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terça-feira, 23 de abril de 2013

Atentado contra embaixada francesa em Trípoli

Um atentado com um carro-bomba cometido nesta terça-feira contra a embaixada francesa em Trípoli, capital da Líbia, deixou pelo menos duas pessoas feridas, informou à Agência Efe uma fonte de segurança.
Os feridos, ambos de nacionalidade francesa, são vigilantes da embaixada e um deles se encontra em estado grave. O ataque causou grandes danos em parte do prédio, situado no bairro Al-Andalus.

Duas casas também foram danificadas e vários veículos pegaram fogo. A polícia e o Exército líbios isolaram a zona, para onde foram o ministro das Relações Exteriores, Mohammed Abdelaziz, e o vice-primeiro-ministro, Awad al Barasi. O chefe d Governo, Ali Zidaan, não se encontra no país.

Abdelaziz, que qualificou o ataque de "terrorista", segundo a agência estatal "WAL", informou que uma comissão franco-líbia foi formada para investigar o ocorrido.

Até o momento não se sabe quem é o autor do ataque e nenhum grupo assumiu sua responsabilidade.
A França confirmou hoje que dois soldados ficaram feridos na ação. O presidente do país, François Hollande, condenou "firmemente o atentado" e solicitou ao ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, que envie "imediatamente" um representante para Trípoli para "tomar todas as medidas necessárias".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Líbia - Homossexuais são sequestrados e torturados por islamitas

 Foto publicada no perfil das brigadas islamistas Nawasi

Trípoli - Na última quinta-feira, no distrito de Ain Zara, extremistas islâmicos sequestraram  um grupo homossexuais assumidos. A ação foi assumida pelas brigadas Nawasi uma das maiores milícias de Tripoli. O grupo postou em sua página no Facebook uma foto (acima) exibindo os sequestrados.

Depois de alguns dias de tortura psicológica e espancamentos, os homossexuais foram libertados.Por mais cruel que possa parecer, segundo uma das principais rádios muçulmana da Grã-Betanha, esse "tratamento" ao homossexualismo está em pleno acordo com as leis islâmicas e com o Corão.

Blog De Olho na Jihad com informações do Libya Herald

domingo, 27 de novembro de 2011

Após a Primavera Árabe, Inverno

Quando a Primavera Árabe estourou no Oriente Médio e no norte da África, ela foi, sem hesitação, acolhida pelos líderes ocidentais. Todo mundo esperava pelo melhor, mas a esperança não é o suficiente. O tiroteio contra os protestantes na praça Tahrir pelo exército egípcio é o sinal mais recente de que a Primavera Árabe está dando lugar ao Inverno Árabe. As eleições têm, de fato, ocorrido na Tunísia, mas na Algéria têm servido apenas como um trampolim para os organizados partidos islâmicos obterem o poder. No Egito, as pesquisas já sugerem um triunfo similar para os islamitas. Os objetivos políticos da Irmandade Muçulmana são semelhantes aos dos khomeinistas revolucionários no Irã.

As eleições da Líbia estão distantes, mas os islamitas têm uma vantagem inicial. O resultado final pode acabar servindo de impulso para que a democracia produza justamente o contrário: o preceito da militância islâmica. Será muito mais difícil justificar a intervenção na Libia, já que deve ser apresentado que a OTAN meramente facilitou uma conquista islâmica. Em longo prazo, a democracia representativa fornece as únicas respostas às falhas do mundo árabe. Em curto prazo, esse processo tende a ser complexo, árduo e sangrento.

Por Douglas Murray / Spectator-UK
Tradução: Jônatha Bittencourt - Editor de CessarFogo.com e De Olho na Jihad

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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

AQMI: "são os guerreiros da Al-Qaeda que são geralmente os maiores benfeitores às revoluções do mundo árabe".

NOUAKCHOTT - Um líder da Al-Qaeda do Magreb Islâmico confirmou que a organização terroristas adquiriu algumas armas das Forças Armadas da Líbia após a queda do ditador Muamar Kadafi, conforme governos envolvidos na guerra civil líbia temiam.

Mokhtar Belmokhtar, um dos chefes o braço da organização terrorista que atual no norte africano, disse, em entrevista a um jornal da Mauritânia, que "é totalmente natural" que a Al-Qaeda "seja beneficiada pelas armas líbias em tais condições". Na entrevista, publicada na quarta e feita por telefone, o terrorista não especificava quais e quantas armas estão nas mãos dos extremistas.

Líderes ocidentais, junto do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), expressaram preocupações de que parte do arsenal líbio poderia ser capturada pela Al-Qaeda do Magred Islâmico, que atua no deserto do Sahel, entre o Chade e a Mauritânia, região ao sul da Líbia. Fronteiras sem controle e governos fracos tornam a região suscetível a tais práticas.

As autoridades de transição da Líbia receberam pedidos para rastrear as armas e manter a segurança de arsenais. A ajuda de países vizinhos para impedir a proliferação dessas armas também foi solicitada. A maior preocupação é com lançadores de mísseis, que podem ser usados para abater aviões civis e que despertam grande interesse de grupos radicais.

"Aproveitar o arsenal líbio é completamente natural nessas condições. Mas a parte mais importante para nós é ver se essas armas voltarem ao povo líbio, porque foi com elas que o governo os reprimia", disse Belmokhtar, que na entrevista aparece com o nome de Khaled Abou Al-Abass.

O terrorista negou as alegações de integrantes da Al-Qaeda lutaram ao lado dos rebeldes para derrubar Kadafi. Ele também rejeitou a hipótese de que a primavera árabe enfraquecerá a organização terrorista, dizendo que "são os guerreiros da Al-Qaeda que são geralmente os maiores benfeitores às revoluções do mundo árabe". Fonte: Estadão
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Poder do Islã aumenta no Oriente Médio

Dificilmente será um exemplo de democracia.

Desde que a “Primavera Árabe” (onda revolucionária de manifestações e de protestos que vem ocorrendo no Oriente Médio e no norte da África) começou há seis meses na Tunísia, uma onda de protestos, de agitação, de guerras civis e de matança sem sentido se espalhou pelo Oriente Médio. As coisas continuam acontecendo e, especialmente na Síria, a população está pagando um alto preço, perdendo vidas toda semana, à medida que o Presidente Bashar Al-Assad anuncia que vai interromper as manifestações com mão de ferro.

Na semana passada, na Líbia, o mais antigo ditador do Oriente Médio, Muamar Kadafi, foi deposto de seu governo – e morto – em um ato brutal de vingança perpetrado pelas forças rebeldes. Quarenta e dois anos de tirania acabaram quando o líder do Conselho Nacional Transitório (CNT), Mustafá Abdel Jalil, declarou a vitória. Um governo de transição está para ser estabelecido em 30 dias, e será eleita em 240 dias uma assembleia que terá a missão de promulgar uma Constituição. O processo democrático parece estar se desenvolvendo.

Na Tunísia, onde a chamada “Primavera Árabe” foi iniciada por um desesperado vendedor de vegetais, o processo democrático foi mais longe, e as primeiras eleições foram realizadas nesta semana. O Partido Islâmico Enhada tornou-se de longe o maior partido e assegurou 40% das cadeiras no novo parlamento, o qual agora começa a promulgar a Constituição.

No Egito pós-Murabak, as multidões muçulmanas andam livremente nas áreas dos cristãos da igreja copta. Com o exército como mero espectador, ou quem sabe como cooperador ativo, as multidões mataram centenas e mutilaram muitos outros. Mulheres cristãs estão sendo sequestradas e forçadas a se casarem com homens muçulmanos; monges estão sendo torturados, igrejas e monastérios estão sendo devastados e incendiados, e os coptas estão sendo perseguidos nas ruas e nas escolas. Desde março deste ano, 100.000 coptas fugiram do país. Perseguição a cristãos e a subsequente emigração estão acontecendo também em outras áreas como o Iraque, Líbano e na região sob administração da Autoridade Palestina. Muitos estão desesperados para fugirem, mas são incapazes disso por razões econômicas, dentre outras.

Comentário:
Os resultados da “Primavera Árabe” estão ficando agora mais visíveis, e eles não são encorajadores. Contrariamente às repetidas e otimistas avaliações de Obama de um democrático Oriente Médio, o poder dos islâmicos está aumentando. Islamismo, como nós conhecemos, é incompatível com valores democráticos, é antiocidental e anti-Israel. O que segue é uma visão geral de como está a situação nos seus países principais.

As previsões de uma democracia verdadeira na Líbia não são promissoras. Considere a pessoa de Abdel Hakim Belhaj. Belhaj é um islâmico bem conhecido que tem ligações com a Al-Qaeda. Desde 1988, ele lutou contra os soviéticos e depois contra os americanos no Afeganistão, e foi até mesmo preso pela CIA em 2004. A CIA entregou-o a Kadafi. Em um recente conflito, ele estava lutando lado a lado com os americanos contra o ditador da Líbia. O fato problemático é que não foi Belhaj que mudou de lado.

Em toda a campanha contra Kadafi, Belhaj recusou a submeter sua grande milícia à liderança política do CNT (Conselho Nacional Transitório). Considerando a fragmentada sociedade da Líbia, com tribos e clãs vivendo em constante alerta, e agora armados até os dentes, com armas sofisticadas vindas do arsenal de Kadafi, dificilmente se pode culpá-lo. Há um grande risco que a rivalidade interna, e até mesmo uma futura guerra civil, possam estourar o conflito pelo poder e pelo petróleo do país. Nesse ponto, os islâmicos permanecem fortes militarmente.

Em seguida da morte de Kadafi, o líder da CNT, Abdel Jalil, realizou um discurso de vitória no qual ele disse que a sharia (lei religiosa dos muçulmanos) será a “fonte principal” de leis no país, e nenhuma lei que seja contrária à sharia será permitida. Isso significa, na prática, um Estado islâmico. E nesse Estado, é lógico afirmar que a poligamia será permitida, amputações por crimes pequenos serão comuns, os direitos das mulheres serão severamente violados,  a liberdade de expressão será restringida e a conversão será punida com morte. Dificilmente será um exemplo de democracia.

Muito da mesma coisa pode ser dita da Tunísia. Esse país tem sido considerado o mais secular dos Estados árabes – mas a Enhada é um partido islâmico. Seu líder, Rachid Ghannouchi, já disse que a nova Constituição será baseada na sharia. Se a “secular” Tunísia tornar-se islâmica, é razoável acreditar que mais nações religiosas farão a mesma coisa.

No Iraque, os EUA estão planejando deixar o território e os iranianos estão preparando a sua entrada. O Irã já está interferindo na política do Iraque e apoiando milícias naquele país, utilizando-se da maioria da população shia-muçulmana que habita lá. O Irã é, em vários aspectos, um modelo completo de um Estado islâmico e também está buscando criar tentáculos em países como Bahrein e Iêmen. Caso o regime muçulmano obtenha armas nucleares, a sua esfera de influência aumentará drasticamente.

Na Turquia, o partido islâmico do primeiro-ministro Erdogan está ocupado em abolir a democracia e em impôr a sua lei. Opositores políticos, juntamente com a imprensa e militares, estão sendo presos, e a nomeação de juízes é dependente da aprovação da cúpula do partido. A Turquia já violou o acordo que tinha com Israel e está adotando orientação que lhe afasta cada vez mais da Europa. A Turquia, sob o comando de Erdogan, serve como modelo para o partido Enhada na Tunísia.

No Líbano, um partido islâmico, Hezbollah, controla o governo, da mesma forma que o Hamas governa na Faixa de Gaza. Na Síria, é difícil dizer o que acontecerá caso o regime de Assad cair, mas também lá os islâmicos têm um ponto de apoio seguro. Somando tudo, não resta dúvida de que a “Primavera Árabe” tenha levado um aumento dramático da influência da política do Islã no Oriente Médio.

Alguém poderia legitimamente perguntar: se o povo, através das eleições, escolher partidos islâmicos, deveriam ser eles proibidos de fazer isso? Não é pela a vontade do povo que nós lutemos? Mas o problema é quando isso leva à tirania da maioria, onde as minorias, tais como os cristãos e os judeus, são perseguidos e direitos humanos fundamentais são violados. Isso é inaceitável. É uma decepção chamar isso de democracia. Eleições livres são apenas uma parte de uma democracia que efetivamente funcione.

Israel é a única democracia no Oriente Médio. Isso é uma conquista que não é suficientemente entendida nem admirada pelas outras nações. Ao invés de ser excessivamente criticado, isolado e enfraquecido, o Estado judeu deveria ser exaltado como um perfeito modelo de democracia no Oriente Médio. Israel poderia servir como um recurso de conhecimento, experiência, know-how e exportar democracia para seus países vizinhos. Os líderes árabes poderiam vir a Israel para estudar as instituições nacionais, o parlamento, o sistema de eleição, os sistemas financeiro e jurídico, e tudo mais. Mas por que isso soa tão utópico?

Fonte: Word of Life Israel 

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mahmoud Abbas, líder da Palestina?

 Enquanto líder palestino, Abu Mazen (Mahmoud Abbas), joga um game no cenário internacional, seu povo na Faixa de Gaza sofre.

Ativar as legendas se houver necessidade (CC)

Produção: FreeMiddleEast.com
Tradução / Legendas: CessarFogo.com

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

E Lula perde um "amigo, irmão e líder"


Ao participar da Cúpula da União Africana em 2009, Lula começou seu discurso dizendo a Kadafi: "Meu amigo, meu irmão e líder".


Meus sinceros pêsames! 



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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Terrorista Abdel Baset al-Megrahi está em coma

Associated Press

TRÍPOLI - O irmão do líbio responsável pelo atentado de Lockerbie, na Escócia, disse nesta segunda-feira, 29, que ele está em coma e não pode mais se comunicar com sua família.

O governo escocês libertou Abdel Baset al-Megrahi em 2009, acreditando que ele morreria logo de câncer. Ao voltar para a Líbia, o terrorista foi recebido como herói e se encontrou com Muamar Kadafi.

Falando do lado de fora de sua residência em Trípoli, Abdel-Nasser disse que al-Megrahi não irá voltar para a prisão no Ocidente, como algumas pessoas pediram, porque está "entre a vida e a morte".

No último dia 22 de agosto, senadores de Nova York pediram aos rebeldes líbios para que al-Megrahi fosse inteiramente responsabilizado pela explosão do voo 103 da Pan Am em 1988 em Lockerbie, que matou 270 pessoas.

Os rebeldes líbios já falaram que não irão extraditar al-Megrahi.

Fonte: Estadão

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Primavera árabe: as ambiguidades do governo brasileiro



Por Sheila Sacks, em 28/06/2011

Ao se declarar contra o apedrejamento de mulheres no Irã, logo após assumir a presidência em janeiro, e se alinhar a favor do envio de um relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) àquele país para apurar denúncias de violações de direitos humanos, a presidenta Dilma Rousseff ouriçou os comentaristas políticos e editorialistas dos grandes jornais, que imediatamente enxergaram uma mudança de rumo na política externa brasileira.
A ducha de água fria veio com a posição do Planalto em negar à ativista iraniana Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz em 2003, uma audiência pessoal com a presidente Dilma. 

Uma das principais vozes de oposição ao regime de Mahmoud Ahmadinejad, a advogada e ex-juíza, de 63 anos, que vive exilada na Inglaterra desde 2005, esteve em Brasília, no início de junho e, diante da impossibilidade de ser recebida pela presidente brasileira, se absteve de se encontrar com o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, indicado para atendê-la. 

Ainda em Brasília, no plenário da Câmara dos Deputados, Shirin passou por novo constrangimento ao falar sobre os maus tratos, perseguições religiosas e prisões arbitrárias no Irã para uma pífia plateia de menos de dez parlamentares.

Dias depois, em Genebra, durante a conferência mundial da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os ministros do Trabalho do Brasil, Carlos Lupi, e do Irã, Abdolreza Sheikholeslami, anunciaram um plano de cooperação visando à implementação no país persa de projetos de capacitação de trabalhadores e de programas similares ao Bolsa Família e Brasil sem Miséria. O objetivo seria evitar a repetição do cenário de crise social – com milhões de pessoas sem trabalho – que fermentou a derrubada dos governos da Tunísia e do Egito. 

A pedido do Irã, o governo brasileiro irá desenvolver iniciativas que possibilitem a criação de mais de 2 milhões de empregos no Irã e promover ações sociais que aliviem o impacto do embargo econômico e comercial que lhe é imposto pela ONU. “Nós falamos com todos os países e vamos cooperar com quem nos peça cooperação, incluindo o Irã”, justificou Lupi.

“É o cumprimento de uma lei internacional”

Desde a eleição de 2009 que reelegeu Ahmadinejad, o regime islâmico tem perseguido e encarcerado dissidentes, ativistas de direitos humanos, líderes religiosos, advogados e jornalistas. Atualmente 26 profissionais da imprensa permanecem presos pelo regime de Ahmadinejad. 

Em abril, o jornalista e professor de Ciências Políticas Ahmad Zeidabadi, detido há dois anos, foi homenageado com o Prêmio Guillermo Cano World Press Freedom, concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), por sua “coragem excepcional, resistência e compromisso com a liberdade de expressão, democracia, direitos humanos, tolerância e humanidade”. Editor do jornal Azad e colaborador da BBC de Londres, Zeidabadi foi condenado a seis anos de prisão, mais cinco de “exílio interno” e proibido de exercer a profissão para o resto da vida, acusado de conspirar contra o governo.

Em relação à Líbia, a decisão da diplomacia brasileira de se juntar aos demais membros do Conselho de Segurança da ONU – formado por 15 membros, sendo cinco permanentes e dez temporários – na aprovação de uma resolução votada em fevereiro que impunha sanções à Líbia de Kadafi, também contribuiu para fomentar editoriais e artigos sobre o novo posicionamento da presidente Dilma e do Itamaraty no cenário internacional.

Muitos se animaram com a publicação no Diário Oficial da União do decreto determinando as sanções da ONU à Líbia (embargo à venda de armas, congelamento de bens e proibição da entrada de parentes de Kadafi). Assinado em 15 de abril por Michel Temer, presidente em exercício, o documento não se constituiria em uma iniciativa isolada do Brasil, e sim, atenderia à Resolução nº 1.970, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, dois meses antes. “É o mínimo de cumprimento de uma lei internacional”, afirmou na ocasião ao jornal Correio Braziliense o especialista em Oriente Médio Márcio Scalércio, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Segundo ele, ao publicar a medida o Brasil simplesmente acatou a determinação do Conselho.

Minas brasileiras na Líbia

É importante observar que na votação da Resolução nº 1.973, desse mesmo Conselho, em 17 de março, o Brasil se absteve de votar contra a Líbia, posicionando-se ao lado da China, Rússia, Índia e Alemanha. A medida impôs uma zona de exclusão aérea sobre o país, autorizando o uso da força para suspender voos sobre o território líbio. A resolução foi aprovada por maioria (10 votos) e, três dias depois, o presidente americano Barack Obama, ainda em território brasileiro, autorizou os ataques das forças aliadas contra o regime de Kadafi. 

A reação diplomática brasileira veio logo depois em forma de um comunicado do Itamaraty lamentando as mortes ocorridas pelos bombardeios, reiterando sua solidariedade com o povo líbio, criticando o uso da força pela coalização internacional e pedindo “um cessar-fogo efetivo”. Posição reforçada na reunião de cúpula dos Brics – grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – ocorrida em abril na China, com a presença da presidente Dilma Rousseff. A declaração conjunta divulgada ao final do encontro condenou o uso da força na Líbia e novamente apresentou propostas de reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Uma semana depois da reunião dos Brics, a missão do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU enviada à Líbia concluiu que pelo menos 10 mil pessoas morreram no país desde o início da revolta contra Kadafi. O chefe da delegação, Cherif Bassioun, afirmou que foram encontrados indícios de crimes de guerra, com ataques a civis e a missões humanitárias. Por outro lado, Jacob Zuma, presidente da África do Sul e membro do Conselho da União Africana, em visita ao ditador líbio, em Trípoli, manifestou seu repúdio aos ataques da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao país. 

Em telefonema posterior à presidente Dilma, o sul-africano pediu apoio do Brasil para uma articulação no Conselho de Segurança da ONU no sentido de encontrar uma saída política para a crise na Líbia. Na conversa, que durou cerca de 10 minutos, de acordo com o porta-voz da Presidência Rodrigo Baena, os dois presidentes se mostraram preocupados com os ataques aéreos contra a Líbia, que estariam indo além da resolução aprovada pela ONU, provocando “impactos negativos na população civil das ações das políticas ocidentais”.

Na mesma época, a principal organização de combate ao uso das minas terrestres, a International Campaign to Ban Landmines (ICBL), prêmio Nobel da Paz de 1997, constatou a presença de minas de fabricação brasileira sendo utilizadas pelo regime de Kadafi contra os rebeldes. Em carta ao ministro Antônio Patriota, a diretora da ONG Kasia Derlicka pediu explicações sobre o fato, lembrando a condição do Brasil de signatário do Tratado de Ottawa, posto em vigor em 1999, que proibiu a fabricação, uso e venda de minas “antipessoal”. A instituição pediu ainda que o Brasil condene o uso de minas e exija a sua suspensão (segundo a assessoria do ministro, o Brasil não exporta mais esse tipo de artefato, em respeito ao tratado, mas mantém estoque do armamento, parte dele usado pelo Exército em exercícios militares).

Missão para investigar tortura e execuções

O emprego de métodos cruéis para calar vozes discordantes é comportamento-padrão no regime Kadafi. Em 1996, o ditador foi responsável por um dos crimes mais brutais que atingiram a sociedade líbia. Trata-se do massacre na prisão de Abu Salim, onde 1.167 pessoas supostamente opositoras do governo foram assassinadas em poucas horas pelos soldados do regime. Com depoimentos e provas suficientes para condenar Kadafi em uma corte internacional por crime contra a humanidade, o ativista de direitos humanos e advogado das famílias das vítimas Fathi Terbil conta que os corpos das vítimas foram jogados em buracos e cobertos com cimento. Um dos poucos sobreviventes da chacina, o engenheiro Issa el-Bira, revelou que centenas de presos foram forçados a sair para o pátio enquanto atiradores os matavam de cima dos telhados.

Iniciada em março, a revolta popular na Síria contra o regime de Bashar Assad já contabiliza 1.200 mortes e 10 mil presos qualificados pelo governo como “sabotadores”. O presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, Joseph Deiss, frente a sinais de que o Brasil não estaria disposto a apoiar uma resolução de condenação no Conselho de Segurança contra a repressão e atrocidades cometidas contra civis e as mais de mil mortes promovidas pelas forças sírias, deslocou-se até Brasília para uma reunião com a presidente Dilma e o chanceler Patriota. Na visita, ocorrida em 20 de junho, Deiss tentou sensibilizar o governo brasileiro a votar a favor da resolução que prevê, entre outros tópicos, a implantação de reformas políticas no país, a libertação de prisioneiros e o fim da violência contra os opositores. 

Entretanto, a posição brasileira – que coincide com as da Rússia e China – é de que possíveis ações militares tenderiam a piorar ainda mais a situação. “ASíria é um país central, quando se leva em conta a estabilidade no Oriente Médio”, afirmou Patriota em entrevista na ONU. “A última coisa que gostaríamos é contribuir para exacerbar as tensões no que pode ser considerada uma das regiões mais tensas de todo o mundo.”

Esse posicionamento do Brasil tem intrigado diplomatas dos Estados Unidos, Reino Unido e França, países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Um deles se mostrou decepcionado e explicou: “Tivemos até mesmo a preocupação de não colocar nenhum trecho que pudesse dar chance para uma intervenção externa na Síria. Mas parece não ter sido suficiente para convencer os brasileiros”, disse. Em abril, o Brasil votou favoravelmente no CDH pelo envio a Damasco de uma missão para investigar violações de direitos humanos no país, principalmente tortura e execuções. Dois meses depois, observadores da ONU foram impedidos de entrar na Síria.

Exportações para o Egito cresceram 135,7%

Mesmo assim, o governo de Assad pediu o apoio do Brasil para a sua pretensão de concorrer a uma vaga no CDH. Diplomatas sírios acreditavam na influência do voto brasileiro para mudar a posição de outros países. Mas, uma semana antes da votação a Síria retirou a sua candidatura. Membro da entidade desde 2008, o Brasil encerrou seu mandato em maio, quando 15 das 47 cadeiras do Conselho foram renovadas. Em março, a Assembleia-Geral da ONU já havia decidido pela suspensão da Líbia no CDH, com voto favorável do Brasil.

Uma das mais significativas áreas de comércio do Brasil no norte da África e principal destino das exportações brasileiras para aquele continente, o Egito pós-Mubarak foi alvo de uma visita do ministro Antônio Patriota em maio. Parceiro extra-regional do Mercosul, assim como Israel, o país de 80 milhões de habitantes abriga a sede da Liga dos Países Árabes e é considerado pelo Itamaraty como um interlocutor de grande influência no mundo árabe. Segundo a nota nº 179, divulgada no site do Itamaraty em 6 de maio, o Egito “tem envolvimento crescente nas negociações relativas à questão israelo-palestina, do que é demonstração a assinatura, no Cairo, no último dia 4/6, do acordo de reconciliação entre o Fatah e o Hamas, além de outros 11 grupos políticos palestinos.”

Apesar das revoltas populares e da derrubada do governo de Mubarak, as exportações para o Egito cresceram 135,7% nos três primeiros meses de 2011 em relação a igual período de 2010, alcançando a média diária de 8,5 milhões de dólares. Para a Tunísia, país que inaugurou os confrontos de rua contra os regimes autoritários árabes, culminando com a queda do ditador Zine Ben Ali, as exportações brasileiras aumentaram ainda mais, cerca de 408,2%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Na Argélia, país árabe que também enfrenta distúrbios, a compra de mercadorias do Brasil teve um crescimento de 218,81%.

Liderança geopolítica

Em setembro, quando a primavera se anunciar no Cone Sul, Dilma estará em Nova York para a abertura da Assembleia Geral da ONU. O secretário-geral, Ban Ki-Moon (reeleito para o cargo por mais quatro anos), no encontro que teve com a presidente brasileira no Palácio do Planalto, em 16 de junho, lembrou que Dilma será a primeira mulher a abrir o debate geral daquela entidade. Em nota, ao cumprimentar o sul-coreano pela votação, o Itamaraty ressaltou algumas prioridades do governo brasileiro no campo político internacional: a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e a busca de uma solução política para as crises que atingem o Norte da África e o Oriente Médio.

Sabendo-se que líderes palestinos apoiados por países árabes já preparam um plano de mobilização para pedir o reconhecimento da ONU na sessão anual de sua Assembleia Geral de um estado palestino delimitado pelas fronteiras de 1967, e que o Brasil, compartilhando espaço com países que incitam o ódio ao Estado de Israel, já reconheceu essas fronteiras em dezembro de 2010, é pouco provável que haja qualquer alteração, por parte da presidente brasileira, das diretrizes já assumidas acerca desse e demais temas que envolvem os conflitos no mundo árabe e o terrorismo praticado por grupos político-religiosos da região. 

Ainda que a grande imprensa distingue o compromisso da presidente com a questão dos direitos humanos, a visão ideológica e as aspirações brasileiras por uma liderança geopolítica regional e terceiro-mundista – sinalizadas pelo partido a qual está ligada – acabam por estreitar e dogmatizar seu campo de ação. Para desalento das editorias e dos articulistas políticos que insistem em repaginar o perfil de Dilma, creditando supostos pontos de vista e opiniões que mais adiante não se confirmam.


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terça-feira, 14 de junho de 2011

Restaurando a Coragem


A violência continua na Siria e surpreendentemente somente o primeiro ministro da Turquia, que está abrigando milhares de refugiados sírios, teve a coragem de dizer a Assad que ele é um criminoso de guerra. Num país que está se tornando cada vez mais islâmico, Erdogan condenou seu vizinho que é da minoria alawita, por massacrar a maioria sunita da Siria às vésperas das eleições na Turquia que dará a Erdogan seu terceiro turno e a possibilidade de reescrever a constituição do país.


Na Líbia, Muamar Khadafi está sendo acusado de distribuir viagra às suas tropas para estuprarem mulheres no país como meio de punição e controle. Num país muçulmano isto é a pior coisa que uma familia pode sofrer.

Só lembrando, há apenas 2 anos a Líbia chegou a ser presidente da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, a predecessora do Conselho de Direitos Humanos do qual também era membro e a Síria estava concorrendo este ano também para entrar no clube. Quanta hipocrisia. Entre outros membros estão a China que proibe a liberdade de expressão e de religião, a Arábia Saudita que tem decepações e decapitações todas as sextas-feiras, Cuba e o Pakistão, todos bastiões dos direitos humanos.

E querem saber mais? Israel é o único país que não pode pleitear sua carteirinha de membro. E não só do Conselho de Direitos Humanos mas de qualquer outra organização das Nações Unidas porque sua participação está excluida de qualquer grupo regional.

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina dá entrevistas e diz claramente que não vai admitir a presença de um só israelense no solo do futuro estado palestino. Ele ainda esclarece que se tropas da OTAN forem posicionadas, ele não irá aceitar um só israelense ou judeu que faça parte delas. Imaginem se qualquer político israelense fizesse uma declaração racista desta.

Aonde está o mundo nisto? Aonde está o escândalo? Aonde está a indignação? Ele está na condenação da reação israelense à tentativa de violação de suas fronteiras. Quando as tropas atiraram, isto foi causa de indignação. Ahmed Tibi, membro da knesset chamou a reação de massacre. Mas o Sr. Tibi ficou calado a semana toda sobre as reportagens dos milhares mortos na Síria.

Mas se quiserem saber aonde os palestinos irão amanhã, é só ouvir o que o presidente Barack Obama tem a propor. Em maio de 2009 ele disse que os assentamentos tinham que parar e isto se tornou uma precondição palestina para negociar. Até então construções dentro dos assentamentos existentes nunca haviam sido objeto de discussão.

Como o próprio Abbas disse numa entrevista em Abril na Newsweek, foi Obama quem sugeriu o congelamento total de assentamentos. Aí Abbas respondeu, ok, eu aceito. E disse: Ambos subimos na árvore. Depois disso Obama desceu numa escada e me deixou lá para pular.

Outra vez em Setembro do ano passado na Assembléia Geral da ONU, em seu discurso Obama colocou Setembro de 2011 como data para a criação do estado da Palestina e ela virou o prazo final de Abbas. Até Obama falar da Palestina como um novo membro da ONU em 2011 ninguém havia levantado esta exigência.



Desde o discurso de Obama, a União Européia tem marcado para Setembro de 2011 todo o tipo de prazos para a finalização de um acordo de paz entre Israel e os palestinos. Esta posição européia é totalmente divorciada da realidade. Será que alguém realmente acredita que um acordo será alcançado nos próximos 3 meses quando os lados não estão nem falando um com o outro?

Assim, Obama joga, sem pensar, suas teorias de acadêmico. Só que como presidente o que ele fala tem consequencias na vida real. Os palestinos hoje estão determinados a cumprir a profecia de Obama, independente das consequencias. Como no salto em altura, Obama levantou a barra e os palestinos não irão abaixá-la. Eles farão de tudo para pula-la mesmo se não houver aonde aterrisar do outro lado.

A terceira vez foi no mês passado. Em 19 de maio o presidente americano disse que o futuro estado da palestina deve ser baseado nas linhas de armistício de 1948 com trocas de terras. Obama também publicamente adotou a posição palestina dizendo que os dois fatores mais emocionais: Jerusalem e refugiados deveriam ser deixados para o final das negociações.

Se esta é a posição americana, quem são os palestinos para discutirem? E eles não discutiram. De fato, Saeb Erekat, negociador de Abbas, disse em Washington que as negociações só poderiam ser retomadas se Netanyahu aceitasse a premissa americana formalmente. Isto é, em vez das partes negociarem quais serão as fronteiras de seus estados, agora os palestinos querem que o ponto de partida seja todo o território capturado da Jordania em 1967 e o resto de Israel é negociável.

Netanyahu deixou claro que ele não tem qualquer intenção de aceitar tal precondição. Erekat disse que sem isso a Autoridade Palestina iria direto para as Nações Unidas para declarar o estado.

E aí temos o modus operandi: Obama faz uma declaração que Israel não pode aceitar e ela se torna a nova precondição palestina para negociação. Mas quando os palestinos fazem isto, eles sabem que isto não levará à uma solução mas somente uma fonte de fricção entre os Estados Unidos e Israel. E isto é muito bom para alguém como Abbas que não tem qualquer interesse em negociar com Netanyahu.

Hoje Abbas está preocupado com seu acordo de unidade com o Hamas que já mostra sinais de rachaduras. Apesar do acordo dizer que o governo será gerenciado por tecnocratas e não políticos, o Hamas já disse que não aceitará de modo algum a presença de Salaam Fayad no governo. Fayad é hoje o primeiro ministro palestino e o único com credibilidade no exterior.

O que Obama está fazendo na prática com estas declarações é dar a Abbas razões para ficar longe das negociações e ao mesmo tempo culpar Israel por sua rejeição das propostas inaceitáveis.

Os palestinos hoje querem que Netanyahu congele novamente toda a construção de judeus na Judéia, Samária e Jerusalem. E querem que as negociações partam das linhas de armistício de 1948 sem que tenham que nem mesmo reconhecer Israel como o estado do povo judeu ou abandonar seu pleito de retorno de refugiados para dentro de Israel próprio.

Obama mostrou que tem uma habilidade fora do comum para amarrar o próprio processo diplomático que ele diz estar fomentando. E está levando o mundo a um anti israelismo e anti-semitismo a níveis somente vistos antes da Segunda Guerra Mundial. Mas este presidente americano não põe os pés pelas mãos somente com o Oriente Médio. Dentro dos Estados Unidos suas políticas aumentaram o desemprego a níveis jamais vistos e os preços da gasolina, eletricidade subindo sem parar. Ele só será reeleito se o partido republicano não conseguir um candidato forte o suficiente.

Em setembro do ano passado falei aos ouvintes do radialista Glenn Beck que tem um show na rede de tv Fox aqui nos Estados Unidos. Em agosto de 2010 ele fez história quando reuniu centenas de milhares de pessoas no Memorial de Lincoln na data em que Martin Luther King fez seu discurso histórico em 1963. Aquele comício foi chamado para restaurar a honra americana.

Na ocasião, havia dito que um ano depois de ser eleito, o povo sentiu a necessidade de reclamar para si o credo americano rejeitado por Obama. Este credo diz que a América é um país excepcional, os americanos uma nação excepcional e portanto, a melhor esperança da humanidade.

Glenn Beck nos surpreendeu mais uma vez este ano.

Depois de uma série de programas em que mostrou a tendência do mundo contra Israel, Beck decidiu fazer um outro comício, desta vez em Jerusalém, nas escadarias do Templo no próximo dia 24 de agosto. Ele está chamando este comício de “Restaurando a Coragem”. A coragem de ficar do lado de Israel.

Antes da segunda Guerra Mundial as pessoas do mundo livre tiveram a escolha de ficar do lado do bem ou do lado de Hitler. As que simplesmente se calaram, ficaram do lado de Hitler. Hoje ainda podemos levantar nossa voz, e por menor que ela seja, não percamos esta oportunidade. Convido os ouvintes a participarem deste comício, se não em pessoa, pelo menos pela internet. Procurem o site 8.24 Restoring Courage no Facebook e clique no “like”. Podem visitar também o site www.glennbeck.com/israel para mais detalhes.

Fonte: Deborah Srour Politicamente Falando

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domingo, 24 de abril de 2011

DEXTRA: Olha aqui quem são os "rebeldes" que os trouxas dos americanos estão tentando colocar no poder na Líbia (Aviso: imagens extremamente chocantes)

Do Blog Dextra
São estes aí cortando fora a cabeça do coitado do negro pendurado de cabeça para baixo, aos gritos de "Allahu Akhbar! Allahu Akhbar!". A alegação é que este era um mercenário a soldo de Ghaddafi.

(Ser negro, além de supostamente mercenário, também não ajudou muito a situação dele -- sim, porque os árabes muçulmanos lá no Oriente Médio nunca tiveram uma opinião muito boa sobre os negros não, viu?)

Legal. Agora já sabemos como é que vai funcionar o Judiciário líbio assim que os rebeldes tomarem o poder no país, depois que os americanos derrubarem Ghaddafi para eles.

(O vídeo foi feito na cidade de Benghazi e postado no site Live Leaks em 30 de março)

Obs: Caso o vídeo não passe, acesse o Dextra e confira.

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terça-feira, 12 de abril de 2011

Entrevista com dois Jihadistas da Líbia

Lourival Sant'Anna - O Estado de S.Paulo
 
Militância. Al-Zwei (E) e Al-Madhouni, veteranos da guerra afegã
Os combatentes rebeldes são chamados de "shebab", que em árabe significa jovens. A maioria deles não passa disso: jovens idealistas, muitos universitários de classe média, cujos pais bem relacionados os pouparam até do serviço militar obrigatório e, por isso, nunca pegaram em uma arma antes. Quando os foguetes começam a cair perto deles, sobem no carro e fogem apavorados.

Em contraste, há um pequeno grupo de homens na casa dos 40 anos, de barba espessa, rostos enrugados e olhar de quem já viu outras guerras. Eles avançam sob a barragem de foguetes sentados nos bancos de suas peças de artilharia montadas sobre carrocerias de caminhonetes, disparando os canhões de 14,5 ou 23 milímetros e gritando: "Allah-u-akbar", (Deus é grande). Eles não têm medo da morte, suas armas não são páreo para os foguetes das brigadas de elite de Muamar Kadafi, mas sabem o que estão fazendo. 

São líbios veteranos do Afeganistão, que agora lutam a jihad em seu próprio país, depois de terem passado parte de sua vida no exílio ou na temida prisão de Abu Salim, em Trípoli, que Kadafi reserva aos dissidentes. São os homens do Al-Jamaa al-Islamiya al-Mokatila, ou Movimento Combatente Islâmico, que está na lista da ONU de organizações terroristas internacionais e é considerada, no Ocidente, a filial da Al-Qaeda na Líbia. 

Dois de seus líderes voltaram do exílio recentemente e concordaram em falar ao Estado, em sua primeira entrevista na Líbia, e também a primeira em que deram seus nomes e se deixaram fotografar. "Chega de nomes de guerra", disse Abdul Manem al-Madhouni, de 41 anos, no único momento em que quase esboçou um sorriso. "Está tudo acabado", completou, referindo-se a Kadafi, que foi alvo de quatro tentativas de assassinato do Al-Mokatila, entre 1994 e 1997, uma vez por ano. 

O ditador reprimiu violentamente o movimento, com o objetivo de esmagar qualquer organização opositora. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o ditador passou a usar a repressão em favor de sua reabilitação no Ocidente, assumindo o papel de dique contra a expansão da Al-Qaeda no Norte da África.

Exílio iraniano. Al-Madhouni voltou do Irã, onde viveu nos últimos nove anos e meio - sete anos e meio dos quais em prisão domiciliar, de acordo com ele por ter entrado ilegalmente no país, vindo do Afeganistão, no calor dos atentados de 11 de Setembro.

Abdullah Mansour al-Zwei, de 42 anos, hesita em dar seu nome, porque pretende voltar à Grã-Bretanha, onde se exilou depois do atentado ao World Trade Center, também vindo do Afeganistão e do Paquistão. No entanto, acaba cedendo. "Esse é o meu nome verdadeiro, não como sou conhecido lá." Ambos são do conselho de 12 integrantes que dirige o movimento. Eles foram para o Afeganistão em 1989, quando tinham cerca de 20 anos, para lutar na jihad contra os invasores soviéticos, no fim da guerra que durou dez anos.

Al-Maddhouni e Al-Zwei chegaram ao Afeganistão alguns meses antes da criação da Al-Qaeda. Admitem que conviveram com Osama bin Laden e lutaram lado a lado com ele. "Viajei com Bin Laden de Jeddah, na Arábia Saudita, para o Paquistão", recorda Al-Zwei, que estudou teologia islâmica na cidade saudita de Medina. "Ele era um homem normal, apenas rico, que ajudava as famílias dos combatentes." 

Lista do terror. A Al-Qaeda seria formada meses depois, com esse propósito. "Nós rezávamos do lado dele na mesquita, como qualquer outro", completa Al- Maddhouni, que estudou teologia e assuntos militares tanto no Paquistão como no Afeganistão. 

Eles dizem que se reuniram "muitas vezes" com Bin Laden, "todas antes do 11 de Setembro". Segundo contam, eles não se aliaram à Al-Qaeda porque consideravam que deviam concentrar sua luta na Líbia, e não abraçar a causa contra os Estados Unidos. Após a derrota dos soviéticos, ambos continuaram por mais 12 anos no Afeganistão, onde tinham campo de treinamento, armas e segurança.

O grupo estuda formas de ser retirado da lista da ONU, argumentando que não está ligado à Al-Qaeda nem ao terrorismo islâmico internacional. No esforço para se livrarem desse estereótipo, eles resolveram mudar seu nome para Al-Harakat al-Islamiya al-Libya (Movimento Islâmico Líbio).
Eles afirmam também que não querem introduzir uma teocracia islâmica na Líbia, que não lutam com a bandeira de seu grupo, mas da Líbia independente, adotada pelos "revolucionários". Ambos se colocaram sob o comando do general Khalifa Hafter, comandante das Forças Armadas rebeldes.
O movimento tem entre 500 e 600 integrantes, que deixaram a prisão a partir de 2006, como parte de um programa de reformas conduzido por Seif al-Islam, filho de Kadafi. Outros 30 continuam presos. Eles transmitem aos jovens as táticas da guerra de guerrilha, com as quais os afegãos e os muçulmanos do mundo inteiro, que se uniram naquela jihad, derrotaram a então poderosa União Soviética. 

Em todos os cantos do mundo muçulmano, da Argélia à Indonésia, os "afegãos", como são conhecidos, já desempenharam esse papel nos seus respectivos países. O convívio no Afeganistão os tornou uma irmandade internacional. Voluntários de outros países já se ofereceram para vir lutar na Líbia, mas os líderes rebeldes recusam a presença de estrangeiros nos combates.
Teocracia na Líbia. Al-Maddhouni e Al-Zwei, que obtiveram autorização do conselho para conceder esta entrevista, afirmam que o Movimento Islâmico Líbio aceita o conceito de democracia, "desde que não viole os princípios do Islã". 

À pergunta sobre se o grupo pretende impor a todos os líbios as normas de conduta islâmicas, Al-Maddhouni responde: "Primeiro, precisamos construir um Estado de Direito, com base na liberdade." No entanto, acrescenta: "A Líbia é um país muçulmano." 

Al-Zwei continua: "Somos iguais aos outros grupos, aos liberais, que pensam que a proposta deles é a melhor para o país. Mas não queremos obrigar o povo nem eliminar os outros." 

Eles temem pelo perigo da polarização política entre os líbios. "É melhor a Líbia continuar sob Kadafi do que se transformar em um Iraque ou em uma Somália", afirmam. Os líderes islâmicos líbios não esperam nenhum resultado imediato, além de derrotar Kadafi. "Temos uma missão muito longa. A Líbia recomeçará do zero." 

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