gostaria de ver a Conferência de Genebra 2 ser realizada e ter sucesso.

Refutou o que a mídia chama de “muçulmanos fundamentalistas” aos terroristas que combatem na Síria. Disse que esses não são e nunca foram muçulmanos. Alertou que o Corão proíbe violência contra famílias, em especial crianças, jovens, mulheres e idosos. Mesmo em combate, há regras que precisam ser observadas, como o respeito aos prisioneiros.
Nos chamou a atenção a sua menção ao fato que terroristas apareceram na mídia comendo corações e fígados de soldados o exército sírio que foram capturados e mortos. Ele disse que pensava que costumes da idade das trevas estavam abolidos, mas que havia se enganado.

Registrou a opinião muito parecida com as posições que o PCdoB acaba de aprovar em seu 13º Congresso, qual seja, que o imperialismo ainda que siga forte, encontra-se decadente. Mohammad usou uma expressão que, ao ser traduzida, arrancou risadas de todos os presentes. Os dirigentes do Irã, desde Khomeini e o Hezbollah, chamam os EUA de “o grande satã”. Ele nos disse que “os chifres de satã não estão quebrados, mas encontram-se bem torcidos”. Em uma alusão à situação de fraqueza dos EUA que sequer conseguiram atacar unilateralmente a Síria. Vitória dos povos e dos combatentes de todo o mundo.

Agradeceu imensamente a nossa visita. Falou também da importância do Brasil. Agradeceu o convite para participar de nosso Congresso do Partido, onde justificou a ausência. Falou que em função das perseguições que vivem em todo o mundo, têm dificuldades de manter escritórios de representação política em alguns países. Disse que quando precisarmos de interlocução, o Hezbollah entrará em contato. Convidou-nos para fazer nova visita, com mais tempo, ao Líbano, e convidou imediatamente a UJS a participar do encontro mundial em junho de 2014, de jovens revolucionários de todo o mundo.

Houve, por fim, outro momento descontraído da reunião. Nosso camarada Edson de Paula tem sua marca: uma pequena barbicha de cerca de cinco centímetros. Mohammad nos contou que algumas poucas cidades na Síria que ainda se encontram controladas pelos terroristas fundamentalistas, todos os homens que não possuem barbas ficam na cadeia até que ela atinja a cinco centímetros. Aí o dirigente do Hezbollah brincou com nosso camarada que ele poderia ficar tranquilo, pois ele sequer iria para a cadeia com aquela barba.

Ao final, a delegação brasileira solicitou a possibilidade de conhecer a região montanhosa do sul do Líbano, ocupada por Israel por pelo menos 18 anos (1982 a 2000). Após consultas entre os cinco libaneses presentes em árabe, ele nos disse que dois carros com dirigentes partidários iriam nos conduzir a uma região chamada de Iqlim Al Tuffah, uma das colinas onde era a base central da resistência e da guerrilha libanesa contra a ocupação israelense. Ficamos imensamente felizes.

Sul do Líbano
Saímos por volta das 13h. Tivemos que passar na casa de um dos companheiros, o tradutor, cujo nome de guerra era simplesmente “Armando”. Nunca soubemos o nome dos outros e nem uma foto pudemos fazer na sede internacional do Partido. Tínhamos que pegar casacos. Apesar do escaldante sol de 30 graus, a região escurece 16h30 e começa um frio de 10º. “Armando” nos com cinco camaradas nossos e o motorista que também tinha morado no Brasil e falava o português fluente. Outro carro nos acompanhou o tempo todo.

Trouxe-nos muitas garrafas de água, vários casacos, sucos e bolachas, pois só almoçaríamos por volta das 18h no retorno de nosso destino. Aqui a grande surpresa: iríamos conhecer Mleeta. O maior museu a céu aberto do mundo. Todas as colinas onde os guerrilheiros libaneses usavam para combater Israel foi transformado em museu.

Eles chamam a região de um Centro Turístico, mas “turismo da resistência”. Aqui faço um parênteses. Temos feitos Missões de Solidariedade, tanto à Palestina (foram duas e vamos na terceira em março ou maio a confirmar) e uma para a Síria. Em meus 20 anos de docente em universidade por pouco tempo lecionei uma especialidade da Sociologia, chamada de “Turismo”. Lá usava o termo “turismo de solidariedade”. Agora deparo-me com o “turismo da resistência”. Muito interessante.

Mleeta possui um projeto urbanístico e arquitetônico muito bonito e funcional. Todas as grutas e cavernas usadas pelos guerrilheiros, foram preservadas, restauradas e encontram-se para visitação pública com guia falando o árabe, com traduções. Dezenas de milhares de pessoas para lá acorrem todos os anos, desde 25 de maio de 2010, quando, nas comemorações dos 10 anos da expulsão de Israel da região, ele foi inaugurado. É uma reserva natural. Tudo lá está preservado e conservado. O terreno tem mais de 60 mil metros quadrados, dos quais cinco mil de áreas construídas. Fomos conduzidos, logo que chegamos, à sala de autoridades. O diretor nos recebeu – também ele não pode ser fotografado.

Fomos levados a um anfiteatro, com sala de projeção para mais de 200 pessoas. Um filme de dez minutos foi passado, narrado em árabe e com legendas em português. Houve traduções por parte do “Armando”. Muito bem feito. Mostra a guerrilha libanesa, as derrotas militares de Israel. O filme mostra vários pronunciamentos do maior líder do Partido, o sheik Hassan Nasralláh. Depois visitamos a parte fechada do museu. Dezenas de amostras de armas apreendidas do exército israelense, equipamentos de rádios. Um dos paineis ostenta frases de líderes israelenses da época, Sharon e Peres, em hebraico, árabe e inglês, onde eles reconhecem a derrota e a superioridade das forças da resistência.

Gastamos três horas visitando o museu a céu aberto. Precisaríamos um dia inteiro. Ficamos impressionados. Consegui tirar pelo menos 150 fotos. Publico aqui uma pequena parte delas. Visitamos um túnel escavado na rocha durante três anos, obra da qual participaram mil pessoas (não ao mesmo tempo). Deve ter sido duro escavar túneis e ao mesmo tempo combater com armas em punho. Os vietnamitas fizeram muito isso também.

Nesse túnel, existem compartimentos que eram dormitórios, sala de orações, sala de provimentos, sala de armamentos. Me chamou a atenção a sala de comando militar. Eles preservaram tudo, inclusive os velhos computadores, mapas nas mesas. Uma caixa de som reproduz sons da época de tiros de metralhadora ao fundo, helicópteros sobrevoando, aviões fazendo voos rasantes. Vozes dos comandantes da resistência falam em árabe. Parece que estamos vendo os chefes da resistência darem as ordens que levou à derrota do chamado “quinto maior exército do mundo”.

Por fim, nos impressionou o chamado cemitério de tanques e artefatos de artilharia israelense destruídos ou apreendidos. É claro que ali estão apenas uma pequena parte. Eles nos disseram que a maioria já foi usada como sucata. Nos contaram sobre a destruição em um só dia de 32 tanques israelenses. Eles chamam isso de “genocídio de tanques”.

Por fim, vimos um avião do tipo desses drones modernos que hoje os EUA infernizam o mundo e assassinam à distância quem eles querem. Também aqui ficamos impressionados. Os engenheiros do Hezbolláh criaram um mini avião teleguiado que sobrevoou Tel Aviv, tirou fotos e retornou ao Sul do Líbano. E está lá no museu, como uma espécie de trofeu dos resistentes libaneses.

Todos nós fizemos doações para o fortalecimento da experiência. Às 17h já estava completamente escuro. Todos os funcionários estavam apenas aguardando a nossa saída para fechar o museu/centro turístico. Por fim, passamos na sala de souvenires adquirimos algumas lembrancinhas desse local que ficará guardado para o resto das nossas vidas em nossa memória.

Ganhamos uma lembrança, que adorna a minha mesa de trabalho no meu escritório em casa em Campinas: um relógio com muitas bandeiras libanesas e do Hezbolláh perfiladas ao fundo.

Deixamos no livro de dedicatórias nossas mensagens de solidariedade a esse povo aguerrido, que é o libanês, bem como aos camaradas e combatentes do Hezbolláh, que cumpre hoje papel fundamental na defesa do Líbano e da sua soberania, bem como ajuda a todos que combatem o imperialismo em plano mundial.

*Lejeune Mirhan é sociólogo e colaborador do Portal Vermelho

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Bulgária acusa Hezbollah por atentado que matou 6 pessoas

O atentado contra um ônibus que matou cinco israelenses e um motorista na Bulgária foi perpetrado por militantes do grupo xiita libanês Hezbollah, acusaram nesta terça-feira autoridades búlgaras.

O autor do ataque, ocorrido em julho de 2012, morreu na explosão. Mas policiais e autoridades búlgaros alegam que ele era parte de uma célula do Hezbollah, cujos integrantes usavam passaportes da Austrália e do Canadá.

O ministro do Interior da Bulgária, Tsvetan Tsvetanov, revelou nesta terça os detalhes dos seis meses de investigação e disse que o autor do atentado e uma segunda pessoa eram "membros da ala militante do Hezbollah".

"Há dados mostrando o financiamento e as conexões entre o Hezbollah e os dois suspeitos", declarou.
O grupo responsável pelo ataque teria chegado em Burgas (a cidade onde o ataque foi perpetrado) um mês antes do bombardeio.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Hezbollah treina soldados na Nicarágua com ajuda do Irã

Um meio de comunicação israelense informou que o Hezbollah estabeleceu uma base de treinamento na Nicarágua com o apoio do Irã.

Segundo a Rádio Israel, cerca de 30 membros do grupo libanês Hezbollah estão sendo treinados em uma base no norte da Nicarágua, perto da fronteira com Honduras. O grupo recebe armas do Irã, com o objetivo de se preparar para ataques de retaliação caso os EUA realize um ataque contra as instalações nucleares iranianas.

Em resposta à acusação, o porta-voz do Exército do país latino-americano, Orlando Palácios se recusou a comentar, dizendo apenas que desconhece o assunto.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

AMIA critica lentidão na investigação de atentado

Nesta quarta-feira, às 9:53 horas uma sirene ecoou pelo bairro de Balvanera, ao lado do centro da capital argentina, para recordar os 85 mortos do atentado terrorista realizado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), ocorrido há 18 anos, no dia 18 de julho de 1994.

Na rua Pasteur, onde a explosão arrasou o edifício da entidade judaica, milhares de pessoas reuniram-se para homenagear as vítimas do atentado. O presidente da AMIA, Guillermo Borger - único orador do evento - acusou a Justiça de lentidão na investigação do caso

"Não existe uma única pessoa processada! A Justiça ainda não levou Carlos Telleldín (que teria vendido o veículo usado como carro-bomba) a julgamento oral e público. Não há pistas novas que permitam esclarecer de forma definitiva a conexão local".

Segundo Borger, "a passagem do tempo é um obstáculo crescente para o descobrimento da verdade". Ele também destacou que "não existe uma pista nova sequer nas investigações...é imprescindível para a AMIA, para os parentes das vítimas e para a própria 'saúde' da República que se investigue o encobrimento das pistas. Sem a ajuda da Interpol, os culpados continuarão livres e gozando de nossas caras".

Segundo ele, é preciso descobrir quais integrantes do governo argentino da época (do presidente Carlos Menem) encobriram pistas. O presidente da AMIA disparou fortes críticas "ao governo teocrático do Irã", suspeito de ter ordenado o atentado, em coordenação com o Hezbollah: "o Irã coloca em perigo o mundo com seu programa nuclear".

Para especialistas que investigam o caso há uma década e meia, além dos parentes das vítimas e representantes da comunidade judaica, existe mais de uma hipótese sobre o atentado. A primeira pergunta é "quem é o responsável?".

Os olhares de suspeita que buscam um culpado no exterior se concentram nos países muçulmanos. Mas, ao contrário do que costuma acontecer, nenhum grupo fundamentalista jamais assumiu explicitamente a autoria do ataque.

A Justiça em Buenos Aires acusa o Hezbollah, que teria agido na Argentina com o apoio da Embaixada do Irã. Mas outros não descartam que teriam sido terroristas vinculados aos governos da Síria ou Líbia. Outras teorias indicavam que os culpados seriam argentinos, integrantes das fileiras dos militares carapintadas (que tentaram levantes militares nos anos 80 e em 1990), conhecidos por seu antissemitismo. Também especula-se que poderiam ser integrantes da má afamada polícia da província de Buenos Aires.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ahmadinejad e o negócio do urânio na Venezuela

Iranian nukes by Cox  ForkumNeste fim de semana a Venezuela recebe dois presidentes indesejáveis: Ollanta Humala, do Peru, que chegou ontem (7) para estreitar laços com Chávez após acertos feitos durante a inútil reunião da CELAC, e hoje à noite o ditador do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Ele diz que vem “estreitar laços” com os países da América Latina, mas na verdade o que significa sua presença na Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, é conspirar junto com seus aliados contra os Estados Unidos e Israel.

A esse respeito, existe muita preocupação por parte dos venezuelanos residentes no país e exilados no exterior, mas muito mais por parte de congressistas republicanos, notadamente a cubano-americana Ileana Ros-Lehtinen, que faz parte do Comitê de Relações Exteriores dos Estados Unidos. Todos pedem ao governo Obama que tome medidas mais drásticas em relação às investidas de Ahmadinejad que, como retaliação “preventiva”, fez um ensaio de mísseis de Teerã no Estreito de Ormuz.
 
Ahmadinejad já anunciou que empregaria toda sua força caso Washington não renuncie à presença de sua força naval no Golfo Pérsico, coisa que a Casa Branca já alertou que não fará, e o ditador iraniano ameaçou fechar o Estreito de Ormuz por onde transita 35% do tráfego marítimo de petróleo.

É sabido há anos que a Venezuela é rica não só em petróleo mas também em urânio, e que o interesse do Irã por aquele país não é somente por afinidades ideológicas com Chávez. Desde 2005 eu venho alertando sobre os negócios do urânio entre Venezuela e Irã, que pode-se ler numa nota desta edição aqui. Depois disso eu falei mais a respeito, inclusive nos misteriosos vôos Teerã-Caracas, nas fábricas de cimento, tratores e bicicletas, e os estados ricos nesse mineral, mas o tempo exíguo de que disponho para fazer esta edição não me permitiu pesquisar mais para re-publicar.

Entretanto, como esse tema agora tem tido comprovações e denúncias daquilo que os venezuelanos já desconfiam há tempo, publico nesta edição um artigo publicado pelo jornal espanhol ABC em 12 de dezembro passado que é praticamente uma seqüência de outro publicado simultaneamente pelos sites Mídia Sem Máscara e Papéis Avulsos do Heitor De Paola. A foto que ilustra esta edição é uma vista aérea da “fábrica de tratores Venirán” que é, na verdade, uma empresa de fachada. Não deixem de ler os links indicados para compreender toda a trama por trás desta “inocente” visita, e o perigo que todos nós sul-americanos corremos com estas alianças nefastas. Fiquem com Deus e até a próxima!

O Irã procura urânio na Venezuela para desenvolver seu programa nuclear

O regime de Teerã utiliza suas concessões para a extração de ouro no país bolivariano e emprega várias empresas civis como fachada

Emili J. Blasco/Correspondente em Washington


Técnicos iranianos estabeleceram quais são as áreas de maior riqueza de urânio na Venezuela e já estariam extraindo o estratégico mineral sob a cobertura do regime de Hugo Chávez, de acordo com documentação confidencial à qual o jornal ABC da Espanha teve acesso. Não só o acordo de colaboração nuclear firmado entre ambos os países viola as sanções internacionais impostas a Teerã, senão que, além disso, uma complexa trama de empresas e bancos estaria permitindo ao Irã a lavagem de dinheiro para seu alívio financeiro.

Os últimos dados sobre colaboração militar, com a venda de aviões não-tripulados à Venezuela (transações comprovadas por este jornal) e a possibilidade de que também mísseis de fabricação iraniana já estejam em solo venezuelano (assim apontam algumas fontes mas sem evidência gráfica), fizeram soar os alarmes nos Estados Unidos. Esta semana a consulesa da Venezuela em Miami, Livia Acosta, poderia ser expulsa do país, depois que um documentário de Univisión revelou com uma câmera oculta sua implicação na obtenção de informação para cometer atentados em solo norte-americano.

A conexão do regime de Chávez com elementos do Hizbolah, já levou Washington a tomar medidas no passado, porém em meio à presente crise entre o Irã e os Estados Unidos a vinculação entre a república islâmica e a bolivariana começa a atrair a atenção da CIA. Assim revelou Roger Noriega, alto funcionário na administração Bush, que agora investiga a penetração do Irã na América Latina, em uma recente intervenção no American Enterprise Institute. A aproximação entre os dois países consumou-se em 2005, ano em que o presidente Jatami visitou Caracas. Chávez devolveu a visita em 2009, correspondida meses depois pelo presidente Ahmadinejad. Na documentação oficial desses encontros, que ABC pôde consultar, se contabilizavam alguns projetos de colaboração de 30 bilhões de dólares, cifra desmedida quando se analisa pormenorizadamente cada investimento. As vultosas quantias teriam como finalidade facilitar divisas ao Irã.

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Vista aérea da "fábrica de tratores Venirán" (Crédito: jornal ABC da Espanha)
 

Entre os suspeitos investimentos está a fábrica de cimento Cerro Azul (na foto), no estado Monagas. Seu orçamento é de 750 milhões de dólares, o que no julgamento de consultores externos é desproporcional para a produção que deseja realizar. O fato de que há seis anos seja planejada e ainda não tenha começado a produzir levou os grupos opositores a pensar que pode se tratar de uma empresa de fachada, principalmente quando, ademais, está proibido seu sobrevôo. Suspeitas não confirmadas apontam que a instalação, com fácil acesso ao rio Orinoco, poderia servir como lugar de carga do urânio que o Irã poderia estar obtendo no vizinho estado Bolívar, em uma concessão para a suposta extração de ouro. 

Esta mina, igualmente sem permissão de sobrevôo, encontra-se em uma das áreas mais ricas em urânio da Venezuela. Embora a zona conte com jazidas de ouro, curiosamente a empresa pública iraniana que a explora, IMPASCO, não aparece na relação de companhias que extraem ouro na Venezuela. A IMPASCO, além de se ocupar de diversos minerais, está vinculada ao programa nuclear iraniano.
 
Determinar precisamente onde se encontram os pontos mais eficientes para a obtenção de urânio foi tarefa dos técnicos iranianos que realizaram estudo geológico em 2007, para o Instituto de Indústria e Minas (INGEOMIN). O estudo foi apresentado depois por Chávez ante a OIEA para explicar seu projeto de erigir uma usina nuclear própria, cuja construção se encarregou a mesma companhia russa que levantou a central iraniana de Bushehr. Outra das zonas com potencial de urânio é em Baúl, no estado Cojedes.

Similar falta de atividade normal para o que seria sua produção declarada é a fábrica de tratores Venirán. Supostamente, o acoplamento de peças trazidas do Irã permitiria tirar da cadeia de montagem cerca de 3 mil tratores por ano, segundo os dados oficiais. Porém, o escasso número de trabalhadores e as medidas especiais de segurança fazem pensar em outro uso. Com duplo muro de segurança, o exterior está custodiado pela Guarda Nacional Venezuelana. Parte de seu interior só é acessível a pessoal iraniano. Em 2008, um total de 22 contêineres que partiam do Irã e se dirigiam à fábrica de tratores foram interceptados na Turquia: tratava-se de material químico supostamente para a fabricação de explosivos.
 

Fonte: http://www.abc.es/20111212/internacional/abcp-iran-busca-uranio-venezuela-20111212.html
Comentários e tradução: Graça Salgueiro


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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A fortuna de Nasrallah: 250 milhões de dólares

Secretário-geral e milionário. Entre um atentado terrorista e outro, o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, dedica longas horas à atividade econômica empresarial ao longo do mundo acessível a ele, aos seus cofres pessoais, uma fortuna que não é menor que 250 milhões de dólares. Assim informou um jornal do Kuwait.

Num relatório que revela a dimensão da atividade econômica por parte de Nasrallah, diz-se que os milhões do secretário-geral se encontram investidos em empresas "cash" e numa série de sociedades ativas. Dentre os investimentos merecem ser citadas: fábricas de automóveis, empresas para venda de tabaco e exportação/importação de produtos alimentícios e medicamentos, sendo a identidade do acionista, geralmente, desconhecida. O periódico do Kuwait sustenta que os dirigentes do Hezbollah e, em especial, o vice de Nasrallah, Sheikh Naim Kassem, investem em empresas na Europa, na América Latina e em países árabes, "tentando acumular, para eles e em favor da organização, dois milhões de dólares".

Das informações prestadas surge que o governante do Irã, Ali Khamenei, "estremeceu" ao descobrir a magnitude da atividade econômica do Hezbollah. É por isso que o líder iraniano ordenou, há um ano e meio, reduzir o orçamento anual à organização, de 800 milhões de dólares para a metade.

Um especialista israelense, que acompanha o relato das ações de negócios do Hezbollah, disse que "Nasrallah e sua gente já não requer há algum tempo o dinheiro proveniente do Irã. A partir de seu astuto comportamento econômico, hoje pode autofinanciar sua atividade no Líbano e tudo o que planeja fazer fora do Líbano também".

Fonte: CIDIPAL
Tradução: Jônatha Bittencourt, editor de CessarFogo.com e De Olho na Jihad

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Líbano: Atentados contra boate e loja de bebidas

Na cidade libanesa de Tiro, duas bombas foram detonadas. Os alvos eram uma discoteca e uma loja de bebidas. Felizmente não houve feridos, o exército isolou as áreas e iniciou as investigações.

A cidade de Tiro é uma das poucas no sul do Líbano que permite o uso de bebidas alcoólicas. Nos terrítorios dominados pelo Hezbollah o consumo é proibido.

Blog De Olho na Jihad com informações do Emirates 247 News
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Embaixador de Israel no Brasil apresenta palestra sobre o conflito árabe-israelense em Porto Alegre

"Todas as guerras são más e causam sofrimento,
mas todas elas têm regras éticas e morais".
Na última quinta-feira (27), a comunidade judaica de Porto Alegre esteve reunida junto à Federação Israelita do Rio Grande do Sul (FIRS), dirigida pelo presidente Jarbas Milititsky, para recepcionar um convidado especial. Como palestrante, o embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, apresentou a situação em que se encontra o Estado judeu frente à movimentação diplomática dos países circunvizinhos.

Este é o quarto país em que Rafael Eldad serve como embaixador, tendo passado por Peru, Paraguai e Argentina. Contando com a experiência adquirida no decorrer dos anos, e ciente das peculiaridades do Brasil, iniciou seu discurso ressaltando que "a palavra é muito importante, mas é mais ainda quando acompanhada de ação". Segundo o embaixador, para que as ações sejam as melhores possíveis, estarão abertos para a colaboração de todas as pessoas que buscam um legítimo futuro de paz.

Em sua palestra, Eldad apresentou os três pontos que julga serem fundamentais para o conhecimento da realidade das comunidades de Israel, e que contribuem para a resolução dos seguintes questionamentos: "Por que o conflito árabe-israelense é tão duro e persistente? O que torna tão difícil a convivência pacífica entre esses povos?". Abaixo, uma síntese da apresentação  realizada pelo embaixador de Israel.

1) Componente existencial: este é um conflito onde uma das partes está com a sua existência ameaçada. Em outros, como entre as tropas norte-americanas e os iraquianos, ou até mesmo com os afegãos, aconteça o que acontecer, ninguém colocará em dúvida a existência do Iraque ou do Afeganistão. Mas isso ocorre com Israel.

Quando uma pessoa recebe ameaça de agressão, ela apenas trata de se defender - o nível de perigo determinará o nível de resposta do ameaçado. Mas numa ameaça mortal, a reação, consequentemente, é diferente, respeitando as devidas proporções.

Enquanto que Ahmadinejad tenta apagar Israel do mapa, ao lado de Hezbollah  - por meio de práticas terroristas - e Hamas - que demonstra em sua Carta de Fundação o objetivo fundamental de sua organização: a efetiva destruição do Estado judeu -, há uma forte pressão da comunidade internacional, acusando o Estado judeu de ser "abusivo" quanto ao uso de força.

2) Percepção do conflito: o mundo olha para o conflito árabe-israelense e vê Israel como a parte tecnológica, desenvolvida, e mais forte, além de opressora, e entende que os árabes fazem parte, consequentemente, do grupo dos mais fracos, as reais vítimas do contexto.

Na realidade, há muito obscurecimento frente às circunstâncias presentes no mundo árabe. Levando em conta que Israel não é inimigo do povo árabe, mas dos seus inimigos declarados, esquece-se do número de países árabes existentes - uma maioria automática na ONU para quaisquer medidas contra Israel -, do desenvolvimento dos grupos terroristas e de que o "maior" adversário, na atualidade, não é árabe, apenas muçulmano (Irã).

3) Diferenças - cultura, valores éticos e morais: "Todas as guerras são más e causam sofrimento, mas todas elas têm regras éticas e morais".

a) Terrorismo - suicidas: não era algo vigente antes do conflito árabe-israelense e denota um ódio tão grande de alguém que busca matar o maior número de pessoas possíveis com a própria morte. Em suas comunidades, os suicidas são vistos pela sociedade como heróis, mártires (sob a aprovação de Allah). A pergunta que não quer calar é: "Que Deus é esse?"

b) Terrorismo - apreciação popular: há poucos anos foi realizada uma pesquisa nos países árabes sobre quem era a pessoa mais admirada. A resposta mais popular foi: Hassan Nasrallah. Por quê? Por ter conseguido "vencer Israel" através do terrorismo e da violência.

c) Educação que fomenta o ódio: fica difícil trabalhar por um processo de paz eficaz quando não há uma transformação de mentalidade. Enquanto que os diplomatas procuram fechar acordos, a população venera seus mártires, crianças são arregimentadas em facções extremistas e as escolas disponibilizam aos terroristas a possibilidade de instrução.



Gilad Shalit
Rafael Eldad apontou o caso como uma questão muito difícil de ser encarada. Também destacou que toda decisão tomada pelo governo será negativa - sempre terá alguém que fará oposição, além de que o viés negativo sempre estará presente.

A negociação por Gilad Shalit, soldado israelense sequestrado pelo Hamas em 2006, tratou-se de um grande dilema, mas a maioria da opinião pública israelense esteve e está de acordo com o acordo. A decisão retrata uma comunidade tão solidária que está disposta a fazer sacrifícios por cada integrante de seu povo.



Processo de Paz
Como o próprio nome diz, é um processo. Tende a ser longo, demorado, passando pelas gerações, afirmou o embaixador. Embora exista a tentativa de que um acordo de paz seja assinado, todos sabemos que isso não significará um ponto final para os conflitos, mas espera-se que seja o pontapé inicial para as transformações culturais, de valores e de mentalidade.

Um exemplo clássico disso é o tratado de paz assinado com os egípcios (1979). Na realidade, parece que nada aconteceu entre Israel e o Egito, pois a situação continua muito turbulenta.

Há uma esperança de que esse processo irá começar e, daqui a muitos anos, exista uma situação realmente pacífica - o que não é garantido.


Estado Palestino na ONU
Rafael Eldad declarou que Israel não está contra um Estado palestino em si, mas contra a formação de um que seja prematuro e unilateral. O Estado judeu objetiva a concretização de tal como resultado de acordos e de um processo de paz.

Jônatha Bittencourt: Como tem sido a movimentação diplomática Israel-Brasil após a posição brasileira favorável quanto à iniciativa unilateral da Autoridade Palestina na ONU?

Rafael Eldad: Foi difícil fazer com que o Brasil reavaliasse o seu posicionamento. Eles estavam muito determinados e decididos quanto a isso. E não é porque o Brasil é uma nação democrática que todas as decisões passarão pela opinião pública. O que de fato não ocorreu. Estou há pouco tempo aqui no país, mas estamos buscando um maior estreitamento entre a embaixada israelense no Brasil e a sua população, para que haja um real esclarecimento dos fatos e do nosso posicionamento.


Refugiados
Devido à sua experiência diplomática, o embaixador Rafael Eldad declarou que há um dilema referente à situação dos refugiados, pois os árabes têm tratado isso como se fosse algo "herdável". O que tem sido mais recorrente é o caso de pessoas que saíram de Israel há muitos anos e tiveram seus filhos e netos em campos de refugiados localizados em outros países, como Líbano, Jordânia etc , e quando são indagados a respeito de sua nacionalidade respondem: "Somos refugiados".

Como, por exemplo, os avós nasceram em Haifa, os filhos e netos no Líbano, mas a resposta destes é que são refugiados de Haifa, e não são libaneses.



Agenda
Rafael Eldad, o atual embaixador de Israel no Brasil, também comentou sobre algumas situações pertinentes à comunidade judaica, como as suas preocupações e necessidades. Diante de um público amistoso e bem receptivo, também procurou responder as perguntas realizadas no local.

Com uma agenda repleta de atividades, vale destacar que também esteve presente na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na manhã de quarta-feira (26), onde, em sua primeira visita ao Estado, presenciou a homenagem dos deputados devido às importantes contribuições da comunidade judaica para a região. 

Por Jônatha Bittencourt, editor de CessarFogo.com e De Olho na Jihad

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Poder do Islã aumenta no Oriente Médio

Dificilmente será um exemplo de democracia.

Desde que a “Primavera Árabe” (onda revolucionária de manifestações e de protestos que vem ocorrendo no Oriente Médio e no norte da África) começou há seis meses na Tunísia, uma onda de protestos, de agitação, de guerras civis e de matança sem sentido se espalhou pelo Oriente Médio. As coisas continuam acontecendo e, especialmente na Síria, a população está pagando um alto preço, perdendo vidas toda semana, à medida que o Presidente Bashar Al-Assad anuncia que vai interromper as manifestações com mão de ferro.

Na semana passada, na Líbia, o mais antigo ditador do Oriente Médio, Muamar Kadafi, foi deposto de seu governo – e morto – em um ato brutal de vingança perpetrado pelas forças rebeldes. Quarenta e dois anos de tirania acabaram quando o líder do Conselho Nacional Transitório (CNT), Mustafá Abdel Jalil, declarou a vitória. Um governo de transição está para ser estabelecido em 30 dias, e será eleita em 240 dias uma assembleia que terá a missão de promulgar uma Constituição. O processo democrático parece estar se desenvolvendo.

Na Tunísia, onde a chamada “Primavera Árabe” foi iniciada por um desesperado vendedor de vegetais, o processo democrático foi mais longe, e as primeiras eleições foram realizadas nesta semana. O Partido Islâmico Enhada tornou-se de longe o maior partido e assegurou 40% das cadeiras no novo parlamento, o qual agora começa a promulgar a Constituição.

No Egito pós-Murabak, as multidões muçulmanas andam livremente nas áreas dos cristãos da igreja copta. Com o exército como mero espectador, ou quem sabe como cooperador ativo, as multidões mataram centenas e mutilaram muitos outros. Mulheres cristãs estão sendo sequestradas e forçadas a se casarem com homens muçulmanos; monges estão sendo torturados, igrejas e monastérios estão sendo devastados e incendiados, e os coptas estão sendo perseguidos nas ruas e nas escolas. Desde março deste ano, 100.000 coptas fugiram do país. Perseguição a cristãos e a subsequente emigração estão acontecendo também em outras áreas como o Iraque, Líbano e na região sob administração da Autoridade Palestina. Muitos estão desesperados para fugirem, mas são incapazes disso por razões econômicas, dentre outras.

Comentário:
Os resultados da “Primavera Árabe” estão ficando agora mais visíveis, e eles não são encorajadores. Contrariamente às repetidas e otimistas avaliações de Obama de um democrático Oriente Médio, o poder dos islâmicos está aumentando. Islamismo, como nós conhecemos, é incompatível com valores democráticos, é antiocidental e anti-Israel. O que segue é uma visão geral de como está a situação nos seus países principais.

As previsões de uma democracia verdadeira na Líbia não são promissoras. Considere a pessoa de Abdel Hakim Belhaj. Belhaj é um islâmico bem conhecido que tem ligações com a Al-Qaeda. Desde 1988, ele lutou contra os soviéticos e depois contra os americanos no Afeganistão, e foi até mesmo preso pela CIA em 2004. A CIA entregou-o a Kadafi. Em um recente conflito, ele estava lutando lado a lado com os americanos contra o ditador da Líbia. O fato problemático é que não foi Belhaj que mudou de lado.

Em toda a campanha contra Kadafi, Belhaj recusou a submeter sua grande milícia à liderança política do CNT (Conselho Nacional Transitório). Considerando a fragmentada sociedade da Líbia, com tribos e clãs vivendo em constante alerta, e agora armados até os dentes, com armas sofisticadas vindas do arsenal de Kadafi, dificilmente se pode culpá-lo. Há um grande risco que a rivalidade interna, e até mesmo uma futura guerra civil, possam estourar o conflito pelo poder e pelo petróleo do país. Nesse ponto, os islâmicos permanecem fortes militarmente.

Em seguida da morte de Kadafi, o líder da CNT, Abdel Jalil, realizou um discurso de vitória no qual ele disse que a sharia (lei religiosa dos muçulmanos) será a “fonte principal” de leis no país, e nenhuma lei que seja contrária à sharia será permitida. Isso significa, na prática, um Estado islâmico. E nesse Estado, é lógico afirmar que a poligamia será permitida, amputações por crimes pequenos serão comuns, os direitos das mulheres serão severamente violados,  a liberdade de expressão será restringida e a conversão será punida com morte. Dificilmente será um exemplo de democracia.

Muito da mesma coisa pode ser dita da Tunísia. Esse país tem sido considerado o mais secular dos Estados árabes – mas a Enhada é um partido islâmico. Seu líder, Rachid Ghannouchi, já disse que a nova Constituição será baseada na sharia. Se a “secular” Tunísia tornar-se islâmica, é razoável acreditar que mais nações religiosas farão a mesma coisa.

No Iraque, os EUA estão planejando deixar o território e os iranianos estão preparando a sua entrada. O Irã já está interferindo na política do Iraque e apoiando milícias naquele país, utilizando-se da maioria da população shia-muçulmana que habita lá. O Irã é, em vários aspectos, um modelo completo de um Estado islâmico e também está buscando criar tentáculos em países como Bahrein e Iêmen. Caso o regime muçulmano obtenha armas nucleares, a sua esfera de influência aumentará drasticamente.

Na Turquia, o partido islâmico do primeiro-ministro Erdogan está ocupado em abolir a democracia e em impôr a sua lei. Opositores políticos, juntamente com a imprensa e militares, estão sendo presos, e a nomeação de juízes é dependente da aprovação da cúpula do partido. A Turquia já violou o acordo que tinha com Israel e está adotando orientação que lhe afasta cada vez mais da Europa. A Turquia, sob o comando de Erdogan, serve como modelo para o partido Enhada na Tunísia.

No Líbano, um partido islâmico, Hezbollah, controla o governo, da mesma forma que o Hamas governa na Faixa de Gaza. Na Síria, é difícil dizer o que acontecerá caso o regime de Assad cair, mas também lá os islâmicos têm um ponto de apoio seguro. Somando tudo, não resta dúvida de que a “Primavera Árabe” tenha levado um aumento dramático da influência da política do Islã no Oriente Médio.

Alguém poderia legitimamente perguntar: se o povo, através das eleições, escolher partidos islâmicos, deveriam ser eles proibidos de fazer isso? Não é pela a vontade do povo que nós lutemos? Mas o problema é quando isso leva à tirania da maioria, onde as minorias, tais como os cristãos e os judeus, são perseguidos e direitos humanos fundamentais são violados. Isso é inaceitável. É uma decepção chamar isso de democracia. Eleições livres são apenas uma parte de uma democracia que efetivamente funcione.

Israel é a única democracia no Oriente Médio. Isso é uma conquista que não é suficientemente entendida nem admirada pelas outras nações. Ao invés de ser excessivamente criticado, isolado e enfraquecido, o Estado judeu deveria ser exaltado como um perfeito modelo de democracia no Oriente Médio. Israel poderia servir como um recurso de conhecimento, experiência, know-how e exportar democracia para seus países vizinhos. Os líderes árabes poderiam vir a Israel para estudar as instituições nacionais, o parlamento, o sistema de eleição, os sistemas financeiro e jurídico, e tudo mais. Mas por que isso soa tão utópico?

Fonte: Word of Life Israel 

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